Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

João Côrtes dirige 'Nas Mãos de Quem Me Leva', seu primeiro longa

'Esse caminho me realiza profundamente. Eu cresci e evoluí muito nos últimos nove anos de carreira', conta o versátil artista, lembrado por protagonizar comerciais divertidos, em entrevista ao 'Estadão'

Entrevista com

João Côrtes

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2021 | 23h00

Foi em 2013 que o Brasil se encantou com a veia artística do jovem João Côrtes, a partir do momento em que ele protagonizava uma série de comerciais divertidos, contracenando com nomes famosos. A partir daquele momento, o ator de cabelos vermelhos começaria a trilhar seu caminho, mas sem pensar em se restringir à encenação. Versátil e irrequieto, este carioca de 26 anos escolheu quebrar limites, não aceitando ficar em uma zona de conforto, mas a encarar os desafios da profissão.

Para isso, deu início a inúmeros projetos não apenas na frente das câmeras, mas no comando delas também. Com início de carreira no teatro, ainda criança, ele partiu para desafios maiores. E o ruivinho mostrou a que veio, despontando não só na TV, mas no cinema e na música também. Aliás, ele foi o vice-campeão do reality PopStar, em 2018, e deixou o público encantado com sua performance. 

Seu mais novo projeto, que estreia na próxima quinta, 8, nas plataformas iTunes, Apple TV+, Google Play, YouTube Filmes, Vivo, Now e Looke, é o filme Nas Mãos de Quem Me Leva. Além de integrar o elenco, João assina o roteiro e também a direção. Além desta nova empreitada, ele pode ser visto em O Anjo de Hamburgo, que é a primeira série brasileira da Globo, em parceria com a Sony, gravada totalmente em inglês. Ao Estadão, João falou sobre sua trajetória e seus projetos.

Como vê a sua evolução profissional?

Esse caminho me realiza profundamente, ao mesmo tempo que me sinto só aquecendo os motores. Eu cresci e evoluí muito nos últimos nove anos de carreira. Por meio de cada trabalho, cada projeto, cada experiência, fui ampliando meus horizontes. É um processo, né? Leva tempo até nos sentirmos seguros e confiantes de quem somos e do que temos a oferecer como artista.  E aí, então, potencializamos nosso brilho. Principalmente nesse meio em que trabalho, onde existe um elemento de competitividade bem presente e constante. Você precisa se transformar e se reinventar o tempo todo. Ser artista é uma missão. É um dom, mas também uma responsabilidade enorme. Hoje, tenho um baita orgulho da trajetória que percorri até aqui. Não mudaria absolutamente nada, e tenho clareza de para onde quero ir.

Como foi estrear como ator, estar ao lado de grandes nomes, isso deixou marcas?

Claro! Marcas de aprendizados, de ensinamentos, de trocas artísticas muito ricas... Foi assim que fui amadurecendo como artista, crescendo e expandindo. Cada projeto que escolho é porque acredito que tenha algo a aprender, a evoluir. Seja pelas pessoas envolvidas, seja pela história, pelo personagem... Eu busco trabalhar com quem eleva meu jogo. O que não te desafia, não te transforma... E eu vivo para ser transformado. É um privilégio ter sido dirigido por Fernando Meirelles, Jayme Monjardim, Bruno Barreto, Luiz Villaça, trabalhar com Aracy Balabanian, Beatriz Segall, Denise Fraga, Chico Diaz, Aidan Quinn, Augusto Madeira... tanta gente incrível que me ajudou e agregou no meu caminho. 

Como é estar à frente de um filme – direção, roteiro?

Foi uma experiência nova e única para mim. Super intensa. Um desafio totalmente diferente. Eu sempre gostei muito de escrever, desde pequeno. Escrevia crônicas, textos livres, histórias, esquetes. Só em 2018 criei coragem para escrever um roteiro. Foram oito meses escrevendo, desenvolvendo aquela história, criando e construindo aqueles personagens e universos, costurando as narrativas. E foi uma delícia! Me apaixonei pelo processo, e sabia desde o início que queria dirigir aquele filme. Produzimos um longa-metragem 100% independente. Sem nenhuma lei de incentivo. Me deparei com vários novos obstáculos que me tiravam da zona de conforto. Mas isso é um ótimo sinal de que estou no caminho certo. Liderar uma equipe inteira é uma tarefa e tanto! É preciso confiar em cada membro dessa equipe, nos seus instintos, nas suas escolhas artísticas. Manter-se fiel a elas. Ser capaz de tomar decisões rápidas e ter a consciência de que cada uma dessas decisões vai afetar no seu resultado final. Isso desde a pré-produção até o lançamento. Mas talvez mais importante do que tudo isso, é essencial o amor à arte, ao cinema. Esse amor foi meu combustível durante todo o processo. Mas quero deixar claro que, por mais desafiador que tenha sido, eu me apaixonei completamente por dirigir. As cenas. Os atores. Descobrir esse “soft spot” de cada momento. Me encontrei, me senti conectado e livre como nunca antes. Digo para as pessoas que dirigir me fez um ator melhor. Me trouxe perspectiva e aguçou minha sensibilidade e inteligência emocional. Já quero fazer mais! 

O que pode falar do seu filme Nas Mãos de Quem Me Leva?

O que posso dizer é que escrevi essa história para aquecer o coração de quem assistir. É um filme singelo, delicado e feminino sobre crescer e amadurecer, sobre as nuances das relações humanas, o quanto nos doamos, o quanto nos machucamos. A montanha-russa de emoções que é viver e sentir demais. No fim, eu quis falar sobre liberdade. Sobre a força inerente que existe em cada um de nós, e nossa capacidade intrínseca de nos reinventarmos. O que espero, como diretor, é que o filme te toque, te faça pensar, rir ou sentir algo – não importa o que.   

Destaca algum personagem? 

Todos me marcam e têm um lugar especial no meu coração, todos mesmo. Mas posso mencionar o último personagem que fiz, Wilfried, um soldado alemão nazista, vivendo em Hamburgo na Segunda Guerra Mundial, na série O Anjo de Hamburgo, coprodução da Globo Internacional com a Sony. Me preparei muito para esse trabalho. Me dediquei e mergulhei profundamente naquele universo. Estudei o sotaque alemão em inglês, estudei os maneirismos, os gestos, a cultura... E foi muito gratificante. Finalizei confiante de que tinha entregado o meu melhor. Dei tudo de mim. Em breve, vocês poderão acompanhar!

De onde vem seu lado musical? Tem projetos nesse campo?

O lado musical vem da família do meu pai, Ed Côrtes. Praticamente todos os membros desse lado da família vivem da música. Meu avô é compositor e pianista, minha avó é cantora lírica, meus tios são baixistas. Eu tenho um EP pronto, mas que ainda não lancei por questão de estratégia e tempo. Músicas originais, e estou doido para que as pessoas escutem! Em breve! 

Algo mudou para você depois de quase ganhar o PopStar?

Mudou muito! O Popstar para mim foi um divisor de águas na carreira. Um trabalho intenso e catártico. Não só pela visibilidade que tive como artista, de poder apresentar ao grande público um João cantor que muitos ainda não conheciam, mas também pelo crescimento pessoal.  Entrei no programa porque sabia que seria algo extremamente novo e desafiador. E, conforme o programa foi rolando, fui ganhando confiança, me sentindo mais à vontade, podendo cantar o estilo que gosto e me identifico. Fui vice-campeão. O Popstar foi o empurrão que faltava para finalmente acreditar no meu eu músico. E, como se não fosse o bastante, ainda fui convidado a apresentar a temporada seguinte, ao lado de Taís Araújo. 

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