Arnd Wiegmann/Reuters
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Irã condena cineasta Panahi a seis anos de prisão, diz sua advogada

Diretor é acusado de agir e fazer propaganda contra o regime; Panahi pode recorrer da sentença

REUTERS

20 de dezembro de 2010 | 17h18

Um tribunal iraniano sentenciou o aclamado diretor de cinema Jafar Panahi a seis anos de prisão e o proibiu de fazer filmes ou viajar ao exterior por 20 anos, disse sua advogada nesta segunda-feira, 20, segundo a agência de notícias Isna.

Ganhador de muitos prêmios internacionais e partidário do líder oposicionista Mirhossein Mousavi na contestada eleição presidencial do ano passado, Panahi foi preso no início de março.

Ele foi mantido em detenção por 88 dias, durante os quais iniciou uma greve de fome.

"Panahi foi sentenciado a seis anos de prisão por agir e fazer propaganda contra o sistema," disse a advogada do cineasta, Farideh Gheyrat, segundo a agência de notícias Isna.

"Além disso, foi proibido de fazer filmes, escrever qualquer tipo de roteiro, viajar ao exterior e falar com a mídia local ou estrangeira por 20 anos," acrescentou a advogada, segundo a Isna.

Gheyrat disse que o "veredicto pesado" lhe foi entregue no sábado e que ela tem 20 dias para recorrer contra a sentença.

De acordo com um comunicado divulgado na Itália em novembro, Panahi foi a julgamento, acusado de fazer um filme sem permissão e incitar protestos da oposição após a eleição de 2009, que levou a meses de turbulência política.

Na declaração que fez ao tribunal, transmitido à Reuters pelos organizadores do "Giornate degli Autori - Venice Days," um evento secundário do festival de cinema de Veneza, Panahi disse ser vítima de injustiça e descreveu como "piada" uma das acusações que lhe foram feitas.

Ele disse que tinha começado a fazer seu filme mais recente quando sua casa foi invadida pela polícia. Sua coleção de filmes foi tachada de "obscena" e confiscada.

Panahi foi impedido de assistir ao festival de cinema de Veneza mais recente, em setembro.

As autoridades iranianas regularmente acusam governos e mídia ocidentais de fazer propaganda política contra a República Islâmica.

Panahi recebeu o prêmio Câmera de Ouro de Cannes por seu filme de 1995 "O Balão Branco" e, cinco anos depois, ganhou o Leão de Ouro de Melhor Filme no festival de Veneza por "O Círculo."

O diretor norte-americano Steven Spielberg e a atriz francesa Juliette Binoche estão entre os luminares do cinema que já se manifestaram a favor dele.

Panahi foi preso inicialmente com sua mulher e filha, mas seus familiares foram soltos mais tarde e ele foi levado à notória prisão de Evin, em Teerã.

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