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Jacques Audiard dirige Marion Cotillard em ‘Ferrugem e Osso’, seu novo drama

Marion Cotillard, vencedora do Oscar com 'Piaf', vive instrutora de baleias que acaba amputada

Luiz Carlos Merten,

08 de agosto de 2013 | 20h40

Em Cannes, 2012, o diretor Jacques Audiard disse que precisou de tecnologia de ponta – efeitos – para fazer Ferrugem e Osso. Ele chegou a afirmar que seria indecente filmar as intensas cenas de sexo de Ferrugem e Osso com uma mulher que não tivesse as duas pernas, como a personagem de Marion Cotillard. Ela é instrutora num show com baleias, mas é atacada e fica sem as pernas. Sua trajetória cruza-se com a do lutador de boxe Ali, interpretado por Mathias Schoenaerts. O cara é um bruto que foi para Antibes para ficar próximo à irmã depois de ganhar a guarda do filho de 5 anos. Ali consegue olhar Stephanie sem piedade. Fazem sexo alucinadamente, como qualquer casal que se descobre. Mas se o sexo é fácil, é duro – para ambos – admitir os sentimentos.

Na Berlinale, em fevereiro deste ano, foi a vez da própria Marion Cotillard. Ela se encontrava com o repórter para falar do filme dirigido por seu marido, o ator Guillaume Canet – Blood Ties. Houve tempo e espaço para falar de sua carreira – Piaf, naturalmente, que lhe deu projeção (e o Oscar), e também De rouille et d’os. “Nunca pensei que pudesse fazer parte da ‘família’ Audiard. Sempre achei que o universo dele era muito masculino e que não haveria um lugar para mim. Mas, como todo mundo, fui seduzida pelo universo forte de O Profeta. Encantou-me o que ele fez com Tahar Rahim. Pensava que seria um privilégio compartilhar desse universo. E aí veio o convite para Ferrugem e Osso. Na hora, disse sim.”

Ela disse sim, mas ficou pensando que talvez fosse difícil criar essa personagem que não é amputada só no físico, mas na alma. “O físico é sempre mais fácil de representar, por mais que certos sacrifícios nos sejam exigidos. Por exemplo, andava encurvada para ficar menor na tela quando fiz Edith Piaf para Olivier Dahan. Ele moldou em mim uma Edith que não sabia que poderia fazer, mas, sempre maior que o desafio físico, era encarar o desafio de uma mulher que amou e sofreu demais. Pode parecer masoquismo, mas eu gosto dessas mulheres sofredoras. Vou fundo para representá-las com honestidade. Enfrento meus medos, desafio meus limites. E depois gosto de voltar para a minha vida. É quando me sinto mais pacificada comigo mesma, depois de sofrer tanto na tela. Tudo fica relativizado, acredite.”

E Marion acrescentou qual seu grande medo – “Eu, uma instrutora de orcas? Numa espécie de Marineland? Sinceramente, tinha medo de não estar à altura, mas Jacques (Audiard) me tranquilizava. Uma vez que me escolheu, ele estava seguro do que eu conseguiria realizar. E acho que consegui, não?” Filho do diretor e roteirista Michel Audiard – uma das grifes que François Truffaut fustigava ao atacar o chamado ‘cinema de qualidade’ que se praticava na França nos anos 1950 –, Jacques é uma figura meio na contramão. Faz um cinema pessoal, mas trabalhando com códigos de gêneros e sistemas narrativos. É um diretor que adora as grandes histórias, de personagens que enfrentam – e superam – a adversidade – o presidiário de O Profeta; a amputada e o pugilista de Ferrugem e Osso. É um belo – bom – filme.

FERRUGEM E OSSO

Título original: De rouille et d’os

Direção: Jacques Audiard

Gênero: Drama (França/2012, 120 min.).

Classificação: 14 anos.

 

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