'Jersey Boys', novo filme de Clint Eastwood, é emocionante

Com estreia programada para sexta-feira, 20 de junho, nos EUA, longa marca a incursão do velho xerife na área musical

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2014 | 19h01

Nos EUA, a crítica tem sido reticente com o novo Clint Eastwood. O musical do xerife, cuja estreia americana oficial será na sexta-feira, 20,  fechando o Festival de Los Angeles, é visto quase como um acidente de percurso do diretor. Devem estar confundindo o Clint ator com o diretor - por volta de 1970, ele interpretou Os Aventureiros do Ouro, de Joshua Logan, com Lee Marvin e Jean Seberg. O filme foi fracasso de público e crítica, integrando uma leva de superproduções do gênero que não deram certo. Clint podia não ter voz nem jogo de cinturas para cenas cantadas e dançadas, mas seu amor pela música - o jazz - tem sido testado em dramas (Bird) e documentários.

Por que, aos 84 anos, Clint se interessou pela história de uma banda de Nova Jersey, os Four Seasons? Seu último filme como diretor havia sido J. Edgar, um fiasco só não reconhecido por tietes de carteirinha. O velho Clint fala agora sobre jovens que acham seu caminho buscando atalhos para sair da criminalidade. Fazem sucesso, mas não conseguem evitar a divisão interna do grupo. Apesar dos ressentimentos, eles apertam as mãos e se reúnem velhinhos para um concerto de apoteose. E durante todo o tempo falam para a câmera, narram a mesma história de diferentes pontos de vista - é o Rashomon de Clint - e se autoironizam, ironizando os grandes do rock.

Nova Jersey, que dá título ao espetáculo da Broadway em que o filme se baseia - Jersey Boys -, é mais que um cenário. É um conceito. Como os bons companheiros de Martin Scorsese - mas a história deles se passa no Brooklyn -, os gângsteres de Jersey não abandonam seu quintal. O chefão Christopher Walken não só permanece árbitro de todas as disputas como chora ao ouvir Frankie Valli cantar a música preferida de sua mãe.

O integrante rejeitado da banda vira assessor de Joe Pesci - sim, o ator vitorioso (Oscar de coadjuvante) de Goodfellas. Amizade, camaradagem. E o oposto disso - disputas, traições. A alma dessa história é o vocalista que todos tentam comandar e manipular. O homem que cantava como anjo e tinha um canarinho na garganta. Frankie Valli perde, ganha. Clint, o homem, tantas vezes acusado de usar e abandonar amigos e colaboradores, acerta contas consigo mesmo. Não é um musical no estilo Broadway nem Hollywood. Mas o apoteótico número final mostra que ele domina as ferramentas do gênero. É o melhor e mais emocionante Clint desde Gran Torino, em que um velho (ele) se sacrificava pelo jovem.

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