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James Spader reina na série ‘The Blacklist’

Ator fala ao 'Estado' de sua vida, sua carreira e dos rumos desta 6ª temporada, que estreia em março

Entrevista com

James Spader

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

07 de fevereiro de 2019 | 05h00

LOS ANGELES - No papel de Raymond Reddington, o criminoso com agenda própria que se une ao FBI para caçar criminosos em The Blacklist, James Spader pode exercitar vários lados: ser frio e impiedoso, amedrontando quem está em volta, e também terno e sensível, além de dono de um senso de humor peculiar. “Se era para eu fazer 22 episódios por ano de uma série de canal aberto que ia durar um tempo, isso era exatamente o que estava procurando, algo fluido em termos de tom e de linhas narrativas”, disse Spader, que completa 59 anos nesta quinta, 7, ao Estado, por telefone.

Mas uma reviravolta no fim da temporada passada, a quinta, fez com que Reddington, Red para os íntimos, enfrentasse novos desafios. Pelo papel, o ator foi indicado para dois Globos de Ouro. “Para continuar interessante, uma série tem de surpreender o público”, garantiu Spader. “Os relacionamentos dentro da história precisam sempre evoluir e mudar, ter altos e baixos. Os personagens não podem ficar acomodados. É preciso conflito e excitação.” 

Como quem viu a quinta temporada sabe (atenção para os spoilers!), Red não é o pai da agente do FBI Elizabeth Keen (Megan Boone), mas um homem se fazendo passar por ele. O conteúdo da famosa sacola de viagem foi revelado: eram os ossos do verdadeiro Raymond Reddington. A revelação, é claro, pode mudar a relação de Red e Elizabeth na sexta temporada, que já está no ar nos EUA e chega ao canal AXN no Brasil em 21 de março. 

“No fim, por mais conflituoso que seja esse relacionamento, Elizabeth formou uma conexão com esse homem. Esse relacionamento e o interesse pelos personagens é que, na verdade, são as coisas importantes, mais do que o enigma sobre a identidade de Red.” Mas, na entrevista a seguir, o ator adiantou que todas as pontas deixadas em anos de mistérios vão ser respondidas ou não ao fim da série.

Na entrevista por telefone com a participação de outros jornalistas, Spader mostrou-se tão calmo – e enigmático, mas certamente bem menos assustador – quanto seu personagem, dando longas respostas e verificando se todos conseguiram fazer suas perguntas, além de apontar o fato de que as mulheres eram maioria entre os repórteres presentes. 

A seguir, os melhores trechos da entrevista com James Spader, o astro de The Blacklist.

O que admira em Reddington?

Não sei se é bem admiração ou apenas um sentimento de constante surpresa e satisfação de interpretar certos aspectos dele. Sempre fico surpreso como ele pode ter compaixão e ser sensível. Ele tem um grande amor e apreço pelo mundo. Porque Red nunca se esquece de quanto a vida é preciosa. Então ele sente amor, afeição e tem senso de humor, mas também é implacável e às vezes aterrorizante. 

Como fica o relacionamento de Raymond ‘Red’ Reddington com Elizabeth depois dos acontecimentos da quinta temporada?

Como sabemos, Elizabeth faz uma descoberta surpreendente sobre Reddington no fim da última temporada. A relação entre os dois fica cheia de questionamentos, confusão e conflito. Mas posso dizer que no começo da sexta temporada as coisas mudam de novo, graças a ações tomadas por Elizabeth e sua meia-irmã Jennifer. E tudo fica terrível para Elizabeth e Red. É algo muito interessante que eu tinha esperança desde a 1.ª temporada de que um dia acontecesse. Na minha opinião, o que está se passando com os personagens agora é mais interessante do que seu relacionamento no passado. Porque, queira ou não, Elizabeth tem uma relação com esse homem, não importa quem ele seja. Acho que é isso no fim que segura o espectador, mais do que o mistério sobre a identidade de Reddington.

Quais são os pontos altos desta temporada?

Fiquei muito empolgado com o final da temporada passada e agora, tendo filmado metade da sexta, porque me fez ter certeza de trabalhar numa série que tem sucesso em ser capaz de constantemente mudar sua forma e surpreender os espectadores e a nós mesmos. Sempre variando de tom, indo do emocionante ao intenso e aterrorizante e empolgante. Fazer isso ao longo de tanto tempo é difícil. Nesta sexta temporada, tudo está diferente. Jogamos o que veio antes fora. O ambiente que Reddington enfrenta agora é totalmente diferente. Me lembro de ler o primeiro roteiro do piloto e pensar que essa série podia se transformar e tomar vários rumos. E foi isso o que aconteceu. 

Seu personagem está sempre dois passos adiante dos outros. 

Bem, estava falando sobre isso com um dos nossos diretores esses dias. Ele sempre parece estar dois passos adiante, mas isso para mim é um engano. Porque muitas vezes ele só está um passo adiante ou talvez um milímetro adiante. E às vezes ele está atrás. Mas ainda assim os outros correm o mais rápido que conseguem porque nem têm essa noção de que ele pode estar um pouco atrás, sempre presumem que Red está adiante. E ele está bem à vontade nessa posição, não precisa estar sempre adiante. Ele tem autoconfiança de que vai se sair bem em qualquer situação. Eu acho que Red não teme sua própria mortalidade, então não opera na chave do medo. E isso é muito libertador. Porque na nossa vida moderna é muito difícil não ser afetado pelo medo ou desviado de seu caminho por conta do medo. O medo é uma arma usada por muita gente hoje para conseguir o que quer.

A série tem muitos mistérios e questões que ficaram sem resposta – por exemplo, o que Red sussurrou para Kirk. Os fãs podem ter confiança de que todas serão respondidas? 

Há uma intenção dos roteiristas, dos criadores e minha de trazer o público conosco nessa jornada e mantê-lo conosco até o fim. E ao final, o espectador vai poder voltar ao primeiro episódio e assistir a tudo de novo e ver que tudo fazia sentido desde o princípio. 

Tudo chega ao fim um dia. Se a decisão estivesse nas suas mãos, deixaria a série acabar com Red ainda sendo um mistério ou mostraria quem ele realmente é?

Acho que dá para ser as duas coisas. Criamos um personagem que você pode conhecer e não conhecer ao mesmo tempo. Ele é alguém com quem você pode até se sentir à vontade, mas sem perder de vista que também dá medo. Red pode mudar rapidamente e algo pode acontecer.

Se você pudesse viajar no tempo e dar um conselho a si mesmo no início de sua carreira, qual ele seria? 

Economize dinheiro! Não estou dizendo isso para fazer graça. Realmente estou falando de verdade. Um ator mais velho com quem trabalhei quando jovem me disse isso: economize seu dinheiro. Eu ri e claro que gastei todo o salário. Mas para o ator economizar dinheiro permite que você faça os trabalhos que quiser e escolha os papéis pelas melhores razões. Isso ajuda muito na carreira, para não ter de tomar decisões com base no dinheiro. 

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