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Iniciativa promove inclusão muçulmana nas telas

Com apoio da Disney, grupo busca pessoas e monta cadastros para abrir espaço à comunidade nas novas produções

Colin Moynihan, The New York Times

12 de novembro de 2021 | 20h00

Uma nova iniciativa para promover a inclusão de muçulmanos no cinema foi criada por um grupo de defesa, com o apoio da Walt Disney Co. A iniciativa surge depois da divulgação de um relatório que revelou que os muçulmanos raramente são retratados em filmes populares e que muitos personagens muçulmanos estão associados à violência.

O projeto, o Banco de Dados de Artistas Muçulmanos do Pillars, foi anunciado na terça-feira pelo Pillars Fund, um grupo de defesa de Chicago. O grupo produzira o relatório junto com a Iniciativa Annenberg para Inclusão da Universidade do Sul da Califórnia e outras instituições.

Kashif Shaikh, cofundador do Pillars e seu presidente, disse que, enquanto o grupo discutia as revelações do relatório, muitas pessoas na indústria cinematográfica passaram a dizer que não sabiam onde encontrar roteiristas ou atores muçulmanos. O banco de dados, disse ele, tem por objetivo listar atores, diretores, cinematógrafos, técnicos de som e outros muçulmanos que podem ajudar a criar representações mais matizadas. A ideia é compor perfis online que possam ser avaliados pelos executivos para filmes, programas de TV e produções de streaming. Dessa forma, “os muçulmanos de todo o país podem se inscrever e falar sobre sua experiência”, disse Shaikh. “A ideia realmente é ser um recurso para os estúdios.”

O relatório sobre a representação dos muçulmanos, chamado Missing & Maligned (algo como Ausentes e Difamados, em tradução livre) foi publicado em junho e analisou 200 filmes de grande bilheteria lançados entre 2017 e 2019 nos EUA, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia.

Apenas 1,6% dos 8.965 personagens com falas eram muçulmanos. Pouco mais de 60% dos personagens muçulmanos apareceram em filmes ambientados no passado histórico ou recente. Pouco menos de 40% participaram de três filmes que se passavam na Austrália dos dias de hoje, disse o relatório, e a maioria desses personagens – incluindo “o único protagonista muçulmano” – estrelaram um único filme, O Casamento de Ali, lançado em 2017.

O Pillars, junto com a Iniciativa Annenberg para Inclusão e o ator britânico Riz Ahmed e sua produtora, a Left Handed Films, também divulgou um Projeto para a Inclusão Muçulmana, que pretende “mudar fundamentalmente a maneira como os muçulmanos são retratados na tela”. Antes de os relatórios serem divulgados, o Pillars iniciou conversas com a Disney, que apoiou a ideia e doou US$ 20 mil. 

Latondra Newton, vice-presidente sênior e diretora de diversidade da Disney, disse que o apoio era parte de um esforço contínuo “para amplificar vozes sub-representadas e histórias não contadas”. Ela ainda acrescentou: “Estamos honrados em apoiar o novo Banco de Dados de Artistas Muçulmanos do Pillars”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU. 

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