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'Intimidade entre Estranhos' e 'Aquaman' estão entre as estreias da semana

Confira os filmes que entram em cartaz

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 03h00

‘Aquaman’ investe em aventura mágica

Arthur Curry/Aquaman sempre se prestou ao bullying, entre os super-heróis. Um cara que fala com peixes tem tudo para ser ridículo – não no filme de James Wan, com produção executiva de Zack Snyder. Filho de um faroleiro e da rainha de Atlântida, Arthur é o único que pode fazer a ponte entre terra e mar, salvando o mundo da destruição. Em vez de um filme tradicional de super-herói, Wan investe na magia. Tece uma grande aventura e uma admirável fantasia, com as tragédias familiares que inspiram o casal Snyder e a própria experiência como diretor de ação (Velozes e Furiosos 7) e terror (Jogos Mortais).

Aquaman. (EUA/2018, 140 min.) Dir. James Wan. Com Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Nicole Kidman

Um amor provisório, por quem entende

José Alvarenga Jr., com uma dupla perfeita, Rafaela Mandelli e Gabriel Contente, acerta o tom no belo ‘Intimidade entre Estranhos’

Bom diretor, como mostrou há pouco na cinebiografia de Éder JofreDez Segundos para Vencer –, José Alvarenga Jr. supera-se no novo filme que estreia nesta quinta, 13. Intimidade entre Estranhos não é apenas o melhor filme do diretor – até agora. É também o mais pessoal, e até autobiográfico.

“Um filme que foi fundamental na minha vida foi O Verão de 42, de Robert Mulligan (lançado no Brasil como ‘Houve Uma Vez um Verão’). Fui muito marcado pelo erotismo e delicadeza daquela história. Depois, houve um episódio curioso. Ia na casa de um amigo e, no terreno ao lado, havia uma piscina. E dentro daquele retângulo de água, uma mulher linda. A gente se olhava. Intimidade entre Estranhos nasceu de todas essas experiências, e de outras mais. Já me relacionei com mulher mais velha, mais nova, tive mulher atriz. O filme é a soma dessas vivências.”

Uma mulher chega ao Rio acompanhando o marido ator, que participa de uma telenovela bíblica. Ela se sente solitária. Termina tendo um affair com garoto (complicado) do prédio. Rafaela Mandelli é quem faz o papel. “Estava num momento da minha vida em que precisava um papel assim. Sempre admirei o Alvarenga, quando soube que ele ia fazer o filme me escalei, mas me disseram que teria de fazer teste. Sem problema. Mas, depois que fiz o teste, me bateu um pânico. ‘E se eu não conseguir? Meu Deus! Preciso fazer esse filme.’ E, enquanto filmávamos, eu dizia pro Alvarenga. Ela (a personagem) tem camadas demais.”

Deu tudo certo e a química entre Rafaela e Gabriel Contente, o garoto, é admirável. Um filme sobre afetos, carências, sobre um amor provisório, com um desfecho – olha o spoiler! – que mexe com o espectador. Além de Dez Segundos para Vencer – e a par de sua vasta atividade na TV –, Alvarenga dirigiu também o sucesso O Divã, com Lília Cabral, que já era sobre a (in)satisfação de uma mulher. Pai de três filhos homens, fazendeiro e surfista, ele tenta dar conta de tudo na sua vida superatarefada. É prova de maturidade criadora que entenda tão bem a intimidade entre estranhos.

Intimidade Entre Estranhos (Brasil/2016, 112 min.) Dir. José Alvarenga Jr. Com Rafaela Mandelli, Milhem Cortaz, Gabriel Contente

 

‘Minas do Futebol’, o feminismo em jogo

O preconceito contra o futebol feminino vem de longe e só hoje, com o surgimento de estrelas mundiais como Marta, começa a ceder. Mesmo assim, boleiras como Marta são exceções. Em Minas do Futebol, o diretor Yugo Hattori debruça-se sobre jogadoras anônimas e integrantes das categorias de base. É bom lembrar que, além do preconceito, o futebol feminino sofre com a falta de competições oficiais. Não havendo um campeonato para disputar, um time de jogadoras pré-adolescentes resolve participar de um torneio para garotos. E prepararam uma surpresa para os meninos. 

Minas do Futebol. (Brasil/2017, 50 min.) Dir. Yugo Hattori. Com Aline Pellegrino, Cris Cavalcante 

Uma conversa entre mulheres inteligentes

As atrizes Judi Dench, Maggie Smith, Eileen Atkins e Joan Plowright são amigas de longa data. Profissionais com carreiras extensas e vitoriosas, costumam reunir-se de tempos em tempos para um chá – e muita conversa. Um desses encontros é registrado pelo diretor Roger Michell, de Um Lugar Chamado Notting Hill. Há a intromissão da câmera, que, em tese, tira a espontaneidade do encontro. Mas essas veteranas já estão tão acostumadas à câmera que podem até ignorá-la. O filme é apenas isso, registro de conversas que, partindo de mulheres inteligentes, vividas e bem-humoradas, nunca deixam de ser divertidas.

Chá com as Damas. (Reino Unido/2018, 84 min.) Dir. Roger Michell. Com Maggie Smith, Judi Dench, Eileen Atkins

Atriz polonesa para abrilhantar festejo

Na Sala Cinemateca, realiza-se até sábado a mostra que comemora os 100 anos de reconquista da independência da Polônia. O evento promovido em parceria com a Associação dos Cineastas Poloneses e o consulado da Polônia em SP traz obras de grandes diretores, e um exemplo é O Pianista, de Roman Polanski (foto), que passa hoje, às 16h30. Às 19h30, outro destaque, Volínia, de Wojciech Smarzowski, que narra outra história desenrolada durante a 2.ª Guerra, numa região que agora pertence à Ucrânia. Após o filme, haverá debate com a atriz Michalina Labacz, que veio prestigiar a mostra. Na sexta, 18h, a atração será Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski.

Mostra de Cinema Polonês. Cinemateca Brasileira. Lg. Sen. Raul Cardoso, 207, tel. 3512-6111. Grátis. Até 15/12. 

 

‘Colette’, caso de afirmação feminina no domínio literário

Desde que você aceite que uma das mais conhecidas escritoras francesas se expresse no mais puro inglês, verá um belo filme. Colette, com Keira Knightley no papel principal, é uma cinebiografia interessante, ainda que meio convencional. Mocinha do interior, Colette alimenta ambições literárias, mas é podada pela família que almeja só um bom partido para ela. 

Colette encontra no casamento uma via de escape do casulo familiar, mas não desconfiava que estava entrando numa relação abusiva. Willy (Dominic West) logo descobre o talento narrativo da esposa e a estimula a escrever livros em série – claro, todos assinados por ele, como convém à moral familiar da época. 

O filme fala desse caso famoso de apropriação de autoria. E conduz a trama de modo a expor o processo de emancipação da personagem. A princípio submissa, Colette começa a se rebelar com a situação, luta para se tornar independente e ver-se reconhecida como a verdadeira autora de suas obras de sucesso. 

Colette. (EUA, Reino Unido/2018, 111 min.) Dir. Wash Westmoreland. Com Keira Knightley, Dominic West, Eleanor Tomlinson 

 

Erro da polícia inspira grande filme gaúcho

Chega ao fim, na quarta, 19, a tradicional retrospectiva do Cinema Brasileiro no Cinesesc, com os lançamentos do ano. Nesta quinta você ainda poderá assistir O Caso do Homem Errado, documentário da cineasta gaúcha Camila de Moraes que reconstitui o assassinato de operário negro pela polícia em 1980.

19ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro – ‘O Caso do Homem Errado’ Cinesesc. R. Augusta, 2.075; 3087-0500. 13 a 21/12. Vários horários

 

Obra de Klotzel está em revisão no MIS

Homenageado da 2.ª edição do Cinema Paulista Já!, André Klotzel tem a sua obra revisitada no IMS até amanhã, 14. Você ainda pode ver hoje o curta Brevíssima História das Gentes de Santos, como complemento de Memórias Póstumas. E, amanhã, Reflexões de um Liquidificador (foto).

Mostra de André Klotzel MIS. Av. Europa, 158, 2117-4777. Mostra de filmes de 11 a 14/12. Exposição de cartazes do cineasta de 11 a 23/12. Grátis 

 

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