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Irã prepara estreia mundial de polêmico e multimilionário filme sobre Maomé

Longa estreia dia 26 de agosto e tem direção de Majid Majid 

EFE, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 11h38

Após sete anos de trabalho e um longo debate teológico sobre o respeito à figura do profeta do islã, o Irã se prepara para a estreia mundial do filme Maomé, o Mensageiro de Deus, a maior e uma das mais polêmicas produções cinematográficas já feitas no mundo islâmico.

Os cinemas iranianos começarão a exibir no dia 26 de agosto o filme, dirigido pelo prestigiado cineasta Majid Majidi, após vários meses de atrasos e dúvidas sobre a legitimidade religiosa de representar imagens de Maomé, uma proibição estrita para a corrente ortodoxa muçulmana sunita, mas que é vista de maneira um pouco mais relaxada pelo ramo xiita do islã, majoritário no Irã.

Com o financiamento e o apoio declarado das autoridades iranianas, Maomé, o mensageiro de Deus não esconde seu desejo de exaltar a palavra do profeta.

No entanto, o fato de a figura de Maomé aparecer no filme, embora de modo difuso e sem nunca mostrar o rosto, serviu para que instituições religiosas como a prestigiada universidade islâmica de Al-Azhar, no Cairo, pedissem o cancelamento da produção.

"O filme é muito sensível sobre isto, já que existem 1,6 bilhão de muçulmanos no mundo. Desde o princípio nosso esforço foi para trabalhar, tanto no roteiro como na execução, para que não se veja o rosto do profeta, mesmo na infância. Vemos sua figura, mas não seu rosto", explicou Majidi em um encontro com a imprensa para anunciar a chegada do filme às salas comerciais.

De fato, Majidi consultou o roteiro, assim como a presença de Maomé, com várias autoridades religiosas tanto xiitas como sunitas, que, segundo os produtores, deram o sinal verde para sua exibição.

Tudo na produção está pensado para constituir um marco visual na história da cinematografia do mundo islâmico, e narra ao longo de 171 minutos a vida do profeta desde seu nascimento até sua entrada na adolescência na turbulenta cidade de Meca no final do século 6.

 

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Junto com Majidi, indicado ao Oscar em 1998 por Filhos do Paraíso, também participaram do filme cineastas internacionais, como o diretor de fotografia italiano Vittorio Storano, o editor Roberto Perpignani e o americano Scott E. Anderson, especialista em efeitos especiais.

Apesar da insistência de Majidi em assinalar que o importante do filme é "a visão que dá do profeta de mensageiro de paz e misericórdia", a multimilionária produção deu a este drama religioso um cenário espetacular que inclui batalhas com elefantes, tempestade de pedras e uma minuciosa reprodução da vida na Arábia na época.

Foram construídas no meio do deserto, a cerca de 70 quilômetros ao sul de Teerã, réplicas precisas das cidades sagradas de Meca e de Medina, que levaram dois anos para ficar prontas, e que incluem centenas de casas, estábulos, muralhas, banhos e poços.

Mohamad Reza Saberi, um dos produtores, declarou à Agência Efe que o set foi construído "para durar 25 anos", já com a ideia de rodar outros dois filmes sobre Maomé, ser usado por qualquer outra produção histórica que desejar e se transformar no futuro em um centro turístico.

O custo total deste projeto também foi motivo de polêmica, já que alguns meios de comunicação iranianos informaram que teria sido superior a US$ 500 milhões.

Essa informação foi desmentida categoricamente pelos produtores, que baixaram as cifras para US$ 37 milhões, substancialmente menor, mas que mesmo assim supera amplamente qualquer outra produção cinematográfica realizada no Irã e em qualquer outro país muçulmano.

 


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