Monalisa Lins/ Estadão
Monalisa Lins/ Estadão

Intensidade de Jorge Dória ficará guardada na memória do público

No cinema, ator fez participações às vezes pequenas, mas das quais o espectador não se esquece

Luiz Zanin Oricchio , O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2013 | 19h07

Homem basicamente da tevê, Jorge Dória teve presença irregular porém marcante no cinema. De filmes ainda da década de 1940, como Mãe, Somos Todos Irmãos e Maior que o Ódio até o recente O Homem do Ano lá esteve Dória a marcar as cenas com seu talento.

Claro (e justo) que Jorge Dória seja lembrado por sua longa presença na televisão e no teatro, mas é preciso lembrar também sua imagem impressa na memória do cinema nacional.

Depois dos filmes de início na Atlântida, Dória participa daquele que é considerado o maior policial brasileiro, Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias. Seus diálogos com Eliezer Gomes e Luiza Maranhão podem entrar na antologia dos grandes momentos dramáticos do cinema brasileiro.

Esteve presente, talvez não por acaso, em várias versões de Nelson Rodrigues para as telas como O Beijo (1965), Os Sete Gatinhos (1978) e Perdoa-me por Me Traíres (1980). Com sua verve tanto cômica como dramática, sabia perfeitamente compor um tipo "rodriguiano” sob medida.

Nos anos 1970, torna-se figura constante da então dominante pornochanchada. Nos anos 1980, fez apenas quatro filmes, então some das grandes telas para retornar em O Homem do Ano.

Pode não ser uma trajetória quantitativamente expressiva se comparada as outras. Mas basta revê-lo como o “Velho”, em A Dama de Shangai, ou o dr. Carvalho em O Homem do Ano para se fazer ideia da dimensão do seu talento na tela. São participações às vezes pequenas, mas das quais o espectador não se esquece.

Por quê? Porque vêm impregnadas de um talento de fato diferenciado, de uma intensidade, cômica ou dramática, nada usual. Essas gravam-se na memória. Graças ao toque do ator.

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