Internet provoca silenciosa revolução cultural

Uma revolução silenciosa processa-se na indústria cultural e, em poucos anos, o cardápio de ofertas será totalmente variado em relação ao atual. O avanço tecnológico vai criar, além de uma nova sociedade baseada na disseminação rápida e ampla da informação, consumidores exigentes das mais variadas idades."Estamos na fronteira do mundo novo", acredita Marcos Galassi, diretor-executivo da LabOne, a primeira empresa da América Latina especializada em desenvolver tecnologia para gerenciamento, publicação e administração de conteúdo digital multimídia."Até agora, a produção cultural é restrita aos meios tradicionais, como televisão, cinema e outros; no próximo século com a expansão da banda larga (sistema de transmissão de dados em alta velocidade), a produção obrigatoriamente vai ser mais democrática, pois qualquer um vai poder desenvolver uma forma de comunicação."A LabOne dispõe de um estúdio com 24 possibilidades de sets de filmagem e em que são produzidos programas semanais de música, esportes, cinema, teatro e tecnologia - a exibição pode ser conferida no site www.mediacast.com.br. Sua estrutura foi detalhadamente planejada - com assessoria do diretor de fotografia Rodolfo Sanchez (que fotografou diversos filmes importantes como Amélia e Pixote), o sistema de iluminação utiliza lâmpadas frias, ou seja, que não aquecem o ambiente. "Com isso, podemos manter um ritmo de produção mais efetivo, além de não sermos obrigados a investir em aparelhos de ar condicionado." No estúdio, a aparelhagem é robotizada: o funcionamento da iluminação é programado por computador.Graças à experiência acumulada e ao pioneirismo em trabalhar com produções em banda larga, Galassi orgulha-se de dispor de um acervo de aproximadamente 10 mil títulos, entre áudio e vídeo. "Minha preocupação sempre foi pensar mais no conteúdo que no veículo, pois um meio de transmissão como a Internet não permite a formação de cartel; qualquer pessoa tem condições de oferecer um produto novo, sem medo de atingir algum gigante", comenta.A facilidade empolga principalmente cineastas que não dispõem de grandes orçamentos - com a dissiminação de câmeras digitais, além do, cada vez mais próximo, processo de exibição em salas de cinema por meio de computador, os custos foram reduzidos drasticamente, permitindo que países onde a cinematografia passava por uma crise, como Cuba, pudessem ensaiar um recomeço.Números fabulosos - A evolução do processo é rápida e seus consumidores exigem novidades a curto prazo. O crescimento no mercado tem até surpreendido os principais analistas, que acompanham suas previsões serem derrubadas por outras a cada temporada. Uma pesquisa realizada pela Andersen Consulting, uma organização de consultoria tecnológica e administração global, trouxe números surpreendentes.O principal deles aponta a perspectiva de mercado de produtos digitais, como música, vídeo e livro eletrônico, nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, mais de US$ 8 bilhões serão movimentados somente naquele país até 2005, assim distribuídos: US$ 3,2 bilhões no mercado de música, US$ 2,3 bilhões entre os consumidores de e-books e US$ 3,1 bilhões nas negociações de vídeo.Outra surpresa foi descoberta quando se apurou a faixa etária: antes identificado como um mercado exclusivo de adolescentes, o universo digital atrai consumidores de um vasto segmento, que vai dos 15 aos 55 anos, todos mais preocupados com a escalada da pirataria do que com a rapidez com que os produtos tornam-se obsoletos - a confiança nas pesquisas de empresas tecnológicas de grande porte possibilita um consumo garantido.

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