Jennifer López está em "Olhar de Anjo"

Olhar de Anjo parece durar umas três horas e meia. Na verdade tem pouco mais de uma hora e 40. Mas é arrastado e recheado de lugares comuns, talvez o mais irritante sendo a insistência do diretor Luis Mandoki em mostrar imagens refletidas em vidraças e vidros de automóvel. Deve ter alguma coisa com a idéia do roteirista Gerald DiPego de fazer um filme de polícia com um toque sobrenatural.Pois Jennifer López, mais uma vez, é uma latina durona que usa uniforme de tira da polícia de Chicago. Novamente, ela se sai bem no papel, ainda mais porque neste filme, ela tem despertado outro lado, a vulnerabilidade de uma mulher apaixonada. O conflito é bem administrado pela atriz, bem melhor que o filme.Olhar de Anjo tem seu ponto mais baixo na figura do "anjo". Jim Caviezel, com seus olhos muito azuis, tem de viver um certo Catch, um desmemoriado que vaga pela noite da cidade usando um casaco comprado na ponta de estoque de Matrix, só mostrando algum sinal de vida interior quando vê a policial Sharon. Como Wim Wenders e seus imitadores nos acostumaram, achamos que ele é um anjo.Mas, nem tanto. Quando ela, enfim, vai ao apartamento dele, Catch pronuncia as frases essenciais: "É isso. Moro aqui. Ando pela cidade. É isso, a não ser o que sinto por você."Não é linguagem adequada para um anjo. Muito menos o que acontece depois no futon que é o único objeto do apartamento. Mas Catch, se você prestar atenção no desastre do começo do filme, é aquele sujeito que a policial Sharon salva. Catch e a tira se encontram algumas vezes e ele acaba salvando-o de uma morte a tiros. Resolvido isso, os dois se apaixonam como era previsível desde a sala de espera.O filme lembra que precisa justificar a nova Sharon, romântica e frágil. E investe pela história do passado da tira, que mandou prender o pai por espancar a mãe (Sônia Braga, com cara de avó da Dona Flor, num papel de raspão) e por isso nunca mais foi bem recebida no antigo lar.Quando esse conflito é resolvido, chega a hora do beijo final e a revelação de que tudo está solucionado. Ótimo para os personagens, nem tanto para os espectadores.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2001 | 18h13

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