<i>Turma da Mônica</i>, o melhor filme de Mauricio de Sousa

Não é exagero afirmar que Turma daMônica - Uma Viagem no Tempo, que estréia neste fim de semana,é o melhor filme de Mauricio de Sousa. Ou indo mais longe ainda,pode-se dizer que este é o primeiro filme do quadrinista. Mas,após décadas de sucesso, dez longas-metragens produzidos, 700mil DVDs e VHS vendidos, o que mudou? "Tudo", diz um satisfeitoMauricio de Sousa. A explicação pode estar na parceria com aDiler & Associados, que já produziu mais de 14 longas, e com aLabo Cine, o mais bem-equipado laboratório de cinema da AméricaLatina, e com a Miravista, a produtora de cinema da Buena Vista,que distribui o filme no Brasil. O que essas parcerias fazem pela produção de Mauricio deSousa? Para o desenhista, que completa 70 anos em 2007, tudo."Somado, tudo transformou a história em cinema de verdade. Osjovens com quem trabalhamos cresceram lendo a Turma da Mônica.Eles sabiam tudo sobre os personagens, além de terem colaboradopara deixá-los atualizados. Sem contar a direção de arte, oroteiro, os efeitos visuais. Desta vez, está tudo diferente." Equando tudo começou a mudar? "Quando fiz o ´Cine Gibi´."Não era cinemaExplicando: Mauricio não gostou de Cine Gibi - Turma da Mônica de 2004. "Não gostei do ritmo, não era cinema. Praticamente sãoquadrinhos animados. Claro que há público para isso. Tanto queno fim do ano lançaremos outro "Cine Gibi", mas agora são doisprodutos diferentes e este vai direto para DVD", adianta ocriador dos personagens que estão presentes em 35 jornais edetém 70% do mercado editorial infantil do Brasil. A tecnologia e o roteiro bem-tratado foram decisivospara fazer de Uma Viagem no Tempo o mais ousado produto paracinema que a Mauricio de Sousa Produções já realizou. Comorçamento de cerca de R$ 6 milhões, a equipe de criação do filmepassou cerca de dez meses trabalhando em etapas que vão desde ostoryboard, animação, a construção dos cenários em 3D, após-produção, a dublagem e a trilha sonora, entre outrosAspectos. "Trabalhamos muito o roteiro antes de iniciar aprodução. Tudo está conectado. Não se trata mais de quadrinhosfilmados, mas de uma história coesa. Sem contar que o processodigital de produção e animação e criação de cenários dá uma caranova, atual, com qualidade muito superior aos outros filmes",explica o desenhista, que desta vez também não abriu mão datrilha sonora bem integrada à ação das travessuras da turminha. O que mantém a singela turminha tão atrativa para opúblico do mundo todo (os gibis da Turma da Mônica sãotraduzidos até para o chinês) em tempos em que as crianças têmcada vez mais acesso a desenhos violentos, recheados de recursosultratecnólogicos e com temas por vezes tão regionais como osdas história de Chico Bento? Mauricio aposta na renovação e, aomesmo tempo, na tradição. "O novo vem com os jovens talentos quepassam a trabalhar conosco. Os rapazes da Labo Cine e até osdubladores. Quando iniciamos o processo de dublagem, achamos queestava tudo muito estanque, sem dinamismo. Chamamos osdubladores e demos liberdade para que recheassem o filme decacos, de expressões que atualizam e dão frescor aos diálogos.Funcionou. E a tradição mantém a turminha falando como criançaquando os personagens são crianças, como adultos quando sãoadultos, sem fazer discurso, sem apelação também." Ele tem razão. Desta vez, tudo está diferente, mascontinua igual. A turminha viaja no tempo para buscar os quatroelementos que foram parar em diferentes eras da história depoisque Cebolinha, Cascão, Magali e Mônica aprontam uma belaconfusão no laboratório de Franjinha, que está criando umamáquina do tempo através da união do fogo, da água, da terra edo ar. Cada um segue para um tempo diferente. Cebolinha vai parao espaço buscar o ar. Cascão vai para o Brasil colônia, para umaaldeia indígena cuja floresta secou por conta de um bandeiranteambicioso que usa a água para drenar os rios e desenvolver oGarimpo. Mônica e MagaliMônica vai para pré-história buscar o fogo. E Magaliacaba voltando a alguns anos atrás, quando todos ainda erambebês e a Moniquinha, antes de ganhar o Sansão, quer mesmo ébrincar com o elemento terra. Tudo está mais dinâmico e atual,mas o Cebolinha ainda continua com seus planos mirabolantes,Cascão continua fugindo da água, Mônica continua turrona edentuça e Magali come como sempre. Novos personagens, como a sensual, mas não vulgar,Cabeleira Negra, também ganham a tela. Sem contar a participaçãodos nem tão novos assim, mas ainda desconhecidos de quem não émais criança, Dorinha e Luca. Ela é uma garotinha descolada eesperta, como qualquer outra, com a diferença de que é cega. Eleé um garotinho que adora esporte, principalmente basquete, e selocomove em uma cadeira de rodas superequipada. Sem fazerdiscurso, o filme toca em temas como a inclusão social e atémesmo a ecologia. "Você pensa que só porque eles são portadoresde deficiência física as crianças gostam menos? Que nada! NoParque da Mônica (no Shopping Eldorado), a Dorinha e o Luca sãodois dos personagens para quem as crianças mais fazem perguntas,que vão desde se a Dorinha, já que não enxerga, é capaz desonhar", orgulha-se o desenhista, que pretende levar a CabeleiraNegra para os quadrinhos. "Ela foi criada para o filme, mas vaiacabar ganhando histórias dela. Ela seduziu o coração doAstronauta, que tem uma história melancólica, de um romance quenão deu certo. Merece mais uma chance." Em tempo de Pokemons e afins, é a animação nacional quemerece sempre mais uma chance. Turma da Mônica - Uma Aventura no Tempo (Br/2007, 80 min.) -Animação. Direção Mauricio de Sousa. Livre. Cotação: Ótimo

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