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Jack Nicholson, o sorriso feroz de Hollywood

Biografia mostra como o ator transformou seus personagens em ícones do cinema e foi o intérprete mais nomeado ao Oscar

Magdalena Tsanis, EFE

28 de novembro de 2016 | 16h41

MADRI - De símbolo da contracultura a um dos vilões mais famosos do cinema (seu Coringa em Batman) a vida de Jack Nicholson é narrada agora em uma biografia que acaba de ser publicada.

Nicholson foi um aspirante a se tornar o novo Marlon Brando, colecionador de arte, bon vivant e mulherengo, mas sobretudo um ator excepcional que transformou seus personagens em ícones do cinema e foi o intérprete mais nomeado ao Oscar, com 12 indicações.

A biografia escrita por Marc Elliott, autor de livros sobre outras celebridades como Clint Eastwood e Cary Grant, se detém em alguns dos aspectos mais mórbidos da vida de Nicholson, como suas inúmeras companheiras, entre as quais destaca sua relação inconstante e atormentada ao longo de 16 anos com Anjelica Houston.

Também descreve suas experiências com drogas, quando em sua casa dava festas em que não faltavam LSD, cocaína e maconha. E lembra o episódio no qual se envolveu quando uma menor acusou Roman Polanski de ter abusado dela na residência do ator.

Mas um dos episódios mais confusos da sua história foi descobrir, já ator consagrado, aos 37 anos, que aquela que acreditava ser sua mãe, Ethel May, era na verdade sua avó, e sua mãe verdadeira era sua suposta irmã mais velha June, ao passo que seu pai era um artista de variedades chamado Don Rose.

Nascido em Nova Jersey em 1937, de uma família operária, Nicholson foi para Los Angeles nos anos 50. Ali se juntou aos novos rebeldes, aspirantes a atores que queriam imitar Marlon Brando e James Dean, alimentando seus sonhos com o “cool jazz” e lendo Jack Kerouac, pioneiro da chamada “Geração Beat”.

Seu primeiro trabalho no setor foi como empregado de escritório no departamento de animação da Metro Goldwyn Mayer, que conciliava com suas primeiras aulas de interpretação.

Nicholson estreou na Broadway em 1953, num papel em que tinha somente duas frases, na peça Chá e Simpatia, graças ao qual conheceu Roger Corman, produtor e mecenas do grupo de mudou Hollywood nos anos 70 - de James Cameron a Scorsese - e foi pioneiro do cinema independente de baixo orçamento. 

Com Corman, Nicholson fez seu primeiro filme, The Cry Baby Killer, definido como uma espécie de “Juventude Transviada” à base de anfetaminas, quando também desenvolveu sua faceta menos conhecida, de roteirista.

O sucesso chegou com Easy Rider de 1968, filme de motoqueiros de Dennis Hopper e Peter Fonda com o qual soube se conectar com a geração de Woodstock e que lançou Nicholson realmente, com sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

Foi nessa época que comprou sua casa em Mulholland Drive, vizinha do seu admirado Marlon Branco, e começou sua coleção de arte que inclui obras de Picasso, Matisse e Warhol.

O detetive Gittes, de Chinatown, o rebelde colocado em um manicômio de Estranho no Ninho, o andarilho de O destino bate à sua porta, o aterrorizado escritor de O Iluminado, constituem uma parte da sua galeria de personagens inesquecíveis.

Quando parecia que tinha chegado ao máximo em termos de personagens perturbadores, ele se reinventou, mostrando seu lado cômico, uma comicidade ao estilo Nicholson, em filmes como Laços de Ternura, Melhor Impossível e As Confissões de Schmidt.

Tão famosos como os papéis que o levaram ao ápice foram muitos que ele recusou: nada mais nada menos do que o de Michael Corleone em O Poderoso Chefão, o de Henry Gondorff em Golpe de Mestre, que coube a Paul Newman ou o do Grande Gatsby, que ficou com Robert Redford.

Com o Coringa, além de criar seu melhor vilão, Nicholson entrou no universo pop e encerrou o círculo da sua paixão de infância.

Segundo conta seu biógrafo, quando criança, a mãe de Nicholson mandou-o comprar pão e leite, mas o pequeno gastou o dinheiro comprando revistas de histórias em quadrinhos preferidas, entre elas a de Batman. Chegando em casa a mãe lhe deu uma surra e tirou dele as revistas./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

 

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