Johnny Deep fala sobre estréia de Piratas do Caribe

Johnny Depp abre um sorriso quando vê o boneco de plástico de Jack Sparrow, o personagem que lhe deu o inesperado status de protagonista de blockbuster. Ainda que sua criação tenha inspirado uma milionária linha de produtos licenciados, o astro de 43 anos não tem mesmo do que se envergonhar. ?Repare na garrafa de rum na mão do boneco?, diz o ator, deixando subentendido que não precisou render-se aos mocinhos previsíveis do cinema para estourar nas bilheterias.Ainda é um mistério para Depp o fato de Sparrow ter caído nas graças da platéia mundial com Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (2003), o que levou o estúdio Disney a encomendar rapidinho duas continuações. ?Concebi o personagem com as mesmas esquisitices, manias e idiossincrasias de todos os outros?, conta o ator, que retoma o deboche e a malandragem de Sparrow em Piratas do Caribe - O Baú da Morte. A segunda aventura é o mais novo fenômeno das telas, somando cerca de US$ 400 milhões de renda mundial em apenas duas semanas de exibição.Esperava ganhar prestígio aos olhos de Hollywood, sem abrir mão do toque estranho, marginal e perturbado que sempre conferiu aos seus personagens?Não. E nunca imaginei ver um boneco com a minha cara na prateleira de brinquedos. Outro dia fiquei surpreso ao me deparar com um modelo de Jack que fala. Nada disso, porém, muda a percepção que tenho do meu trabalho. Até porque passei quase 20 anos fazendo o que Hollywood considera fracassos de bilheteria. E vou continuar fazendo.Executivos da Disney tiveram problemas com a sua interpretação de Jack durante a filmagem do original. Sentiu-se vingado com a repercussão do personagem?Vencer a batalha com o estúdio já me deu enorme satisfação. Inicialmente, alguns dos executivos mais bem vestidos da Disney tentaram me pressionar no sentido de amenizar as excentricidades de Jack. Não cedi, pois estava convencido de que caminhava na direção certa. E o retorno do filme mostrou que está mesmo na hora de Hollywood parar de subestimar o espectador.Como Jack foi o responsável pelo sucesso do primeiro filme, havia uma expectativa de vê-lo à frente da trama na continuação, o que não ocorreu. Por quê?Procurei seguir o meu instinto, que me disse para não exagerar. Se calcássemos o segundo filme em Jack, correríamos o risco de deixar o público enjoado dele. Só na terceira aventura é que conheceremos muito mais da sua história.Jack virou um ícone, a ponto de ser incorporado na atração Piratas do Caribe na Disneylândia. Teve alguma influência na concepção do boneco eletrônico?Foi a Disney que teve a idéia de incorporar Jack e outros personagens do filme na atração. Logo que eu soube, sugeri que Jack saísse debaixo do vestido de uma mulher. Mas pela cara dos executivos, suando de nervoso, percebi que eles não apreciaram muito a minha idéia (risos). Ainda assim, é uma honra saber que meus filhos poderão visitar a atração com os seus filhos e assim por diante.Seus filhos pedem que você encarne o pirata para brincar com eles?Já passamos dessa fase. Agora meu filho (de 4 anos, também batizado de Jack) só quer brincar de Homem-Aranha (risos).Como eles reagem ao ver o pai no cinema, na TV ou na capa de um DVD?Estão acostumados. Às vezes, minha filha (Lily-Rose, de 7 anos) pede que eu faça a voz de Willy Wonka (de A Fantástica Fábrica de Chocolate, de 2005) quando estamos todos à mesa. Eu faço, mas logo mudamos de assunto, voltando a jantar como uma família normal.Está ansioso para contracenar com Keith Richards em Piratas do Caribe 3 (com previsão de estréia em maio de 2007)? Ele será mesmo o pai de Jack?Haverá um grau de parentesco, certamente. Mas, por se tratar de Keith Richards, só vou acreditar que vamos mesmo contracenar quando ele pisar no set. Será uma loucura e tanto...

Agencia Estado,

21 de julho de 2006 | 04h28

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