Jim Lo Scalzo/ EFE
A atriz e ativista Jane Fonda  Jim Lo Scalzo/ EFE

Jane Fonda cobra medidas contra a mudança climática e brinca sobre suas prisões

Atriz se tornou notícia pelas prisões às sextas-feiras, quando protesta em Washington, pela preservação do planeta

Redação, EFE

28 de novembro de 2019 | 13h02

A atriz Jane Fonda, de 81 anos, é mundialmente famosa por filmes como Barbarella e Amargo Regresso, mas recentemente se tornou notícia pelas prisões às sextas-feiras, quando protesta em Washington, capital dos Estados Unidos, pela preservação do planeta.

"Não há luta mais importante que a contra a mudança climática. Mas, além disso, o resto das lutas está ligada a esta. Quer tratemos da desigualdade econômica, da violência sexual, da injustiça alimentar ou da imigração. Seja o que for, vai piorar se não conseguirmos inverter os danos causados à atmosfera pelos combustíveis fósseis", disse a estrela de Hollywood, em entrevista exclusiva à Agência Efe.

No início de outubro, Fonda revelou em entrevista ao jornal The Washington Post, que participaria pelas 14 sextas-feiras seguintes de protestos, já que estava na capital para participar das gravações da série Grace and Frankie, que é exibida na plataforma Netflix, e disse na época que não descartava ser presa por isso, o que de fato, vem acontecendo durante cada ato.

"A razão pela qual não conseguimos obrigar os governantes eleitos a fazerem mais, é porque muitos deles recebem dinheiro da indústria dos combustíveis ou têm medo dela. Temos que dizer que não votaremos em ninguém, presidente, vice-presidente ou prefeito, que receba dinheiro da indústria de combustíveis", bradou a atriz.

Sobre as constantes detenções em Washington, Fonda não escondeu achar graça na situação, devido a reação dos agentes das forças de segurança locais, ao terem que levá-la em custódia.

"É engraçado lidar com a polícia aqui, porque nunca tiveram que prender uma persona famosa, uma, duas, três ou quatro vezes. Não sabem o que fazer. Meu advogado disse que, se me prenderem mais uma vez e uma próxima, terei que passar três meses na prisão. Isso não pode acontecer, porque tenho um contrato com a série Grace and Frankie", brincou a estrela. 


 

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Perfil: Quem é Jane Fonda, atriz que adotou as sextas-feiras como 'dia para ser presa'

Dona de uma carreira impecável, ela conquistou dois prêmios Oscars enquanto protestava contra a Guerra do Vietnã; veja mais na biografia feita pelo 'Estado'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2019 | 09h00

Como hoje é sexta-feira, pode-se imaginar o que, desde cedo, está se passando na capital dos Estados Unidos. Uma senhora prepara-se para ser presa em algum momento do dia, alguém da guarnição prepara-se para prendê-la. A dama é uma famosa estrela de cinema e TV, Jane Fonda, que resolveu seguir o exemplo de uma garota sueca - Greta Thunberg - e instituiu as sextas-feiras como dia para tentar salvar o planeta.

Vestida com um casaco vermelho cintilante, ela tem protestado em frente ao Capitólio. Tem ido com amigos - Catherine Keener, Rosanna Arquette, Ted Danson -, ocupando as escadarias com chamamentos sobre a urgência da crise ambiental, que o presidente Donald Trump e seus epígonos ao redor do mundo insistem em minimizar.

Confiscam-lhe o celular, ela vai presa, batem a identidade. Terminam por libertá-la. Na semana que vem tem mais. Já foram quatro sextas-feiras, essa será a quinta e Jane, de 81 anos - nasceu em 1937 -, pretende continuar sendo presa até meados de janeiro, quando recomeça a produção da que está sendo anunciada como última temporada de Grace & Frankie, sua série (com Lily Tomlin) da Netflix. Para ela, a militância ecológica talvez seja uma novidade, mas não propriamente a militância. Nos anos 1960/70, Jane participou de manifestações nos campi das universidades norte-americanas. Com o então companheiro, Tom Hayden, foi ativista contra a Guerra do Vietnã. Chegou a ir a Hanói, via Paris, onde viveu com outro marido - o cineasta Roger Vadim -, para se solidarizar com os norte-vietnamitas, que sofriam ataques de napalm. Era chamada, pelo establishment militar, de Hanói Jane.

Filha de Henry Fonda, um astro que pertencia à aristocracia de Hollywood, a mãe era uma socialite de Nova York. Não admira que tenha sido batizada como Lady Jayne. A mãe suicidou-se, e ela e o irmão, Peter Fonda - que morreu este ano -, foram enviados para internatos. O pai seguiu a rotina de casamentos e divórcios - só muitos anos mais tarde, quando Henry já estava no fim, Jane acertou os ponteiros com ele. Decidida a ser atriz, iniciou a carreira em casa - Hollywood -, mas foi para a França e se ligou a Vadim. Ele, que já iniciara o mito de Brigitte Bardot em E Deus Criou a Mulher, fez dela um mito sexual em Barbarella. Alternando Europa e EUA, Jane ganhou o primeiro Oscar - em 1972, por Klute, o Passado Condena, de Alan J. Pakula - e filmou com Jean-Luc Godard (e Yves Montand), Tout Va Bien, que foi seguido por Letter to Jane. Foi às ruas com os estudantes, apanhou da polícia protestando contra a guerra, foi chamada de antipatriótica por veteranos.

Tudo isso faz parte de sua biografia. Ganhou outro Oscar de melhor atriz - em 1979, por Amargo Regresso, de Hal Ashby, justamente sobre a dificuldade de adaptação de veteranos da guerra. Casou-se com Ted Turner, virou garota propaganda dos benefícios das academias na busca da eterna juventude. Essa fase passou, mas agora uma outra Jane - outra? A mesma! - está de volta às ruas, e aos protestos. A causa ambiental, o aquecimento global. A série vai bem, obrigado. Grace & Frankie aborda com humor temas importantes de gênero. Como hoje é sexta, vale repetir, é dia de Jane Fonda ser presa. O tempo passa e ela não desiste do engajamento. Jane, em Hollywood, foi sempre assim. Não uma diva, uma esfinge inatingível. Uma mulher do seu tempo.

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Após ser presa quatro vezes, Jane Fonda se torna símbolo da causa ambiental

Atriz de 81 anos prometeu aos fãs protestar por todas as sextas até meados de janeiro; inspiração veio da jovem ativista Greta Thunberg

Cara Buckley/ The New York Times, Agências

05 de novembro de 2019 | 09h00

Na noite anterior à prisão de Jane Fonda, na semana passada, um membro de sua equipe de mídia social perguntou se ela pensava em escrever uma carta da cadeia. “Com o quê?”, disse Fonda. “Vou ficar sem celular.” Ela fez uma pausa e completou: “E sem fraldas geriátricas”. Além disso, continuou Fonda, pensando em voz alta, escrever carta da prisão era coisa para o Martin Luther King. Não era para ela. E, assim, o plano foi descartado.

Fonda, que tem 81 anos, mudou-se para Washington em setembro, para chamar atenção para a urgência da crise climática com protestos no Capitólio, onde, envolta em um casaco vermelho cintilante, ela foi presa todas as sextas-feiras nas últimas quatro semanas, muitas vezes com um ou dois amigos famosos a reboque: Sam Waterston, Ted Danson e, na última sexta, Catherine Keener e Rosanna Arquette. Fonda planeja continuar protestando até meados de janeiro, quando recomeça a produção de sua série da Netflix, Grace e Frankie, e espera completar 82 anos atrás das grades, em 21 de dezembro.

“Na noite da quinta-feira, falei para ela: ‘Você realmente vai me fazer passar por isso’?”, lembrou Keener. “E ela falou: ‘Só se você quiser’”. No dia seguinte, Keener, Arquette e Fonda estavam entre as 46 pessoas que a polícia prendeu, com algemas de plástico, por ocuparem as escadarias do Capitólio.

Keener e Arquette foram multadas e liberadas algumas horas depois, mas Fonda, que tinha uma audiência no tribunal por causa das detenções anteriores, passou a noite na prisão, como esperado. “Uma noite, grande coisa!”, disse Fonda a repórteres minutos antes do início do ato.

Fonda tem muito vigor, mas ser presa nessa idade traz desafios, como manter o equilíbrio com as mãos amarradas na hora de subir na viatura. Na semana passada, houve uma espécie de alívio quando a polícia conduziu os presos – cujos números triplicaram desde que ela começou a protestar – para um ônibus com degraus baixos e mais fácil de embarcar, enquanto os espectadores gritavam: “É isso aí, Jane!”. Fonda disse ao The Washington Post que usara o casaco como colchão e que seus ossos doíam.

Celebridades são alvos fáceis em protestos, e Fonda disse que não havia dúvida de que ela se beneficiava de sua fama e privilégios de pessoa branca, mas que estava lutando com as armas que tinha. Ela tem um carro elétrico, evita plásticos, come menos carne vermelha e reduziu as viagens aéreas – as celebridades geralmente optam por jatos particulares, Fonda prefere os voos comerciais – mas disse que estava protestando pela necessidade de fazer mais. “Para que ser uma celebridade se você não usa essa influência para algo que é tão importante?”, disse ela.

Ela quer inspirar outras pessoas para que elas inundem as ruas e obriguem os parlamentares a forçar as empresas de combustíveis fósseis a deixar debaixo da terra trilhões de dólares em reservas de petróleo. Enquanto esse nobre objetivo não é alcançado, ela pelo menos faz incursões pela cultura pop. Seu recente discurso de agradecimento ao Prêmio Bafta, direto da cadeia, viralizou. E entre as fantasias de Halloween sugeridas pelo Buzzfeed estavam a de se vestir como Fonda e o policial que a prende.

O plano dos protestos e prisões começou a tomar forma durante o Dia do Trabalho, quando ela estava de folga em Big Sur com Keener e Arquette. Fonda vinha lutando contra o que descreveu como um mal-estar físico e depressão profundamente arraigados, os quais atribuiu às notícias climáticas cada vez piores. O plano cresceu durante uma chamada em conferência com Naomi Klein, Annie Leonard, diretora executiva do Greenpeace dos Estados Unidos, e o ativista ambiental Bill McKibben. Eles batizaram os eventos de Fire Drill Fridays (algo como Sextas de Brigada de Incêndio), inspirados pelo brado da ativista climática Greta Thunberg: “Nossa casa está pegando fogo”. O plano pedia que os manifestantes usassem vermelho, e Fonda disse que seu casaco novo, comprado na Neiman Marcus, seria o último item de roupa que compraria na vida, porque não precisa de mais nada. “Acho que ela entendeu bem a mensagem dos jovens ativistas”, escreveu McKibben, por e-mail. 

A manhã de sexta-feira nasceu clara e fria em Washington, e dezenas de manifestantes já se reuniam no porão de uma igreja perto da Suprema Corte, para comer bolo, tomar café e traçar estratégias. Depois de terminar uma entrevista para a NPR, Fonda marchou à frente em direção ao Capitólio, com equipes de filmagem se acotovelando para acompanhar a manifestação. “Vocês estão todos aqui”, disse ela, indicando o enxame de jornalistas e equipes de filmagem. “Então acho que está funcionando”.

Tradução de Renato Prelorentzou

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Jane Fonda é presa em protesto contra as mudanças climáticas nos Estados Unidos

Atriz é conhecida pelo ativismo político e promete protestos nas próximas 13 semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 16h12

Fotos e vídeos mostram a atriz Jane Fonda, 81, sendo presa durante um protesto contra as mudanças climáticas que acontecia em Washington, capital dos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 11. Não há, ainda, informações sobre a soltura da atriz.

Conhecida por seu ativismo político, Jane Fonda iniciou hoje uma série de 14 protestos, todos às sextas-feiras, no Capitólio, prédio que serve como centro legislativo dos Estados Unidos. 

"Vou pegar meu corpo, que é meio famoso e popular agora por causa da série [Grace e Frankie] e vou para D.C. fazer uma manifestação toda sexta-feira", disse a atriz ao jornal The Washington Post. "Será chamado de 'exercício de fogo de sexta-feira'.

"Vamos nos envolver em desobediência civil e seremos presos todas as sextas", afirmou ainda. O cronograma termina no dia 10 de janeiro de 2020, quando a atriz deve voltar à gravação da série Gracie e Frankie.

Na entrevista ao WP, Fonda contou se emocionar ao ler sobre a jovem ativista Greta Thunberg, de 16 anos, que tem abalado o mundo com suas duras denúncias de gerações que não conseguiram retardar as mudanças climáticas. "Quando Thunberg estudou as mudanças climáticas, ela percebeu o que estava acontecendo e que isso nos estava afetando. Isso a deixou tão traumatizada que ela parou de falar e comer. Quando eu li aquilo, fiquei abalada, porque entendi que Greta tinha visto a verdade. E a urgência entrou no meu DNA de uma maneira que antes não havia acontecido", afirmou Fonda. 

Quem é Jane Fonda

Fonda tem uma carreira de atriz distinta, incluindo filmes políticos como Coming Home sobre a Guerra do Vietnã, 9 a 5, sobre mulheres trabalhadoras, e The China Syndrome, sobre uma usina nuclear lançada pouco antes do acidente nuclear de Three Mile Island.

Ela também tem uma longa história de ativismo político. Apoiou os Panteras Negras e marchou pelos direitos dos nativos americanos, soldados e mães que trabalhavam. Em 1970, ela foi a Fort Meade entregar panfletos anti-guerra a soldados, mas foi presa antes que pudesse. Em 1972, ela foi para o Vietnã do Norte e sentou-se em uma arma antiaérea, ganhando o apelido de "Hanói Jane". / Com informações do The Washington Post.

Confira o vídeo do momento da prisão:

 

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Documentário repassa a história de Jane Fonda na HBO

'Jane Fonda in Five Acts' vai além do costumeiro retrato de celebridades

Ann Hornaday, The Washington Post

24 de setembro de 2018 | 06h00

“Qual é o problema com Jane Fonda?” Essa pergunta, feita pelo presidente Richard Nixon em 1971, abre um novo documentário da HBO sobre a atriz e ativista política. Resplandecente num traje imitando pele de animal, cabeleira loura e olhos azuis ainda eletrizantes, Jane Fonda enfrenta as inúmeras entrevistas sobre o novo filme com a segurança, o bom humor e a beleza magnética que fizeram dela o sex symbol que ainda é aos 80 anos. A mulher que desde sempre esteve em nossa cabeça mostra-se relaxada e direta. “Que esmalte é esse que você está usando?”, pergunta olhando para o pé de uma repórter. “É Malaga Wine? Por que esse é o que eu também uso.”

A tentação imediata é perguntar a Jane Fonda quais são os chás de sua dieta, que exercícios ela faz, quem é seu cirurgião plástico. Se o documentário Jane Fonda in Five Acts for um indício, ela não hesitaria em compartilhar essas informações.

Dirigido com uma ingênua sensibilidade por Susan Lacy, o documentário, que começará a ser veiculado nesta segunda-feira, 24, vai além do costumeiro retrato de celebridades. Ele foge da cronologia formal e de factoides do tipo Wikipedia para mostrar um retrato cândido, desarmado e profundo de uma mulher cuja vida pública e privada está inextricavelmente ligada à história recente dos Estados Unidos. Se uma vida bem vivida tem de fato muitos atos, os cinco (por enquanto) da vida de Jane têm sido um revigorante exemplo de uma sempre renovada autonomia e autoconfiança. Solteira, após três casamentos, trabalhando ininterruptamente depois de prometer parar, ela diz que finalmente está de “volta à própria pele”, sendo “o que sempre deveria ter sido”. 

Quatro dos “atos” do filme se chamam Henry, Vadim, Tom e Ted, nomes do pai famoso e dos três maridos de Jane.

“Achei ótimo”, diz ela sobre o formato do documentário. “Sempre vi minha vida em diferentes atos, procurando a mim mesma e definida por esses quatro homens. O universo que Lacy capturou, diz ela, “é uma história sobre gênero”. 

Uma das cenas recorrentes em Five Acts é um filmete feito pelo pai, o astro de cinema Henry Fonda, de uma Jane ainda garota vestida de Tonto, o índio companheiro do Lone Ranger. Com olhar atento, Jane “patrulha” os arredores da casa da família nas Montanhas Santa Mônica.

A lembrança mais comovente mostrada no filme é de como ela se sentia sozinha, com um pai emocionalmente distante e uma mãe sofrendo de transtorno bipolar severo (Frances Seymour Fonda suicidou-se quando Jane tinha 12 anos). Numa cena, Jane examina uma foto da família claramente feita com fins publicitários. Sua imagem é a de uma garota comum, diz ela, mas “muito daquilo era simplesmente mito”. 

Os fatos básicos da vida de Jane são conhecidos: seu início em Hollywood no papel de jovem ingênua; seu casamento com o diretor Roger Vadim, que fez dela o sex symbol Barbarella; seu ativismo político dos anos 1960-70; sua transformação em atriz dramática com filmes como Klute – O Passado Condena e Amargo Regresso; seu segundo casamento, com o estudante ativista que se tornou o político Tom Hayden; o estrondoso sucesso de seu vídeo de exercícios aeróbicos; o terceiro casamento, com o magnata da mídia Ted Turner, que a levou a deixar a carreira; seu recente retorno como atriz, em séries como The Newsroom e Grace and Frankie. 

“Houve uma época em minha vida, quando fiz 60 anos, em que me sentia como se fosse parte de uma série programada”, diz ela. “Mas, ao terminar de escrever minhas memórias, em 2006, percebi que tinham sido manifestações diferentes, embora seguindo uma linha contínua. Descobri que sempre havia sido corajosa e curiosa e que não gostava de contemporizar.”

“Essa descoberta foi o verdadeiro motivo do fim de meu casamento com Ted. É algo como ‘mereço respeito e mereço ser amada’, e se alguém não gostar, eu sinto muito”, explica a atriz. 

(É preciso dizer que Ted e Jane ainda são “muito, muito próximos”, como ela diz. As cenas do documentário em que os dois aparecem juntos estão entre as mais ternas e cativantes da produção.)

Five Acts, no entanto, deixa algumas perguntas sem resposta, especialmente no que se refere ao trabalho de Jane como atriz.

Ela se lembra de ter atingido novas dimensões com A Noite dos Desesperados. Mas a técnica por trás de sua grandeza – o que o diretor de fotografia de Klute, Gordon Willis, descreveu como a habilidade de Jane de simplesmente pensar e mostrar isso no rosto – passou largamente despercebida. 

“É engraçado”, diz ela. “Posso falar com facilidade sobre uma porção de coisas, mas acho difícil falar sobre a arte de representar. É uma espécie de mistério. De certo modo, sinto-me como se só agora estivesse começando a entender isso. Talvez seja preciso encarar com muito mais seriedade do que encarei. Não é engraçado? Entretanto, agora, quando tenho um novo papel, trabalho com um preparador.” 

Jane acabou de ler as “fantásticas” memórias da atriz Sally Field. “Para Sally, representar significa muito mais do que para mim. Ela fala sobre ter se sentido destroçada e sobre como o trabalho de atriz a curou. Isso nunca aconteceu comigo. Atuar nunca me curou de nada. O ativismo sim, mas a atuação, não”. 

Como ativista, Jane continua, digamos, ativa. Ela e Lily Tomlin acabam de levantar US$ 200 mil em São Francisco para a One Fair Wage, uma organização de defesa de empregados de restaurante. Jane contribuiu para as campanhas dos democratas Beto O’Rourke e Andrew Gillum, mas vai passar as eleições de meio de mandato lutando pelo direito ao trabalho e pelo direito de voto, e não trabalhando por candidatos. 

Ela também está promovendo a conexão entre jovens membros dos movimentos #MeToo e Time’s Up e organizadoras veteranas de movimentos sociais como Karen Nussbaum e Saru Jayaraman.

Está ainda trabalhando numa sequência de sua comédia de 1980 Como Eliminar seu Chefe, que trata de temas como assédio e igualdade de salários em linguagem de cultura pop. Hoje, diz Jane, “há essas novidades de trabalhadores terceirizados e empregados sendo espionados. Se alguém tem seu salário reduzido, ou se uma mulher é demitida por estar grávida, vai reclamar com quem? Eles nem mesmo foram contratados por seus chefes. Mulheres frequentemente têm de ter mais de um emprego e não têm plano de saúde. Se você for mãe solteira, tiver dois empregos e seu filho sofrer de uma doença preexistente, o que você vai fazer? Essas mulheres são heroínas, merecem ser coroadas”.

Jane ainda sofre as consequências da indignação que causou nos Estados Unidos ao visitar Hanói em 1972 para criticar o prosseguimento da guerra e ser filmada rindo e batendo palmas sobre um canhão antiaéreo norte-vietnamita. Ela já se desculpou inúmeras vezes pelo episódio e faz isso de novo no documentário. Vendo por outras lentes, Jane estabeleceu os parâmetros de se desculpar em público décadas antes de isso se tornar um ritual na mídia social.

De fato, ela pede desculpas várias vezes ao longo de Five Acts – não apenas a veteranos do Vietnã, mas para sua mãe e sua filha Vanessa, que se sentia abandonadas quando Jane embarcava numa nova aventura artística ou política. 

“Se não assumir seus erros, você nunca vai crescer, nunca vai aprender”, diz ela. “Assumir responsabilidades e saber perdoar, inclusive a você mesma, são duas coisas críticas para se envelhecer bem.” / Tradução de Roberto Muniz

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Jane Fonda fala sobre suicídio de sua mãe: 'Quando criança, você sempre pensa que é culpa sua'

A atriz perdeu a mãe quando tinha apenas 12 anos de idade

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 16h59

Em entrevista à People, Jane Fonda falou sobre como lidou com o suicídio de sua mãe, Frances Ford Seymour, quando tinha apenas 12 anos.

"Se você tem um pai que não é capaz de aparecer, isso tem um grande impacto no seu senso de identidade", falou Jane, que está promovendo seu novo documentário na HBO, o Jane Fonda in Five Acts. Frances tinha problemas psiquiátricos e ficou internada muitas vezes. Ela se suicidou quando estava em uma dessas instituições psiquiatras, aos 42 anos.

"Quando criança, você sempre pensa que é culpa sua, porque a criança não pode culpar o adulto porque ela depende dele para sobreviver. Leva muito tempo para superar esse sentimento de culpa", continuou.

Em 2005, Jane começou a escrever seu livro de memórias, que se chama My Life So Far, que é dedicado a sua mãe. "Quando eu escrevi, eu dediquei à minha mãe porque eu sabia que, se eu fizesse isso, eu seria forçada a realmente tentar entendê-la", contou.

 

* Precisa de ajuda, de apoio ou quer desabafar? Procure o Centro de Valorização da Vida (CVV). O serviço oferece apoio online no site, pelo telefone 188, via Skype (acesso pelo site), ou e-mail (mensagem enviada também pelo site), a qualquer hora do dia. Em todos os canais, o atendimento é feito por voluntários treinados e a conversa é anônima, com sigilo completo sobre tudo que for dito.

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