Jeanne Moreau brilha em filme sobre lembranças do Holocausto

A atriz francesa Jeanne Moreau, 80 anos,diz que trabalhar em seu novo filme sobre a luta de uma famíliapara falar do Holocausto trouxe de volta memórias de suaprópria infância durante a ocupação nazista. "Plus Tard Tu Comprendras" (Mais tarde você entenderá), dodiretor israelense Amos Gitai, conta a história de Victor, umhomem de meia idade que tenta convencer sua mãe (Moreau) afalar sobre sua infância e a morte de seus pais em Auschwitz. "Foi muito intenso", disse a elegante Moreau a jornalistasno Festival de Cinema de Berlim. "Eu nasci em 1928. Vivi aocupação." "Na escola, eu tinha amigas que usavam a estrela amarela naroupa e que desapareceram. Isso fazia parte do cotidiano." Sua personagem no filme, Rivka, tem dificuldade em colocarem palavras o horror do passado, apesar de seu filhopressioná-la para isso. Uma cena inicial mostra Rivka em 1987, preparando umarefeição enquanto a televisão mostra o julgamento de KlausBarbie, o "açougueiro de Lyon", considerado responsável pelatortura e morte de centenas de civis na era nazista, quando foichefe da Gestapo em Lyon. O filho de Rivka, Victor, acompanha o julgamento pelo rádioem seu trabalho. Mas, quando mãe e filho se encontram para jantar noapartamento de Rivka, no mesmo dia, o assunto do julgamentovira tabu. O escritor Jerome Clement, cujo romance autobiográficoserviu de base para o filme, disse que este mostra comogerações diferentes se esforçam para encarar determinadoscapítulos do passado. "Não é uma história da guerra. É uma história de hoje. Umahistória do silêncio, sobre como, após a guerra, os pais nãoquiseram falar sobre certas coisas, e sobre como falamos comnossos próprios filhos, hoje", disse ele. Enquanto Victor e Rivka se esquivam da questão da mortepavorosa dos pais dela, o filme também mostra como o resto dasociedade francesa encarou esse capítulo na história do país. O ex-presidente Jacques Chirac reconheceu oficialmente em1995, pela primeira vez, a cumplicidade francesa na deportaçãode judeus durante a guerra. Mas foi apenas após uma decisão judicial de 2001 que setornou possível processar as autoridades francesas, pedindoindenização. Amos Gitai disse que a questão da colaboração de francesescom os nazistas não foi muito tratada no cinema francês atéhoje. "Se este filme puder contribuir para que esse assuntoseja aberto, será bom. Seria tarde, mas nunca é tarde demais."

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