Matt Sayles/AP
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Javier Bardem é forte candidato a melhor ator em Cannes

Ator espanhol concorre por sua atuação em 'Biutiful' do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu

17 de maio de 2010 | 17h11

CANNES (EFE) -  O ator espanhol Javier Bardem se tornou hoje um forte candidato ao prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes pelo filme "Biutiful", o trabalho apresentado na seção oficial do evento pelo diretor mexicano Alejandro González Iñárritu.

 

Bardem volta a demonstrar seu "talento e excelência" como ator, nas palavras de Iñárritu, e encarna um personagem extremo e complexo dentro de uma realidade cotidiana onde se veem imersas muitas pessoas nesta sociedade.

 

Isso é o que quis contar Iñárritu com um filme que narra a história de Uxbal (Bardem), um homem que ouve os mortos. Com dois filhos, ele vive uma relação difícil e intermitente com a esposa, que tem transtorno bipolar.

 

Uxbal sobrevive em meio à ilegalidade, entre imigrantes chineses que trabalham numa fábrica e africanos que vendem a mercadoria pelas ruas de Barcelona.

 

Trata-se de um drama realista, duro, às vezes sórdido e deprimente - com uma excelente fotografia das lentes de Rodrigo Prieto - que para o diretor é seu trabalho "mais promissor, com diferença", porque "no final, a esperança está em como você reage aos desastres, em como nos ajudar a nós mesmos e aos demais".

 

É o primeiro longa-metragem de Iñárritu sem o roteirista com quem havia trabalhado até agora, Guillermo Arriaga, a quem não parece ter feito falta, já que escreveu o roteiro baseado em uma ideia própria, em colaboração com Nicolás Giacobone e Armando Bo, com quem gostou muito de trabalhar.

 

Após dirigir "Babel" (2006), que o levou a percorrer meio mundo, Iñárritu se sentia "exausto" e prometeu a si mesmo que faria algo muito mais simples.

 

"Queria gravar em minha própria língua" e com uma história singela, explicou o diretor. No entanto, reconheceu que este filme foi "tão difícil de realizar como qualquer outro".

 

"Biutiful" é uma história linear, o que foi um desafio para Iñárritu. Em suas produções anteriores, o diretor usou o tempo descontínuo, com saltos temporais e histórias intercaladas.

 

No fundo, como ele mesmo reconheceu, "é o mesmo, mas diferente". "Antes contava histórias complexas de forma simples e esta é uma história muito simples. É 'Babel' em uma cena", destacou.

 

Todo o peso do filme recai em Bardem, que tem um personagem muito intenso, tanto como o processo necessário para prepará-lo, explicou o ator. Segundo ele, realizar este trabalho lhe permitiu "ir a muitos lugares onde um ator cresce como profissional".

 

Sobre seu trabalho com Iñárritu, Bardem disse que o diretor sabe "como

cuidar dos detalhes das interpretações".

Em sua opinião, isso o ajudou a incorporar um personagem em meio à corrupção e ilegalidade, uma pessoa "que busca sobreviver nesse mundo. Alguém que não quer, no entanto, perder o principal da vida, que é o amor e a compaixão".

Seu papel como Uxbal representa um trabalho extraordinário e repleto de peculiaridades, com gestos que dizem muito sobre a história, e digno do prêmio de Melhor Ator em Cannes.

Para Bardem, seu personagem o aproximou do cinema latino-americano, no qual quase não havia participado. "Minha experiência com o cinema latino-americano é quase inexistente", disse Bardem.

O ator declarou que o que realmente interessa a ele são os filmes "com significado", algo que encontrou no trabalho de Iñárritu.

"Bardem é um ator a quem coisas mínimas significam muito", disse o diretor. Segundo ele, isso foi fundamental para um personagem como o de Uxbal, "muito complicado de interpretar". E "somente um ator como Javier podia fazê-lo", acrescentou.

É um filme "humano, que fala de coisas humanas que são reais", indicou Iñárritu. O diretor se perguntou se as histórias de violência superficial que tanto são produzidas agora refletem realmente a vida.

Em sua opinião, "a verdadeira experiência é a intimidade". E em um momento no qual todo o mundo twitta ou envia e-mails, lembrou, "a intimidade é uma provocação".

"Biutiful" é a único filme hispano-americano em competição neste ano em Cannes. Para Iñárritu, é o primeiro de seus trabalhos com o qual se sente "completamente satisfeito". EFE

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