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J.K. Rowling põe elementos do mundo atual na história de 'Animais Fantásticos e Onde Habitam'

Polarização que atinge várias sociedades é um dos exemplos

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 06h00

LOS ANGELES - Mais de dez anos atrás, David Yates e David Heyman iniciaram uma parceria graças à escritora britânica J.K. Rowling. O produtor Heyman contratou Yates para dirigir Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007). Na sequência, ele acabou comandando também os três últimos filmes da série. Agora, os dois se reúnem novamente, em Animais Fantásticos e Onde Habitam, uma retomada do universo de bruxos e trouxas - ou melhor, “não majs” -, cinco anos após a estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2. 

Há algumas diferenças entre o novo filme e a antiga saga. O personagem principal é o inglês Newt Scamander (vivido pelo inglês Eddie Redmayne, vencedor do Oscar por A Teoria de Tudo, em 2015), que, em 1926, vai a Nova York em sua pesquisa mundial sobre os animais fantásticos do título e acaba criando um pandemônio por lá, ao ver as criaturas soltas por engano na cidade grande. Scamander é o autor de uma obra didática usada por Harry Potter, Hermione e Ron em Hogwarts, mas sua história nunca foi contada em livro. O novo longa-metragem também marca a estreia de J.K. Rowling como roteirista.

“Quando estávamos adaptando os livros da saga de Harry Potter, ela ficou um pouco distante do processo, ocupada escrevendo os outros volumes. Então, outros escritores fizeram os roteiros. Joanne (Rowling) via o roteiro e fazia uma observação ou outra”, disse Yates. “Era meio como a visita da rainha, ela vinha, dava sua aprovação, e todos ficávamos gratos por ela ter gostado. Aqui, ela criou tudo. Trabalhamos juntos. Foi um enorme prazer. Ela tem uma imaginação rica, obviamente, mas também é muito pragmática. E está aprendendo muito rapidamente a ser roteirista”, acrescenta o diretor David Yates.

Roteiro mostra preocupação com a realidade e o mundo

Na sequência do texto da capa, o diretor de Animais Fantásticos e Onde Habitam, David Yates, disse que não ter livros para seguir foi libertador. “Quando você adapta um romance tão adorado, é difícil porque sempre ficam coisas de fora, e alguns fãs reclamam”, contou. Já para o produtor David Heyman, que está por trás de todos os longas da série, o caminho desconhecido é um pouco aterrorizante. “Não há segurança de que está fazendo algo de que as pessoas vão gostar”, comentou.

Nos EUA, a convivência entre bruxos e não majs não é tão pacífica quanto na Europa. Há quem incite o ódio contra os bruxos, e os relacionamentos entre os dois grupos é banido. A agência liderada por Percival Graves (Colin Farrell), similar ao Ministério da Magia, é encarregada de manter a atividade dos bruxos sob segredo. É impossível não fazer paralelos com a realidade, mesmo que a autora tenha criado a história há mais de dois anos. “Ela foi meio profética em prever Donald Trump, por exemplo”, afirmou Yates. “Rowling está preocupada com o mundo, com a polarização, como as pessoas estão com medo das coisas e dos outros. Há elementos disso implícitos na nossa história, o que a torna poderosa.” Para o produtor David Heyman, Animais Fantásticos e Onde Habitam fala dos outsiders, das pessoas que não conseguem se encaixar na sociedade. “Acho que muita gente se identifica com isso.”

 

Outros quatro filmes da série já foram anunciados, todos dirigidos por Yates e produzidos por Heyman. “Nunca brigamos”, garantiu Yates, que aparenta tanta calma quanto o outro David. Difícil imaginar uma desavença entre os dois, que falam tão baixo que transcrever a entrevista requer esforço extra. “Nunca o vi elevar a voz. Ele trata todo mundo com respeito e, por isso, consegue extrair o melhor das pessoas”, concluiu Heyman. 

 

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