Jane Fonda revela o que aprendeu com cada cineasta

Atriz tem mais de 50 anos de carreira no cinema

Susan King , O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 19h37

LOS ANGELES TIMES - Durante os 54 anos de sua carreira no cinema, Jane Fonda foi dirigida por cineastas tão diferentes quanto o primeiro marido, Roger Vadim (Barbarella, 1968); Sydney Pollack (A Noite dos Desesperados, 1969); Alan J. Pakula (Klute, o Passado Condena, 1971, e Amantes e Finanças, 1981), Fred Zinnemann (Júlia, 1977) e Hal Ashby (Amargo Regresso, 1978).

Eis o que ela tem a dizer a respeito do trabalho com cada um deles: Vadim transformou Jane num sex symbol com uma série de filmes, dos quais o mais conhecido é o caricato clássico de ficção científica Barbarella. "Era tudo muito sexy", disse ela a respeito do trabalho com o diretor. "Havia algo de exuberante e sensual nas sensibilidades dele. Eu gostava bastante. Comecei a gostar menos no fim, quando nosso casamento estava ruindo."

Pollack mudou a carreira dela quando a dirigiu em A Noite dos Desesperados, um sombrio drama da era da Depressão adaptado do romance de Horace McCoy. Ela interpretou uma jovem cínica que participa de uma exaustiva maratona de dança. "Foi a primeira vez que participei de um filme que lidasse com um tema importante para a sociedade", afirmou Jane. No começo, ela demonstrou pouco interesse quando o produtor Irwin Winkler visitou o casal em Paris. Mas Vadim, o marido, insistiu para que ela aceitasse o papel; sempre fora fã do livro.

Antes que a produção tivesse início, James Poe, escolhido para a direção, foi demitido, e Pollack foi chamado para o lugar dele. "Lembro que tínhamos alugado uma casa em Malibu e Sydney veio nos visitar... Ele disse, "leiam o livro novamente e digam-me o que acham que está faltando no roteiro". "O fato de ele ter me perguntado foi uma grande epifania para mim. É como se, de repente, eu fosse levada a sério."

Pakula, que dirigiu Jane no papel que rendeu a ela seu primeiro Oscar, em Klute, o Passado Condena, "era como um psicólogo", lembrou. "Era como entrar nas profundezas da psique da personagem. Trabalhar com ele era como dançar valsa com Fred Astaire - uma parceria perfeita, fluida."

Zinnermann a dirigiu em seu retrato de Lillian Hellman. "Foi uma experiência estranha e maravilhosa. Ele raramente rodava uma segunda tomada", garantiu Jane. "Perguntei a Vanessa Redgrave (que também estrela o filme), como ele consegue? A resposta: o diretor acerta na escolha do elenco."

Ashby foi exatamente o oposto em Amargo Regresso, que rendeu a Jane Fonda o segundo Oscar pelo papel da mulher de um soldado que começa a ter um caso com um veterano paraplégico do Vietnã. "Ele vinha da sala de montagem, e gostava de rodar 40 tomadas e finalizar todas elas", recordou a atriz. De acordo com ela, Hal Ashby "tinha dificuldades com as pessoas. Deve ser por isso que começou a carreira como montador. Não me lembro de ele nos passar orientações. Ele rodava a cena de novo e de novo, como um escultor, lapidando a atuação. Adorei a experiência de trabalhar com ele". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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