James Garner morre aos 86 anos

Conhecido pelas séries de televisão 'Maverick' e 'The Rockford Files', ator faleceu por causas naturais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2014 | 18h34

Por volta de 1960, a TV ainda engatinhava. Como veículo, não tinha muito prestígio, ao contrário de hoje, quando os críticos chegam a dizer que a criatividade de Hollywood migrou para a telinha. Naquele tempo, faziam sucesso as séries de westerns e as aventuras exóticas, de Tarzan aos lanceiros de Bengala. Os enlatados – telefilmes – viravam a nova produção B de Hollywood. Os astros não eram de cinema, mas alguns deles conseguiram migrar para a tela grande.

James Garner encantou gerações de espectadores na TV e no cinema com seu charme viril e sorriso franco. E tudo começou em 1957, quando já tinha 29 anos e interpretou um certo Brett Maverick numa série de western sobre jogador que saltava de cidade em cidade no Velho Oeste, plantando confusões e procurando aventuras. Maverick – também o nome da série – seria o almofadinha do western, se o título não fosse disputado por outro herói seu contemporâneo, em outra série, o Bat Masterson de Gene Barry.

Daquele tempo também era Rawhide, com Clint Eastwood, que chegou a aparecer como convidado em episódios de Maverick – isso antes de ir para a Itália estrelar os spaghetti westerns operísticos de Sergio Leone. James Garner morreu no sábado, 19, à noite em sua casa em Brentwood, a polícia de Los Angeles informou no domingo de manhã. Morreu de causas naturais, aos 86 anos. Estava sozinho. Desde que sofreu um derrame que deixou sequelas, logo após completar 80 anos – em 2008 –, ele se tornara recluso.

Nascido James Scott Bumgarner em Norman, Oklahoma, em 1928, entrou para a Marinha Mercante, logo após a 2.ª Guerra. Alistou-se no Exército e lutou na Guerra da Coreia, tendo sido ferido duas vezes. Desmobilizado, seguiu o conselho de um amigo que dizia que ele devia fazer comerciais de TV. O físico atlético ajudou e James Garner ganhou o papel de Maverick, na série que foi ao ar entre 1957 e 61. O sucesso prosseguiu no cinema com Fugindo do Inferno, de John Sturges, também com Steve McQueen, de 1963. Desde Infâmia, de William Wyler, de 1961, também com Audrey Hepburn e Shirley MacLaine, já vinha fazendo protagonistas. 

Foi um piloto de automobilismo em Gran Prix, de John Franbkenheimer, e voltou ao Velho Oeste em Duelo em Diablo Canyon, de Ralph Nelson, e A Hora da Pistola, de novo com John Sturges. Com Julie Andrews, fez a comédia Não Podes Comprar Meu Amor, de Arthur Hiller. E, com ela, de novo – outra comédia – Victor ou Vitória? O papel não poderia ser mais irônico com a figura de machão que ele projetava – fazia um gângster ambiguamente atraído por um garoto que era ela (Julie) vestida de homem. Durante boa parte da projeção, Garner duvidava da própria virilidade, como se Edwards estivesse pegando garota em Quanto Mais Quente, Melhor, de Billy Wilder, com sua frase antológica – ‘Ninguém é perfeito’.

Em 1994, fez o papel de um delegado na versão para cinema de Maverick, com Mel Gibson e Jodie Foster. Seis anos mais tarde, foi um dos velhos caubóis do espaço de Clint Eastwood. Já consagrado no cinema, James Garner voltou à televisão nos anos 1970 e ganhou o Emmy, equivalente do Oscar, como o detetive Jim Rockford da série Arquivo Confidencial. James Garner concorreu ao prêmio da Academia em 1985 por O Romance de Murphy, de Martin Ritt. Depois de seus grandes filmes políticos nos anos 1960 e 70 – Hombre, Ver-Te-Ei no Inferno, A Grande Esperança Branca e Lágrimas de Esperança –, o diretor fez esse pequeno filme que, na época, chegou a ser chamado de reacionário, pelo retrato afetivo que Ritt fazia da América interiorana e profunda. Muitas vezes, James Garner foi só uma presença carismática e simpática. Como Murphy, algo se passava na tela. Ele era genial como o velho turrão com quem se envolvia a divorciada Sally Field.

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