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Investidores atípicos financiaram a produção de boa parte dos indicados ao Oscar

Magnata do ramo de fertilizantes investiu US$ 2 milhões em 'Clube de Compras Dallas'

Steven Zeitchik, Los Angeles Times

02 de março de 2014 | 19h29

De férias em Los Angeles há alguns anos, Joe Newcomb, um empresário do Texas que fez milhões no negócio de fertilizantes, aceitou um convite de um amigo em comum para o almoço na casa de Sheen. O ator disse que estava procurando um patrocinador para um novo filme, Major League.

Embora o projeto não tenha saído do papel, as conversas colocaram Newcomb em contato com várias pessoas na indústria do cinema. Assim, quando a produção de Clube de Compras Dallas enfrentava dificuldades financeiras e estava à procura de financiamento a semanas da filmagem, Newcomb acabou sendo o herói da história ao lado de Joe Notargiacomo. Juntos, colocaram aproximadamente US$ 2 milhões para que a produção fosse feita.

"Entrar em uma nova indústria é muito difícil", disse Newcomb, o fundador e executivo-chefe de uma empresa chamada Truth Chemical. "Eu realmente não sabia que existia cinema independente, mas quando soube me excitei”. (O amigo que o apresentou a Sheen, aliás, era uma figura igualmente improvável: o jogador Adam Dunn, do Chicago White Sox).

Financiamento de fora não é nada novo em Hollywood, e os últimos anos viram o advento de produtores como Megan Ellison - a filha do magnata do Vale do Silício Lawrence Ellison e financiadora de Ela e Trapaça, indicados ao Oscar 2014 - que puseram milhões em projetos que os grandes estúdios evitam.

Os favoritos da temporada deste ano do Oscar são financiados por gente particularmente distinta. Eles incluem o enteado do primeiro-ministro da Malásia (O Lobo de Wall Street), um ex-jogador da NBA (O Mordomo da Casa Branca), um herdeiro de uma banco e dono de time de baseball (12 Anos de Escravidão) e dinheiro de fertilizantes de Newcomb em Clube de Compras Dallas. O maior investidor não-tradicional em um indicado ao Oscar é a Red Granite Pictures, uma empresa jovem, fundada pelo até então desconhecido Joey McFarland e Riza Aziz, cujo padrasto é o líder malaio Najib Razak. A Red Granite deu US$ 100 milhões de orçamento para Lobo, com a Paramount entrando apenas como um distribuidor no filme de Martin Scorsese. O longa teve problemas de financiamento até poucos anos atrás, quando McFarland e Aziz disseram colocariam dinheiro na produção

William Pohlad, o filho do falecido banqueiro Carl Pohlad, é o veterano do grupo. Inicialmente, Pohlad era o homem do dinheiro em filmes como O Segredo de Brokeback Mountain (2005). Mas nos últimos anos ele se tornou mais envolvido criativamente, inclusive em 2012 de melhor filme indicado de Terrence Malick A Árvore da Vida. Foi o relacionamento com Brad Pitt formado naquele filme que levou a Pohlad a colocar dinheiro em 12 Anos de Escravidão, do qual Pitt também é produtor.

Essas personalidades preenchem uma necessidade, dizem os cineastas. "O dinheiro de fora permite que esses filmes aconteçam, mesmo que o dinheiro seja realmente de fora", disse o diretor de O Mordomo da Casa Branca, Lee Daniels, na época do lançamento do filme. Durante a produção, Daniels teve que entrar nas rondas dos tipos endinheirados para garantir o dinheiro de gente de fora do cinema, entre eles o jogador da NBA Michael Finley e filantropo Earl Stafford. "Um drama que era visto como 'apenas para os negros' não poderia receber qualquer apoio de tradicionais financiadores independentes", disse Daniels .

Com muitos desses filmes indicados ao Oscar, os seus financiadores estão ansiosos para tomar o seu lugar no centro das atenções da temporada de prêmios. Aziz e McFarland foram indicados ao prêmio do sindicato dos produtores, mas a Academia só nomeou McFarland e deixou Aziz de fora.

Newcomb, por sua vez, tenta um convite para a cerimômia, embora ele seja candidato. Ele observou que alguns de seus amigos será voando de Aspen, no Colorado, para que eles possam se juntar a ele em um 'coquetel comemorativo'. "Nós vamos dedicar uma noite para isso", disse Newcomb, que também dirige campos petrolíferos e um escritório de arquitetura.

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