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Investigação sobre assassinato de Pasolini é arquivada

O processo tentava demonstrar que cineasta italiano foi morto por um grupo

EFE

26 Maio 2015 | 11h26

A Justiça italiana aceitou a petição da Procuradoria e decreto o arquivamento da investigação sobre a morte do artista Pier Paolo Pasolini em 1975, de acordo com meios locais.

A juíza do Tribunal de Roma, Maria Agrimi, optou por arquivar o processo após ser impossível identificar o material genético achado na roupa do cineasta, uma das provas-chave da nova investigação.

O advogado dos familiares de Pasolini, Stefano Maccini, lamentou a decisão. "Não ocultamos certo amargor em relação aos motivos adotados pela juíza para arquivar o caso. Mais uma vez se perde a oportunidade de investigar o verdadeiro motivo desse homicídio, afirmou. Maccini declarou que pelo menos do marco do processo judicial emergiu uma novidade, que é a presença de "outras pessoas" na cena do crime. Assim garantem as análise clínicas encomendados em 2010 pela Procuradoria do país, que determinaram a presença de cinco perfis genéticos na roupa que o escritor vestia na noite de sua morte. Ainda assim, não foi possível determinar a quem pertence esse DNA. 

A nova investigação tentava demonstrar que Pasolini foi assassinado por várias pessoas e que, até a data, o único condenado foi Giuseppe "Pino" Pelosi, que na época se prostituía e, ainda que tenha se declarado culpado num primeiro momento, posteriormente retirou o que disse. Condenado a 9 anos e meio na prisão em 1979, mas liberado após quatro, Pelosi declarou em audiências precedentes que "Pasolini foi assassinado por três pessoas" e que "foi vítima de uma emboscada calculada nos detalhes". Esse plano foi executado, segundo Pelosi, para roubar o dinheiro que o artista oferecia em troca de uma das fitas roubadas do longa Saló ou Os 120 Dias de Sodoma (1975). Pelosi garantiu, na época, que na noite do crime, embaixo do tapete do carro de Pasolini, havia "três ou quatro milhões de liras que nunca foram encontradas".

O assassinato de Pasolini ocorreu em Ostia, no litoral romano, aonde foi com Pelosi na noite do dia dois de novembro de 1975 para manter relações sexuais com ele. Segundo a versão oficial dos fatos, ambos tiveram uma briga física que resultou na morte do intelectual. Uma versão amplamente discutida na Itália, já que são muitos os que consideram que Pelosi, então com 17 anos, não teria sido capaz de dar o golpe que acabou com a vida de Pasolini, também atropelado.

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