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' 'Irmã Dulce' desafiou convenções', diz atriz Regina Braga

Atriz interpreta a religiosa em seus últimos dias

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 19h09

Regina Braga se reveza com Bianca Comparatto no papel da protagonista de Irmã Dulce, que está sendo rodado na Bahia. Bianca faz a jovem religiosa até os 45 anos. Regina a interpreta dos 45 anos 70 e poucos. Irmã Dulce era pequenininha e no fim da vida, com apenas 30% da capacidade pulmonar, mal conseguia respirar. Era encurvada. Como se interpreta uma personagem assim? "Ainda estou aprendendo. É um aprendizado físico e emocional diário. Fiz pouco cinema, e até isso estou aprendendo. Vicente Amorim, o diretor, está sendo ótimo conosco. Estou muito feliz de poder contar essa história. O Brasil, mais do que nunca, precisa do exemplo de Irmã Dulce e seu partido da pobreza, como ela dizia."

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Como você se preparou para fazer Irmã Dulce?

Não vamos colocar no passado, porque é uma preparação diária. Fiz pouco cinema na minha vida. Sou atriz de TV. Acho que foi fundamental termos vindo para Salvador mais de um mês antes. Fizemos leituras, sentimos o ambiente, nos deixamos impregnar pela Irmã Dulce, porque ela continua muito viva nos lugares e relatos das pessoas. Pensava - como foi dar conta dessa mulher, tão pequena e tão grande? No primeiro dia de filmagem, entrei em pânico. Achei que não ia dar conta da personagem. Felizmente, temos um diretor como o Vicente (Amorim). Ele me tranqüiliza, sabe o que quer, comunica o que espera de mim. A preparação é uma coisa diária. Todo dia chego ao hotel exausta. É a preparação física, emocional. Sempre trabalhei muito com a emoção, mas nunca nessa intensidade. Só que, agora, com toda a pressão, estou adorando.

O fato de serem duas atrizes fazendo o papel complica?

Temos estado muito juntas no set, Bianca (Comparatto) e eu. Às vezes alguém me diz - a Bianca está trabalhando bem o nariz. Irmã Dulce tinha restrição pulmonar, respirava com dificuldade. E aí eu tenho de ver como ela (Bianca) está trabalhando. Em outras coisas, é ela quem me observa. Temos de servir, as duas, à mesma personagem, e não é uma qualquer.

Justamente, quem é essa mulher? O que você já descobriu sobre ela?

O que descobri não cessa de me encantar e me dá a certeza de que estamos fazendo um filme necessário para o Brasil atual. Irmã Dulce atravessou a ditadura, negociou com quem foi preciso. Criou um complexo hospitalar a partir de um galinheiro. Seu partido, ela dizia, era o da Pobreza. Garota, ela teve uma epifania. Sua mãe morrera e a tia a confrontou com a miséria. Aquilo foi uma revelação para a garota bem nascida, e sensível. A religiosidade e o apostolado, o sentido de missão, vieram daí. Irmã Dulce desafiou convenções ao sair pela noite, uma religiosa, para recolher e amparar os necessitados. Ela dizia uma coisa muito bonita. Eu sou a última parada dessas pessoas que ninguém quer. Não vou voltar as costas a tanta dignidade ferida.

O filme tem muitas externas. Qual é a disciplina?

É draconiana. Justamente por termos tantas externas, é preciso aproveitar a luz. Às 5 da manhã é dia claro, às 5 da tarde anoitece. É preciso acordar às 4h30, enfrentar o calor. À noite, estou morta, mas aproveito para fazer exercícios físicos que vão servir no dia seguinte. Nem me canso mais. A personagem me possui. É maior que eu.

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