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Jessica Chastain fala de sua personagem em 'Perdido em Marte'

Ruiva nascida na Califórnia interpreta a nada sexy Melissa

Elaine Guerini, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 04h00

NOVA YORK  - A aparência frágil de Jessica Chastain (com seus 56 quilos distribuídos em 1,63 metro de altura) não a impede de interpretar mulheres no comando. A ruiva nascida na Califórnia já caçou o terrorista Osama bin Laden em A Hora Mais Escura (2012), garantiu o futuro da humanidade em Interestelar (2014) e agora lidera missão espacial em Perdido em Marte. “Mesmo não sendo tão inteligente ou poderosa quanto minhas personagens, prefiro viver mulheres tão capazes quanto os homens. De preferência, num ramo profissional dominado por eles’’, afirmou Jessica.

Foi por essa razão que a atriz recusou o papel de Maya Hansen (vivida mais tarde por Rebecca Hall) na superprodução de ação Homem de Ferro 3 (2013), dispensando um cachê milionário da Marvel Studios. “O salário correspondia à soma de todos os que já ganhei desde que ingressei no cinema.” Mas Jessica não se arrepende da decisão. “Não preciso ser a atriz mais bem paga de Hollywood. Eu me contento em ser um modelo para as mulheres da plateia, fazendo papéis femininos fortes que não se apoiam unicamente na beleza ou sensualidade. Não aguento mais ver isso nas telas’’, contou ela, em entrevista ao Caderno 2, concedida no hotel Ritz-Carlton, com vista para o Central Park. 

Melissa Lewis, sua personagem em Perdido em Marte, atualmente em cartaz, não chama a atenção pelos atributos físicos. “Ela não precisa de roupas justas ou de batom vermelho para ser sexy. Melissa se torna atraente pelo que ela é e pelo que ela faz”, disse a atriz, referindo-se à comandante que aborta missão em Marte por conta de uma tempestade de areia. Ao retornar à Terra, ela descobre que um astronauta dado como morto sobreviveu (Matt Damon), precisando voltar às pressas ao planeta vermelho para buscá-lo.

O fato do britânico Ridley Scott assinar o longa-metragem de ficção científica pesou na hora de Jessica aceitar o papel. “Ridley é responsável por figuras femininas inesquecíveis na história do cinema, como Ripley (na pele de Sigourney Weaver, em Alien, O Oitavo Passageiro, em 1979) e as protagonistas de Telma & Louise (interpretadas por Susan Sarandon e Geena Davis, em 1991)”, afirmou a atriz de 38 anos. “Só mesmo Ridley para apresentar de maneira totalmente natural a primeira missão para Marte sendo comandada por uma mulher.’’

Melissa é uma criação do americano Andy Weir, autor do livro Perdido em Marte (2011), no qual o filme é inspirado. “Tanto o escritor quanto o cineasta não questionam por que uma mulher dá as cartas numa missão tão importante como essa. Mas infelizmente isso não corresponde à realidade da NASA e de outras agências espaciais”, contou, lembrando que o sexo feminino representa apenas 10% do quadro mundial de astronautas.

Indicada duas vezes ao Oscar, de melhor atriz por A Hora Mais Escura e de melhor coadjuvante por Histórias Cruzadas (2011), Jessica é chamada de “Meryl Streep de sua geração”. Principalmente pela força e intensidade que imprime em suas personagens, sem perder a vulnerabilidade. “Entendo por que o mercado e a mídia fazem isso. Imagino que Meryl tenha sido apontada como a nova Betty Davis quando surgiu na indústria de cinema. Mas há uma única Meryl”, disse a atriz, formada em artes dramáticas pela prestigiada Juilliard School of Drama de Nova York. “Só espero chegar à idade de Meryl recebendo propostas para encarnar mulheres interessantes, como acontece com ela. O dinheiro nunca vai me seduzir, influenciando as minhas escolhas. Aprendi cedo, com a minha avó, que o mais importante é a reputação, algo não se pode comprar.’’

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A Nasa aproveitou o lançamento do longa para divulgar em seu perfil no Twitter tecnologias semelhantes já desenvolvidas como espaçoportos e o cultivo de vegetais na Estação Espacial.

 

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