<i>Uma Noite no Museu</i> relega talentos e exagera no ruído

O livro infantil de Milan Trenc sobre um guarda noturno do Museu de História Natural de Nova York que descobre que os animais expostos têm o costume de fazer um "Jumanji" quando não há visitantes à vista transformou-se num filme barulhento estrelado por Ben Stiller. Uma Noite no Museu tem uma premissa simpática, mas que recebeu um péssimo tratamento por parte do diretor Shawn Levy (dos remakes A Pantera Cor-de-Rosa e Doze é Demais) e dos roteiristas Robert Ben Garant e Thomas Lennon. O resultado é uma produção terrivelmente monótona. Enquanto Stiller corre de um lado para o outro para tentar fazer alguma piada, o resto do elenco, que inclui astros como Robin Williams, Ricky Gervais, Dick Van Dyke e Mickey Rooney, tem o talento subutilizado e fica subalterno em relação aos excessivos efeitos visuais. Briga por carinho filial O ritmo problemático já pode ser sentido desde o começo, quando Larry Daley (Stiller), um inventor fracassado e pai divorciado, concorre com a mulher (Kim Raver) e o noivo dela, um financista bem-sucedido (Paul Rudd) pelo carinho do filho, Nick (Jake Cherry). Ele busca a ajuda de uma consultora em empregos (interpretada pela mãe de Stiller, Anne Meara) e aceita o posto de segurança noturno do museu. A julgar pelo comportamento estranho do trio veterano de guardas diurnos (Van Dyke, Rooney e Bill Cobbs), sua primeira noite no trabalho não será muito tranqüila. O primeiro indício de que algo vai mal é quando o gigantesco tiranossauro rex desaparece e de repente reaparece, querendo brincar. Logo os corredores de mármore estarão cheios de hunos assassinos, macacos travesso e animais selvagens fora de controle. Com a ajuda de Teddy Roosevelt (um Robin Williams contido), Larry não apenas consegue restaurar a ordem como recupera o relacionamento com o filho. Esse tipo de filme pareceria natural para o produtor do filme, Chris Columbus, que já dirigiu capítulos de Esqueceram de Mim e Harry Potter, demonstrando conforto tanto com a comédia rasgada quanto com os efeitos especiais. Mas o diretor Levy não consegue encontrar um tom uniforme que reúna as piadas, os efeitos visuais e os momentos obrigatórios de emoção. No lugar do ritmo correto sobra um vazio barulhento que confunde caos com energia cômica.

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