<i>O Último Rei da Escócia</i> conta histórias de insensatez

O Último Rei da Escócia, filme que estréia no Brasil nesta sexta-feira, traz um homem ingênuo que se vê envolvido em acontecimentos terríveis, de acordo com a revista Hollywood Reporter. O longa é protagonizado por Forest Whitaker, premiado no Globo de Ouro e indicado ao Oscar de melhor ator.O jovem médico escocês Nicholas Garrigan (James McAvoy) é mais que ingênuo - é insensato e totalmente ignorante em relação ao mundo em que optou por mergulhar.Quando se forma em Medicina, ele gira o globo que tem em seu quarto para decidir em que país vai procurar fazer fortuna. Seu dedo cai sobre Uganda. Por coincidência, ele chega ao país no dia exato de 1970 em que Idi Amin (Forest Whitaker) toma o poder.Enquanto muitos britânicos brancos compreendem imediatamente o perigo potencial que Amin representa para eles e para Uganda, a primeira reação do jovem Garrigan é envolver-se brevemente com uma ugandense negra que ele conhece quando divide um assento com ela num ônibus.Em outro momento de insensatez, Garrigan aceita o convite de Idi Amin para tornar-se seu médico particular. Isso o leva a mergulhar fundo no atoleiro de horror que Amin inflige a seu próprio povo.O diretor estreante Kevin McDonald e o diretor de fotografia Anthony Dod Mantle têm um olhar arguto para detalhes e movimentos.As primeiras cenas bombásticas, quando Garrigan chega a Uganda, são carregadas de cor, dança, música e acontecimentos em ritmo acelerado. Depois as cores vão se tornando mais sombrias, e as linhas e formas, mais regulares e ameaçadoras, enquanto a história avança.O filme acaba se convertendo num suspense. Será que Garrigan conseguirá escapar da insanidade de Idi Amin e de sua própria insensatez, antes de tornar-se vítima da sanha assassina do ditador?ConfusoO Último Rei da Escócia tem ritmo e humor; é ao mesmo tempo inteligente e visceral. Idi Amin se mostra simultaneamente absurdo e perigoso. Para derrotar seus amigos e colegas numa prova de natação, o ditador tresloucado parte antes de ser dado o sinal de largada.Mas há problemas na base do filme. MacDonald, partindo de um romance de Giles Foden, cai na mesma armadilha de muitos diretores brancos quando querem retratar outros povos.Para tentar transmitir o horror do regime de Idi Amin, o filme mostra as provações pelas quais passa um personagem branco. Em todo o país, os capangas de Amin estão massacrando seus inimigos (muitas vezes imaginários), em sua maioria negros - entre eles, os amigos e a amante de Garrigan. Mas o personagem cujo sofrimento mais importa para o filme é Garrigan. Isso cria um desequilíbrio na história.Podemos ver o filme se esforçando para resolver esse dilema, mas o resultado final é confuso. O lado de suspense da história assume a dianteira, enquanto as perguntas relevantes quanto à responsabilidade de Garrigan por sua própria ignorância acabam se perdendo.

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