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'Crime Sem Saída' mostra Chadwick Boseman como policial em caçada a assassino

Filme de Brian Kirk traz dois protagonistas negros e conta ainda com Stephan James e Sienna Miller no elenco

Mariane Morisawa, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2019 | 07h00

LOS ANGELES - Num circuito dominado pelas produções gigantescas baseadas em quadrinhos e filmes de baixíssimo orçamento, Crime Sem Saída, em cartaz no Brasil, é aquele raro longa no meio do caminho. Para o diretor Brian Kirk, era a chance de fazer uma obra como Hollywood quase não faz mais. “Era um filme como aqueles que me fizeram querer ser cineasta”, disse Kirk em entrevista exclusiva ao Estado, em Los Angeles, referindo-se aos clássicos dos anos 1970 dirigidos por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Alan J. Pakula e William Friedkin. 

Crime Sem Saída, que tem roteiro original de Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan e produção de Joe e Anthony Russo (Vingadores: Ultimato), pode ter se inspirado nos longas daquela geração de cineastas, mas é definitivamente uma obra do século 21. “Dois dos protagonistas são negros, e uma é mulher”, lembrou Kirk. “Se fosse um filme dos anos 1970, seriam três homens brancos de meia-idade. E acho que, sem tratar como uma bandeira, isso abriu um espaço interessante para contar a história.” 

No thriller policial, Chadwick Boseman, vindo do sucesso de Pantera Negra, é Andre, um detetive que manda fechar Manhattan para prender dois criminosos que assassinaram policiais depois de roubar uma quantidade grande de cocaína. Sua parceira na investigação e na perseguição é Frankie Burns (Sienna Miller), do departamento de narcóticos. Os dois estão atrás de Ray (Taylor Kitsch), um veterano de guerra que se tornou ladrão, e Michael (Stephan James). 

No roteiro, Andre sempre foi negro. Mas Michael, não. “Chadwick se envolveu muito na escolha do ator com quem ia contracenar, porque queria alguém que estivesse de igual para igual. Era importante para ele que fosse também um ator negro. Para mim, Stephan James era perfeito porque é um ator incrível prestes a se tornar um astro”, afirmou Kirk. Stephan James atuou em Se a Rua Beale Falasse, de Barry Jenkins, e contracenou com Julia Roberts na primeira temporada de Homecoming. “O filme não é político, mas o fato de colocar dois atores negros frente a frente adiciona uma camada que fiquei feliz de facilitar, sabendo que não tinha autoridade para exigir.”

Na história, apesar de estarem em lados opostos da lei, os dois homens acabam encontrando pontos em comum. “Aquele que sai para matar o outro acaba querendo salvá-lo”, contou Kirk. “O filme quer que ambos sobrevivam. Foi essa descoberta da humanidade em comum que me fez querer dirigir essa trama.” O destino de cada um dos personagens é determinado muito pela sorte e pelas circunstâncias familiares - Andre sabe que por pouco estaria do outro lado.

Crime Sem Saída é o segundo longa de Brian Kirk, que dirigiu muitos episódios de séries, incluindo três de Game of Thrones. “A diferença não é tão grande porque Thrones tinha um orçamento dez vezes maior do que meu filme anterior”, contou Kirk. “Aprendi lá a gerar espetáculo e não ter medo da escala.” Mesmo que tente focar no jogo de gato e rato e no paralelo entre Andre e Michael, o longa não abre mão das cenas de perseguição em alta velocidade e vários tiroteios barulhentos. A polícia nova-iorquina foi consultada sobre seus métodos e comportamento. “É tudo bem autêntico”, acrescentou Kirk. Pelo menos quase tudo: o Departamento de Polícia de Nova York não fecharia todos os acessos a Manhattan para prender dois criminosos. A premissa saiu mesmo da cabeça dos roteiristas. 

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