Jamie Lee Curtis volta a fazer sucesso em ‘Halloween’, sequência do original de 1978

Jamie Lee Curtis volta a fazer sucesso em ‘Halloween’, sequência do original de 1978

Em cartaz nos cinemas, é um dos filmes de terror mais vistos atualmente

Bruce Fretts, New York Times

31 Outubro 2018 | 06h01

Jamie Lee Curtis tem muitos motivos para estar grata este ano. Ela completa 60 anos no Dia de Ação de Graças (22 de novembro) e atualmente comemora o imenso sucesso de Halloween. A nova sequência do original de 1978 de John Carpenter rendeu US$ 76,2 milhões em seu primeiro fim de semana - a maior bilheteria de abertura para um filme de terror com uma protagonista feminina e para qualquer filme estrelado por uma mulher com mais de 55 anos. Curtis interpreta Laurie Strode, a babá aterrorizada que se transformou em avó vingativa que novamente luta contra o assassino mascarado Michael Myers. Como ela apontou, o sucesso do novo filme (dirigido por David Gordon Green) recebeu 187 mil citações de elogio no Twitter.

“Isso não era para ser um incentivo de ego”, disse Curtis. Foi um momento de grande orgulho para todos nós. Deixe-me ser a representante de gerações de mulheres que estiveram no ramo do cinema e não conseguiram reconhecimento. Deixe-me ser aquela que se levanta e diz: “Podemos fazer, fizemos e faremos de novo”. Ela falou por telefone da Austrália, onde participou da estreia do filme em Sydney. 

Como foi a recepção por aí?

Viajei o mundo como embaixadora para este filme. Onde quer que eu tenha ido, a reação é a mesma. O filme funciona em um nível maravilhoso. A experiência que as pessoas têm vendo o filme de David Gordon Green, de John Carpenter (que dirigiu o original e compôs sua assombrosa trilha sonora), contada em uma época na qual as mulheres retomam a narrativa de suas vidas dos seus algozes tanto representa a vida imitando a arte e a arte imitando a vida. E é emocionante ser a garota do poderoso traje vermelho no meio de tudo isso.

Você teve alguma dúvida sobre interpretar Laurie novamente?

Não. Eu ouvi pela primeira vez sobre este roteiro em junho de 2017 e disse que sim imediatamente depois de lê-lo. Eu entendi o que (os roteiristas) David, Danny McBride e Jeff Fradley estavam tentando fazer. Eles estavam tentando falar sobre um trauma de geração no meio de um filme de terror.

Isso foi antes do movimento #MeToo explodir.

Sim, foi antes de as mulheres de todo o mundo começarem a levantar as mãos e terem a imensa coragem de apontar seu agressor e defender suas experiências, apesar do ataque de pessoas que tentam negar sua verdade. O poder que veio de todas aquelas bravas mulheres, de todas aquelas jovens ginastas, e todas as acusadoras de Bill Cosby, começaram a afetar todos nós enquanto estávamos fazendo o filme, porque aquilo acontecia ao mesmo tempo. Lá estávamos fazendo um filme sobre o mesmo tema que estava sendo executado em grande escala.

Como se tornar mãe e avó afetou Laurie?

Ser pai ou mãe é a experiência mais transformadora que um ser humano pode ter. Laurie era uma pessoa devastada quando concebeu sua filha. Ela fez o melhor que pôde para tentar criá-la e protegê-la, mas não conseguiu permitir que ela tivesse uma infância inocente, porque Laurie estava traumatizada. Eu nunca experimentei algo assim, e eu criei duas pessoas bonitas, inteligentes e de mente aberta. Mas eu não vou mentir ou disfarçar e dizer que não tive traumas e que coisas horríveis e inesperadas ocorrem porque é o que acontece na vida para todos (Curtis recentemente disse à revista ‘People’ sobre seu vício por 10 anos de opiáceos a partir do final dos anos 1980). Esse é o sentimento comum que acontece em um cinema.

Quanto de um fator vem do atual ambiente político?

Alguém com um gabarito muito maior do que eu jamais teria pode olhar para trás e fazer uma análise dos períodos da história em que os filmes de terror tiveram seu auge. É quando as coisas ficam fora de controle sociologicamente, culturalmente e politicamente; e a maneira como você lida com isso é entrar em um teatro escuro e compartilhar algo aterrorizante com um grupo de estranhos. Este nível de estresse pós-traumático não é exclusivo de Laurie Strode. É universal para todas as mulheres vivas porque as mulheres são oprimidas desde o começo dos tempos. Mais do que isso, as pessoas sentiram a força da violência sexual, criminal, política, emocional e ambiental. Ver uma mulher que conhecemos há 40 anos retomar o poder, de certa forma todos nós podemos nos identificar com a mesma garotinha pela qual sofremos há 40 anos. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Veja o trailer do filme:

 

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