Jodie Foster brilha nas telas de "Plano de Vôo"

Aquela mulher esguia, de pele alvíssima e olhos perturbadoramente brilhantes, duas vezes vencedora de um Oscar de melhor atriz, chega a um elegante hotel de Los Angeles, a meca do glamour cinematográfico, sem que ninguém perceba, a não ser o pessoal do marketing de Plano de Vôo, filme que estréia hoje em São Paulo e sobre o qual Jodie, naquela tarde de setembro, vai conversar com a imprensa internacional nos minutos seguintes. Discreta, ela pouco se parece com a mulher estuprada que leva seu agressor à Corte, em Acusados, ou a dura e obstinada agente do FBI especializada no comportamento de matadores em série de O Silêncio dos Inocentes, para citar apenas os filmes que lhe valeram o Oscar. Ou mesmo Kyle Pratt, a jovem viúva que enfrenta a tripulação e todos os passageiros de um enorme avião, descrentes de que durante a viagem entre Berlim e Nova York sua filha pequena desaparecera, mesmo com ela garantindo ter entrado no aparelho acompanhada da menina. Eis o plot de Plano de Vôo, dirigido pelo alemão Robert Schwentke. "Já perdi meu filho certa vez e sei como é o desespero de uma mãe", conta Jodie, mãe de duas crianças, cujo personagem desperta no espectador a dúvida sobre sua sanidade mental, provavelmente abalada depois da perda repentina do marido. "Perder um filho, sim, pode levar qualquer um à loucura." O personagem de Jodie começa a desconfiar de alguns passageiros cuja fisionomia fazem lembrar a de terroristas: todos barbados e com fisionomia carregada, eles aparentemente trocam mensagens pelo olhar, o que desperta uma desconfiança entre os demais passageiros. "Gosto do filme justamente por ser um microcosmo do momento em que vivemos", comenta Schwentke, que se sentiu particularmente feliz ao ter seu nome aprovado por Jodie Foster para a direção. "O que realmente me convenceu a aceitar o projeto foi a idéia de uma mulher perder sua filha de 6 anos e subitamente ser forçada a questionar sua sanidade porque há tanto pesar dentro de si", conta Jodie. O fato de a ação se passar quase que totalmente dentro de um avião (aliás, um mega jumbo, com mais de 600 lugares, projetado pela personagem de Jodie) permitiu ao diretor filmar em um espaço reduzido. Na verdade, com a decisão de Schwentke em filmar com planos aproximados, a tensão aumenta à medida que Kyle insiste em vasculhar o avião atrás da filha. "Sempre gostei da idéia de histórias desenvolvidas em lugares confinados", comenta Jodie. "A intensidade cresce e o confronto entre as pessoas torna-se mais intenso." A atriz conta que busca momentos inspirados nos filmes comerciais que realiza em Hollywood, mas não descarta a possibilidade de trabalhar em produções européias. "Falo bem em francês, mas meu agente infelizmente não, o que me fez perder a chance de rodar alguns filmes naquele país", lamenta ela, que vai participar do novo filme de Spike Lee, Inside Man, já em pós-produção, ao lado de Denzel Washington e Clive Owen. "Tenho um papel pequeno, mas é diferente de tudo que já realizei", adianta. Jodie também deverá participar, para 2007, do filme The Brave One, a ser produzido por Cynthia Mort. A atriz se prepara ainda para retomar o papel de diretora. Para o próximo ano, espera realizar um antigo projeto, Flora Plum, sobre uma garota pobre que se apaixona por um maluco que vive em um circo. Ela desenvolve também o projeto de comandar Sugarland, sobre jamaicanos que trabalham em plantações de cana na Flórida. "Será muito sacrificante atuar e dirigir, mas é um bom roteiro e valerá qualquer esforço", comenta ela que, encerrada a entrevista, deixa despreocupadamente o hotel, como uma completa desconhecida. O repórter viajou a convite da Buena Vista Plano de Vôo (Flight Plan, EUA, 98 min.). Suspense. Dir. Robert Schwentke. 14 anos. Grande circuito. Cotação: Regular

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