Ian Langsdon/Efe
Ian Langsdon/Efe

Irmãos Dardenne reforçam olhar de Cannes sobre infância interrompida

'O Garoto de Bicicleta', da dupla de diretores belgas, foi exibido no festival neste domingo

Javier Alonso - Efe,

15 de maio de 2011 | 15h23

CANNES - O novo filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, O Garoto de Bicicleta, confirmou neste domingo, 15, no Festival de Cannes, que o olhar sobre a infância interrompida chegou como um assunto dominante na edição deste ano.

Os belgas, que já ganharam duas vezes a Palma de Ouro, concorrem de novo com um filme grave, mas com esperança, ao contrário de outros filmes dos cineastas.

"Estávamos menos angustiados que de costume", confessou Luc à imprensa sobre o desenvolvimento do filme que permite admirar a última descoberta dos diretores: o jovem Thomas Doret (que interpreta Cyril), uma revelação com possibilidades de prêmio.

Com O Garoto de Bicicleta fica clara a linha temática aberta pelo festival, a abordagem da homossexualidade, do abuso de menores e da falta de comunicação entre pais e filhos, ilustrada por filmes como Michael, Polisse e We Need To Talk About Kevin.

Cyril, de 12 anos que vive em um lar para menores, em busca de seu pai (Guy), passa os fins-de-semana com a cabeleireira Samantha que lhe oferece abrigo e carinho.

Os Dardenne apresentam um filme com vários elementos dos contos - há floresta, há um lobo mau, o garoto se veste de vermelho como a Chapeuzinho Vermelho - mas a paisagem passa longe dos de Grimm ou de Andersen: a Bélgica pura e dura (não tão dura como em filmes anteriores, claro), com suas luzes e sombras.

O Garoto de Bicicleta entra na competição ao mesmo tempo que um luminoso filme de cinema dentro do cinema, "The Artist", a incomum viagem de um filme francês a Hollywood, cheio de referências cinematográficas.

O filme dirigido por Michel Hazanavicius é mudo e em preto e branco, o que talvez limite suas possibilidades de mercado, mas possivelmente conquiste os acadêmicos nos Estados Unidos ao tratar-se de uma homenagem aos Anos Dourados do cinema.

Ambientado nos anos 1920, na transição do cinema mudo para o falado, The Artist conta a história de George, uma estrela que perde popularidade quanto o som chega aos filmes, dando espaço para Peppy Miller.

"O cinema mudo é um cinema muito emocional, sensorial", segundo o diretor, cujo filme em princípio seria exibido em Cannes fora da competição.

The Artist exibe uma certeira ambientação para o deleite dos amantes da sétima arte, na qual poderá conferir um precedente em Cantando sob a chuva, um cachorro-ator, e encerra com um número de dança que os protagonistas repetiram 17 vezes para mostrar passos impecáveis que lembram os de Gene Kelly.

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