"Jogo Duro", um thriller menor de Frankenheimer

Jogo Duro, do veterano John Frankenheimer, é o filme de estréia desta sexta-feira no Rio e Nordeste. Mantendo a linha que o consagrou, o filme é um thriller passado no inverno americano. Ben Affleck incorpora um ex-presidiário, Rudy Duncan, que ao ser libertado assume a identidade do companheiro de cela morto numa briga. A intenção do malandro era ficar com a garota que o amigo só conhecia por correspondência: Ashley, personagem de Charlize Theron. O que ele não contava era se envolver com uma turma de criminosos amadores, comandados pelo irmão da moça. O filme vale pelas reviravoltas da trama, mas ainda está longe de ser uma mostra do Frankenheimer dos tempos de Sob o Domínio do Mal e Operação França.Finalmente a Lumiére resolveu lançar o filme, que saiu no circuito americano em fevereiro deste ano. O casal de protagonistas Ben Affleck e a sul-africana Charlize Theron está em alta no meio cinematográfico. A atriz ficou conhecida por aqui em Regras da Vida, de Lasse Hallström, indicado a sete Oscars, e ainda pode ser vista em Celebridades, de Woody Allen. Ben Affleck é sempre lembrado como o vencedor do Oscar de melhor roteiro original, dele e do amigo Matt Damon, por Gênio Indomável. O irmão marginal de Ashley é Gabriel, interpretado por Gary Sinise, um dos atores mais premiados de Hollywood, indicado ao Oscar por Forrest Gump. Gabriel é motorista de caminhão e chefe de um grupo de caminhoneiros traficantes de armas.O elenco é simpático, e a direção é cuidadosa. Mas o roteiro decepciona. O ex-presidiário Rudy Duncan é obrigado a ajudar a trupe de criminosos a roubar um cassino de propriedade de índios. Nick, seu companheiro de cela interpretado por James Frain, havia trabalhado lá e conhecia as entradas e saídas do lugar e a localização de um cofre onde estaria o "tesouro" do cassino. Rudy é obrigado a desenhar a planta do lugar. Neste e em outros momentos, vê sua identidade sob ameaça de ser revelada. Ele se aproveita de sua experiência como ladrão de carros e de suas lembranças de conversas com Nick para arquitetar um plano de roubo.O que parece uma história bem simples torna-se complexa pelas reviravoltas inusitadas. Muitas identidades serão reveladas, criadas e destruídas no percurso da trama. O diretor diz que o que mais o atraiu no roteiro foi o rito de passagem do protagonista e como ele muda ao longo do filme, culminando em sua renovação emocional e física. Jogo Duro acaba sendo só mais um thriller, mesmo sob a batuta do diretor de clássicos como Sob o Domínio do Mal, uma crítica sobre a eEra McCarthy, e Seven Days in May, outro bom suspense político. Mais recente, Ronin ainda traz a marca da direção minuciosa de Frankenheimer nas perseguições de carros e na atuação de Robert de Niro. Mas seria injusto lembrá-lo por A Ilha do Dr. Moreau, uma versão estranha do clássico de H. G. Wells, com Marlon Brandon mais estranho ainda no papel principal, ou por Amazônia em Chamas, biografia de Chico Mendes, com Sônia Braga e Raul Julia.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2000 | 20h55

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