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Jeff Bridges gosta de mudar seus papéis, como em 'O Sétimo Filho'

Ator já ganhou o Oscar de melhor ator por 'Coração Louco'

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 19h14

LOS ANGELES - Jeff Bridges tomou um caminho inusitado depois de ganhar um Oscar (por Coração Louco, de Scott Cooper, em 2010) e concorrer a outro (por Bravura Indômita, de Joel e Ethan Coen, em 2011): voltou-se para produções carregadas de fantasia e sobrenatural. Emendou R.I.P.D. - Agentes do Além, de Robert Schwentke, O Doador de Memórias, de Phillip Noyce, e, agora, O Sétimo Filho, de Sergei Bodrov, previsto para estrear em 12/3. 

O longa baseado no romance de Joseph Delaney traz Bridges no papel do Mestre Gregory, um cavaleiro que usa a ciência e o conhecimento para combater o sobrenatural, como a bruxa Mãe Malkin (Julianne Moore). Os dois tiveram um relacionamento no passado e, sem coragem de eliminá-la, Gregory a aprisionou. Agora, ela se libertou e está mais forte. Gregory encontra em Tom Ward (Ben Barnes), sétimo filho de um sétimo filho, o aprendiz ideal para seguir na contenção dessas forças. O Sétimo Filho foi rodado em 2012, mas teve problemas na finalização, com a falência de uma das empresas de efeitos visuais e o fim da parceria entre a Legendary e a distribuidora Warner, solucionados quando a produtora assinou com a Universal. Jeff Bridges conversou com o Estado sobre mitos e a luta do bem e o mal.

 

O que o atraiu neste projeto?

Sou um grande fã dos mitos. Achei o roteiro interessante e também o livro em que se baseia. O peça final do quebra-cabeça foi o envolvimento do diretor russo Sergei Bodrov. Contei a ele que estava interessado e esperava que nossa abordagem fosse similar. Encontrei uma frase de um compatriota de Bodrov, de Soljenitsyn e perguntei o que ele achava: “Se fosse assim tão simples que existissem pessoas más em algum lugar, seriamente cometendo atos maus, e fosse necessário apenas separá-las do resto de nós e destruí-los. Mas a linha que divide o bem e o mal passa pelo coração de cada ser humano. E quem está disposto a destruir um pedaço do próprio coração?”. Sergei respondeu: “Sim, vamos fazer um filme sobre isso”. 

Você tem feito vários filmes com elementos sobrenaturais e fantásticos após ganhar o Oscar e ser indicado para outro. É o caminho natural para um ator?

Meu pai, Lloyd Bridges, nos anos 1960, fez um seriado de TV famoso, Aventura Submarina, em que interpretava um mergulhador. Era maravilhoso ter sucesso, claro, mas ficava chateado porque só lhe ofereciam papéis de mergulhador. E ele era um ator versátil. Vi sua luta. Então, não quis me repetir em termos de personagem ou gênero. Gosto de mesclar para confundir um pouco os espectadores. Os últimos três ou quatro projetos são todos fantásticos ou mitológicos. Mas isso não vai durar muito, estamos chegando ao fim desse ciclo (risos). 

Joseph Delaney se inspirou em fantasmas e poltergeists para escrever. Acredita nesse tipo de fenômeno sobrenatural?

Acredito que ninguém sabe o que realmente está acontecendo! (risos) E isso deixa espaço para qualquer coisa acontecer. 

Esse tipo de papel normalmente é muito físico. 

Sim, são como danças. Uma cena de luta é como uma dança, tudo coreografado, treinado, para parecer real e fazer com que o espectador acredite. 

O Sétimo Filho tem muitos efeitos especiais. Como foi essa experiência?

Estar nesses sets faz com que imaginar ser um cavaleiro antigo fique mais fácil. Porque tudo o que está lá torna essa realidade mais verdadeira. 

Seu personagem viu muitas coisas na vida, então, às vezes, fica desgostoso. Já se sentiu assim nessa indústria? Como luta contra isso?

Tento perceber o cinismo quando ele vem. As coisas mudam, nada é fixo. Até o que é fixo muda. Apliquei isso ao longo dos anos e aprendi que é como as coisas são. É como na vida, muitas vezes você está no topo, às vezes, não. Então às vezes você consegue combater, às vezes, não. Você se sente desgostoso não só na carreira no cinema, mas também na vida.

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