Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Jack Huston e Rodrigo Santoro comentam a nova versão de 'Ben-Hur'

Atores falam sobre o desafio de reinventar um clássico dos cinemas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 20h27

Momento de emoção na coletiva de Ben-Hur, no Unique, o hotel que parece um navio da Av. Brig. Luís Antônio. Presentes o astro brasileiro Rodrigo Santoro, que faz Jesus, e o inglês Jack Huston, que interpreta o papel-título, de Judá Ben-Hur. Rodrigo está lembrando um momento forte do filme, a crucificação. “Na noite anterior, havia nevado. Fazia um frio intenso, e eu com aquele figurino que vocês sabem, pregado na cruz e dizendo aquelas frases que, simplesmente, são indagações transcendentes.” Rodrigo faz uma pausa – 30 segundos que parecem uma eternidade. “Ator ou não, ninguém passa impune pela experiência de ser pregado numa cruz.”

Rodrigo e Jack estão iniciando pelo Brasil a série de viagens internacionais para divulgar o longa que Timur Bekmambetov, de Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros, adaptou do romance do General Lew Wallace. Depois de São Paulo, vão a Miami e à Cidade do México. Rodrigo reflete que Jesus é o típico personagem ‘bigger than life’. “Meu primeiro contato com Timur (o diretor) foi via skype e eu queria saber por que me havia escolhido. Ele disse que foram vários motivos e que a decisão envolveu outras pessoas da produção. Fiquei meio que em choque. No passado, já me haviam proposto A Paixão de Cristo (a versão de Mel Gibson), mas tinha outros compromissos. Num primeiro momento duvidei, mas no dia seguinte, depois de uma noite de sono, me baixou uma paz e me dei conta que era um personagem que queria fazer. Tinha uma avó católica e outra espírita e a espiritualidade sempre fez parte da minha vida. Criei-me ouvindo histórias do Menino Jesus. Mergulhei fundo, porque, independentemente da religião, é uma figura icônica.”

A cena da crucificação é emblemática. Rodrigo na cruz e, aos seus pés, Ben-Hur. Um representava para o outro. “Esse cara (Jack)”, Rodrigo conta, “invadiu um dia meu trailer na produção para discutir como poderíamos fazer uma cena. Seu entusiasmo me contagiou. Ambos tínhamos dúvidas, que levamos à nossa produtora de elenco e ela disse que não havia uma forma de interpretar esses personagens. Só o que ela podia aconselhar é que os encontrássemos dentro de nós e o fizéssemos da melhor maneira possível.” O filme não é o remake do clássico de William Wyler, que recebeu 11 Oscars em 1959, incluindo filme e direção. É mais um ‘reboot’, uma reinvenção, contando a história de outro jeito – espere a estreia, dia 18, para saber – e com um final mais próximo ao do livro, portanto, diverso da versão de Wyler.

“O Ben-Hur de Wyler faz parte da minha vida. Sou de uma família ligada ao cinema, sempre vi muitos filmes, e aquele sempre foi parte de nossa experiência. Quando soube que haveria uma nova versão, e que poderia estar nela, fiquei excitado, mas também intimidado. Charlton Heston criou o Ben-Hur maior que a vida. Como eu poderia encarar o desafio? O roteiro me deu a chave – o meu Judá é um menino que, ao longo do filme, vira homem. E ele não amadurece ao ter sua vingança, vencendo a corrida de bigas, mas ao descobrir, de acordo com a mensagem do Cristo, a importância do perdão. Vivemos num mundo dilacerado por guerras religiosas e fratricidas. Essa importância do perdão termina sendo uma atitude política e até revolucionária”, reflete Jack.

Ninguém é crucificado, mesmo ficcionalmente, e passa impune pela experiência. Ninguém carrega esse sobrenome – Huston – também de forma impune. Jack é neto do lendário diretor John Huston e sobrinho da também mítica atriz e diretora Anjelica Huston. A filiação aos Huston vem do pai, Walter. A mãe é uma aristocrata inglesa, Lady Margot Lavinia Cholmondeley Anthony, e foi em Londres, em dezembro de 1982, que nasceu Jack Huston Alexander. Antes mesmo de ter consciência da origem familiar, já queria ser ator. Participar de um projeto grande como Ben-Hur excedeu sua expectativa. A pergunta que não quer calar – como foi a cena da corrida de bigas? “Foi longa. Filmamos durante seis semanas, sete dias por semana. Muitos momentos foram assustadores, ou vocês acham que é fácil conduzir uma biga puxada por quatro cavalos num espaço em que existem outros sete carros, num total de 32 cavalos? Não me esqueço do primeiro dia. Timur (o diretor Bekmambetov) me disse que a parte do cavaleiro estava bem, mas que eu não podia me esquecer de representar. E o desafio prosseguiu por mais 41 dias. Foi muito intenso.”

 

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