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Irmãos Coen abrem Festival de Berlim em edição repleta de latino-americanos

Lista de indicados ao prêmio, mais curta do que o habitual, é marcada por novos talentos

Gemma Casadevall, EFE

09 de fevereiro de 2011 | 11h58

Os irmãos Joel e Ethan Coen abrirão nesta quinta-feira a 61ª edição do Festival de Berlim com seu western Bravura Indômita, que inaugurará um festival carregado de boas doses de 3D e cinema latino-americano, em alternância com o desfile de famosos sobre o tapete vermelho.

Jeff Bridges, em busca de seu próprio Oscar com o mesmo mítico personagem que deu a estatueta a John Wayne em 1969, dará início às exibições dos cerca de 400 filmes programados para o Festival de Berlim, incluindo 16 aspirantes aos Ursos, como os filmes dos argentinos Rodrigo Moreno e Paula Markovitch.

A lista de indicados ao prêmio, mais curta do que o habitual - normalmente há entre 18 a 22 filmes -, está marcada por novos talentos procedentes de todo o planeta, tanto dos Estados Unidos e Europa como do Irã, Israel e Ásia, junto à América Latina.

O diretor do Festival de Berlim, Dieter Kosslick, promete novidades, como um "domingo inteiro sem tirar os óculos 3D" com a projeção de três filmes: Contos da Noite, de Michel Ocelot; Pina, de Wim Wenders, sobre a dançarina Pina Bausch, e Cave of Forgotten Dreams, de Werner Herzog, estes dois últimos fora de competição.

O destaque que Kosslick dará ao 3D não ofuscará - assegura o diretor - o relevo que o Festival de Berlim proporciona às estrelas de carne e osso, entre elas Colin Firth, Liam Neeson, Kevin Spacey, Ralph Fiennes e Carmen Maura, assim como à presença extraoficial de Madonna, que irá a Berlim para promover seu último filme como diretora, W.E. fora da competição.

Neeson também não concorrerá ao prêmio com o thriller Unknown do espanhol estabelecido em Hollywood Jaume Collet-Serra, enquanto O Discurso do Rei, de Firth, será exibido no Festival de Berlim Special.

Maura também estará em Berlim com um filme fora de concurso, Les femmes du 6ème étage, de Philippe Le Guay, e na qual divide o elenco com Natalia Verbeke e Lola Donas.

Entre Firth e a equipe dos Coen haverá uma forte presença de "oscarizáveis" na capital alemã, enquanto o júri presidido pela atriz e diretora italiana Isabella Rossellini deverá repartir os Ursos entre os indicados.

A estreante Paula Markovitch se apresenta com um filme que parece predestinado a muito, tanto por seu título, O Prêmio, quanto pela predileção confessa de Kosslick pelo cinema dirigido por mulheres e a clara aposta desta edição do Festival de Berlim na América Latina.

Trata-se de uma produção filmada no México - onde vive a diretora -, que mostra, através de uma menina de 7 anos, os estragos da ditadura argentina.

Completa a contribuição do cinema latino Un mundo misterioso, de Rodrigo Moreno, que ganhou em 2006 o prêmio Alfred Bauer com O Guardião.

Seus rivais em competição vão de Joshua Marston - Urso de prata em 2004 à atriz Catalina Sandino-Moreno por "Maria Cheia de Graça" -, Miranda July e Ralph Fiennes - ambos, no duplo papel de diretores e atores - e o iraniano Asghar Farhadi.

Marston se apresenta com The Forgiveness of Blood, Fiennes, com Coriolanus e Miranda, com The Future.

O filme que proporcionará a maior presença de estrelas à competição - Kevin Spacey, Jeremy Irons e Demi Moore - será Margin Call, do estreante JC Chandor, que trata do mundo das quebras de Wall Street em 2008.

O cinema anfitrião competirá com Schlafkrankheit (Doença do Sono), de Ulrich Köhler, e Wer wenn nicht wir (Se não nós, quem?), de Andres Veiel, enquanto os demais candidatos vêm da Hungria, Rússia, Turquia e Coreia.

O Festival falará muito do Irã, anunciou Kosslick, não só através da participação de Farhadi, mas também da solidariedade ao diretor iraniano Jafar Panahi, oficialmente membro do júri, mas que não estará em Berlim por cumprir pena em seu país por conspiração.

O desdobramento latino-americano não se limitará à competição, mas se estende a todo o festival, com cerca de 20 títulos repartidos entre as mostras Panorama, Fórum e Geração, e produções procedentes de quase todo o continente: Brasil - com Tropa de Elite 2 -, Chile, Peru, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Uruguai e México.

E, finalmente, no capítulo homenagens, o Urso de Ouro de Honra será dado ao ator alemão Armin Müller-Stahl e se haverá uma retrospectiva do diretor sueco Ingmar Bergman, com a presença de algumas de suas musas, como Liv Ullmann.

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