GUY FERRANDIS/SBS PROD./SONY PICTURES CLASSICS
GUY FERRANDIS/SBS PROD./SONY PICTURES CLASSICS

Isabelle Huppert se destaca em 'Frankie', interpretando uma atriz

Filme de Ira Sachs conta com um elenco de ponta, incluindo Marisa Tomei e Brendan Gleeson

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 08h00

Frankie, de Ira Sachs, é um filme magnetizado pela persona artística de Isabelle Huppert. Ela faz a atriz francesa Françoise Crémont, Frankie para os íntimos. Adoentada, reúne vários conhecidos em Sintra, Portugal, para o que seria uma espécie de cerimônia do adeus. 

Esse tipo de reunião em torno de uma “partida próxima” tem rendido bons filmes ao cinema. Basta lembrar de As Invasões Bárbaras, do canadense Denys Arcand. A doença, a morte iminente de um deles, motiva o grupo, e cada integrante em particular, a uma reflexão sobre o caminho percorrido e o sentido do que virá a seguir. O desaparecimento é um marco simbólico que apela por um balanço de vida. 

É o que acontece em Frankie, em cartaz nos cinemas, nos encontros e conversas entre os personagens, beneficiados pelo intimismo da paisagem do balneário. É um filme acima de tudo de diálogos. Estes se dão quando as pessoas, muitas vezes em duplas, vão passear e trocam ideias. Falam de Frankie, que, afinal, é a anfitriã e motivo do encontro, mas também de si mesmos e de seus relacionamentos com os outros. 

 


A estratégia minimalista se garante pela qualidade do elenco: Marisa Tomei (Ilene), Jérémie Renier (Paul Gagne), Pascal Gregory (Michel Gagne) e Brendan Gleeson (Jimmy), entre outros. Cada qual tem seu momento privilegiado. Mas a vocação do filme é coral, estruturado num conjunto de vozes que se enlaçam, sem que uma se sobreponha à outra. Como na música, trabalham em conjunto a favor da harmonia, mas também das dissonâncias, que não deixam de aparecer no tecido da trama. Já Huppert é fora de série e se destaca, mesmo sem querer. Conta, também, o ambiente ensolarado e aprazível, com destaque para a bela fotografia do craque português Rui Poças (de obras como Tabu, Zama e As Boas Maneiras). 

Enfim, o elenco de peso, a qualidade do roteiro, da fotografia, o bucólico da paisagem convergem numa dessas obras de dolorosa elegância, pois nunca se esconde ou se esquece o motivo pelo qual toda essa gente está reunida. A mise-en-scène é cuidada, mas muitos críticos a consideraram rebuscada demais quando o filme foi apresentado no Festival de Cannes do ano passado. 

Não é bem assim, no entanto. Tanto zelo não visa a esfriar a obra, mas, pelo contrário, tratar de um tema complicado porém sem qualquer apelo emocional mais forçado. Essa obra prepara, com serenidade, os momentos de desfecho que, vale dizer, se dão mais no plano da imagem que das palavras. É um filme lindo, triste, e bastante honesto em sua proposta. 

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