John Travolta estrela "Brigada 49"

As habilidades físicas de John Travolta, em forma para os seus 50 anos, podem ser conferidas em seu último longa-metragem, Brigada 49, que estréia hoje. Travolta interpreta o chefe de unidade de bombeiros em Baltimore nessa produção dirigida por Jay Russell - concebida para homenagear a profissão que ficou ainda mais popular nos EUA depois da tragédia de 11 de setembro. O papel não só exigiu que Travolta carregasse todos os dias um peso extra de 50 quilos, entre uniforme e equipamento, como enfrentasse incêndios de verdade, experimentando um calor de centenas de graus e a cegueira provocada pela fumaça. "Adoro ser obrigado a usar os meus instintos de sobrevivência", diz. E não foi só nos sets de filmagem que Travolta se mostrou duro na queda. Como ninguém, soube contornar os altos e baixos em Hollywood ao longo de 30 anos de carreira. Conheceu o estrelato com hits como Os Embalos de Sábado à Noite (1977), que lhe valeu a primeira indicação para o Oscar de melhor ator, e Grease - Nos Tempos da Brilhantina (1978), mas amargou 16 anos de vacas magras na indústria, até reconquistar a popularidade com Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994), a convite de Quentin Tarantino. Este filme não só recuperou o prestígio do ator aos olhos da indústria como lhe garantiu a segunda indicação para o prêmio da Academia. "Tarantino foi o meu anjo da guarda", brinca. Leia, a seguir, os principais trechos de entrevista concedida ao Estado, em Los Angeles. Suas habilidades como piloto o deixam mais à vontade para rodar cenas de ação e perigo nos sets? Talvez. Por saber como controlar o medo, encaro os riscos com naturalidade. Como um limite a ser superado. Para manter o espírito, ainda freqüento, pelo menos três vezes por ano, escolas de aviação. Ultimamente eles só me colocam em situações de emergência para ver como me saio. Sua mulher não se preocupa quando pilota aviões? Não. Do contrário, eu poderia reclamar quando Kelly salta de pára-quedas. Somos uma família de doidos (risos). Ela se preocupa comigo por eu acreditar nas pessoas. Como já tentaram me enganar e tirar vantagem da minha confiança, ela é extremamente protetora. Qual a coisa mais corajosa que já fez? Não foram aventuras, mas sim a coragem ao aceitar a morte de pessoas queridas, sejam parentes, amigos ou namoradas. É a pior coisa do mundo. (Quando Travolta tinha 23 anos, perdeu a namorada Diana Hyland, que conheceu no set de O Rapaz na Bolha de Plástico, de 1976, vítima de câncer. Três anos depois, a mãe do ator, professora de arte dramática, morreu vítima da mesma doença.) Como compara ser uma celebridade hoje e nos anos 70, quando você despontou? Para começar, havia muito menos celebridades. Hoje há tantas que eu mal consigo acompanhar quem é famoso e quem não é mais. Confesso não entender como certas pessoas ficam populares de repente, sem razão particular. Como é o caso dos participantes de programas de TV de reality show. Ao longo da carreira, você conseguiu transitar convincentemente pelos heróis e vilões - enquanto muitos atores acabaram se especializando em um ou outro. Sempre levei a sério a arte de representar, o que significa colocar a minha personalidade de lado. Ser verdadeiro ao encarnar outra pessoa é o que dá longevidade à carreira. Assim que os estúdios percebem que você consegue se esconder atrás dos personagens, abrem o leque de opções na sua vida profissional. Você se considera uma inspiração para os jovens atores, principalmente por ter enfrentado altos e baixos? Talvez. Fiz uma descoberta agradável no set de Brigada 49. Sabe que eu sou o único ator para o qual Joaquin Phoenix (com quem contracena no filme) pediu um autógrafo? Como Joaquin tinha apenas 9 anos, sua mãe, que trabalhava nos estúdios da NBC, pediu o autógrafo para o filho. Joaquin diz guardar até hoje aquele pedaço de papel, agora amarelado.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2005 | 14h57

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