Irreverência e muita ação em "Hora do Recreio"

Hora do Recreio é, na verdade, a melhor estréia destes dias. Um desenho animado do tipo de um South Park, talvez até com menos deformações caricaturais dos personagens. Mas aquele colorido chapado, os olhos e cabeças grandes e o espírito irreverente comungam com os do seriado da TV.É uma história simples, bem contada, que as crianças vão adorar por algumas razões e adultos por outras. Tem muita correria, as crianças são invariavelmente mais espertas que os adultos no filme e a ação nunca deixa o espectador na mão. Para os adultos há um flashback hilário na trama, que remete aos anos 70. Então, tudo vira psicodélico, flower power, por aí.A tradução é surpreendentemente bem feita, incorpora expressões e gírias do tempo do "bokomoko" e do "prafrentex". E a trilha sonora dá uma mãozinha e incorpora até mesmo o hino hippie Let the Sunshine In. E um dos personagens parece tirado de Easy Rider e outro fica a cara do George Harrison no período Sargeant Pepper´s. Mas é tudo feito com graça, de modo que as imagens e o humor não ficam herméticos para as crianças.Na história, o começo é o último dia de aulas. As crianças mal se contêm, fazendo a contagem regressiva para as férias. Uma turminha brava faz coisas como provocar uma chuva de picolés sobre o pátio da escola. A hora da saída é uma das cenas principais: é impossível não participar da explosão de alegria e libertação que o filme mostra.Criada essa premissa, vem o inverso. O protagonista, um garoto líder das travessuras, tem um problema: todo mundo vai para acampamentos de férias e ele fica sozinho no bairro. Porém, descobre que a escola está sendo invadida por um exército de sujeitos estranhos e pelas janelas fica saindo um clarão verde. Ele tenta buscar ajuda, mas pais e policiais não querem acreditar nele. O que sobra? Chantagear a irmã e ir buscar a turminha. Um ex-diretor da escola, que tem como idéia fixa acabar com o recreio e as férias de verão, inventou uma engenhoca que acabará com o verão, mudando a órbita lunar. O confronto tem como palco a escola e é inenarrável. Só vendo para acreditar.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2001 | 17h37

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