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Jake Gyllenhaal fala sobre seus dois novos filmes, apresentados em Toronto

Um deles é "Os Suspeitos', que será lançado no País no dia 18 de outubro

Elaine Guerini - Especial para o Estado / Toronto, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2013 | 00h12

Jake Gyllenhaal nunca precisou bater à porta de agentes, produtores e diretores para conseguir emprego em Hollywood. Filho do cineasta Stephen Gyllenhaal e da produtora e roteirista Naomi Foner, ele fez os contatos que precisava em casa – frequentada na sua infância e adolescência por atores que trabalharam com o seu pai, como Dennis Hopper, Debra Winger, Jeremy Irons e Jessica Lange, e por seus padrinhos de batismo, os atores Paul Newman e Jamie Lee Curtis.

“Por ter nascido com um pé em Hollywood, talvez eu tenha uma visão mais realista do que é ser ator. Não fui motivado pelo status ou pelo dinheiro que a profissão me garantiria. O que importa é pertencer a uma comunidade que instiga a imaginação do público contando histórias”, diz o ator de 32 anos.

Se estivesse atrás de cachês polpudos, Gyllenhaal continuaria encabeçando superproduções como O Dia Depois de Amanhã (2004) ou Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010). Nos últimos anos, no entanto, suas escolhas revelaram uma predileção por filmes de baixo orçamento, onde pouco importam os atributos físicos do moreno de olhos azuis e porte atlético. “Conforme você ganha experiência na indústria do entretenimento, aprende que dá para jogar do seu jeito, buscando personagens menos óbvios”, conta Gyllenhaal, um dos convidados da 38.ª edição do Festival de Toronto, que termina hoje, com dois filmes na mostra Special Presentations.

Em Os Suspeitos, que a Paris Filmes lança no Brasil em 18 de outubro, ele vive um detetive dividido entre encontrar duas meninas desaparecidas e impedir que o pai de uma delas (interpretado por Hugh Jackman) cometa um crime contra o homem que ele julga ser o responsável. Em The Enemy, uma adaptação de um livro do escritor português José Saramago, O Homem Duplicado, Gyllenhaal encarna um professor que teme perder a identidade ao descobrir que tem um sósia, um ator de filmes. Os dois longas são dirigidos pelo canadense Denis Villeneuve, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por Incêndios, em 2011. “Denis cria sempre uma energia palpável nos seus sets. Com o tempo, aprendi que isso é o mais importante, mesmo que o filme tenha algumas imperfeições.”

Embora sua filmografia alterne blockbusters com títulos do cinema de arte (entre eles, O Segredo de Brokeback Mountain), atualmente você parece mais inclinado a rodar produções menores, com temas mais obscuros, não?

Estou cada vez mais interessado no tipo de colaboração e intimidade que o cinema feito com pouco dinheiro oferece. Curiosamente são esses filmes que me dão mais medo de fazer. Na indústria do entretenimento, há muita proteção por parte dos atores, que não querem se arriscar. Eu também já fui assim. Com o tempo, porém, você percebe que não vale a pena se proteger. As pessoas que mais admiro, sejam atores ou não, são as que se lançam na vida desarmadas. Só assim você interage verdadeiramente com o resto do mundo.

Numa indústria onde o valor do ator, principalmente os da sua geração, é calculado de acordo com a bilheteria de seus filmes, é difícil não se deixar levar pelo lado business?

Se você deixar, tudo gira em torno do dinheiro. Depende de como você encara a profissão. Mas é preciso considerar que, mesmo um dos cheques mais baixos pago a um ator de cinema, é muito dinheiro. Como cresci nesse negócio, vi muitos sucessos e muitos fracassos de perto, aprendendo que o que fica é a experiência. E as melhores que tive até hoje não foram nos filmes mais palatáveis. Os temas mais perturbadores são os que nos levam a um maior entendimento sobre a vida. Por mais que Hollywood remie a indústria com o Oscar, valorizando ao longo os anos muitos tores chamarizes de lheteria, não é rônico como eles são obrigados a buscar etre os filmes menores muitos dos concorrentes à estatueta? Talvez "Os Suspeitos" figure nas indicações de 2014. Para o prêmio, o tamanho não importa tanto quanto a intenção do filme. Não há nada de errado em fazer um filme de grande orçamento, no qual muitas pessoas investiram o seu dinheiro. Elas merecem ter o dinheiro de volta e, de preferência, conquistando algum lucro. A vantagem do cinema mais independente é que a sua intenção é totalmente devotada à história. Ao tratar do absurdo da vingança, Os Suspeitos é brutalmente honesto.

Qual foi o impacto da indicação ao Oscar de coadjuvante que você recebeu tão jovem (pelo papel do caubói homossexual de Brokeback Mountain)?

Até hoje acho surreal ver o meu nome numa frase com a palavra Oscar. Na época, como só tinha 25 anos, mal pude processar o que aquilo realmente significava. Mesmo sem ter conquistado o prêmio, é inefável ser considerado um membro da Academia, ao lado de tantas lendas do cinema.

Como o seu padrinho Paul Newman?

Sim. Sobretudo Paul. Foi ele quem me deu a minha primeira lição atrás do volante de um carro. Nunca vou esquecê-lo.

Se sua família não fosse do cinema, acha que sua trajetória seria a mesma?

Claro que o fato de eu nunca ter precisado sair por aí pedindo emprego ajudou (Gyllenhaal estreou nas telas aos 11 anos, vivendo o filho de Billy Crystal em ‘Amigos, Sempre Amigos’). Mas a experiência e o contato de meus pais nunca funcionaram como o mapa da mina para mim. Na verdade, não existe nenhuma trilha capaz de garantir o sucesso. Cada um precisa fazer a sua.

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