FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Ingrid Guimarães tenta o cinema de autor com 'Idas e Vindas'

Rainha das bilheterias, Ingrid Guimarães anuncia projetos e dá suas dicas especiais de boa forma

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2016 | 06h00

Embora Entre Idas e Vindas entre na quinta, 21, num número expressivo de salas – 350 –, é muito menos dos que os blockbusters a que a Ingrid Guimarães está acostumada. Em geral, são arrasa-quarteirões que chegam para faturar milhões de espectadores. Dessa vez, é um filme menor, mais delicado. “Os americanos sabem fazer comédias românticas.

A gente não tem essa tradição. Acho que o Entre Idas e Vindas é autoral do (diretor José Eduardo) Belmonte, mas ficou muito bonito num registro que pode interessar ao público também.” O filme é sobre essas quatro amigas que caem na estrada num trailer do tio de Amanda (Ingrid), a protagonista. As demais são interpretadas por Alice Braga, Rosanne Mulholland e Caroline Abras. As duas últimas já haviam trabalhado com o diretor e Alice, como Ingrid, foi atraída pelo ‘processo’.

Rosanne, que faz a professora Helena em Carrossel 2 – O Sumiço da Maria Joaquina, é daquelas que atendem correndo ao chamado do ‘Zé’. “Ele é um diretor maravilhoso. Sabe desconstruir a gente. Você chega com a cena pronta e aí ele te dá uma pimenta, literalmente, você perde o esquadro e, quando vê, está fazendo do jeito dele. É danado.” Entre Idas e Vindas é um filme mítico do Zé. “Acho que falamos a primeira vez sobre o filme há uns sete anos”, lembra Ingrid. Só as filmagens ocorreram há dois.

“Nunca tinha feito um filme assim, de estrada, e foi muito gostoso. Há muitos anos, quando era ‘dura’, saía de ônibus com as amigas para praias na Bahia. Era uma farra”, lembra Ingrid. Ela admite que, nos seus blockbusters, opina bastante, “porque sei o que o meu público quer. Mas aqui era um filme do Zé e o máximo que interferi foi para pedir que Amanda fosse de Goiânia, como eu.” Para evitar o risco de spoiler, você pode saltar esse parágrafo.

Na trama, as amigas dão carona para pai e filho – Fábio Assunção e João Assunção, pai e filho na vida. Os dois vão ao encontro da mãe do garoto, que os abandonou. O reencontro é muito emotivo e dá todo sentido ao filme. Antecipa, inclusive, a cena do reencontro dos personagens de Ingrid e Fábio. Prepare-se para conhecer nossa mais nova melhor atriz dramática. “Não acredito que você esteja falando ‘daquela’ cena. Embora o filme tenha sido feito há dois anos, aquela não tem mais de dois meses. A cena se havia perdido e o Zé me disse que íamos ter de refazer. Disse pra ele que não sabia nem como retomar a personagem. Quer dizer que você gostou? Ai, que bom.” 

Ingrid Guimarães está nesse momento da vida de tentar coisas novas na carreira. Conta que comprou os direitos de uma história que viu na TV, de uma mulher que perdeu a memória de dez anos de sua vida de casada e mãe. “Chamei a Laís Bodanzky para dirigir e acho que ela vai fazer um filme bem bacana. Adorei a Laís e a história já é tão bonita, sobre como essa mulher recuperou a memória e a vida pelo sentimento. Vai se chamar Lembrando de Mim.” Ingrid tem outro projeto do qual já filmou um pedaço, na Ilha de Caras. O repórter provoca – Ah, esse deve ter sido moleza, você na Ilha de Caras... Ela reage de imediato. “Nunca tinha pisado lá. Não faço esse circuito de celebridade. Sou casada com um artista plástico (Renê Machado), sou mãe (da Clara) e não misturo as coisas.

É um acordo meu e dele. Resguardamos a família. Entrevista, glamour, só nos lançamentos. Na hora de viajar, a gente paga a própria viagem.” Ela admite estar bem consigo mesmo. “Não sou muito de fazer ginástica, mas cuido da pele, da alimentação. Sou muito vaidosa, tá?”, e faz cara de quem zomba de si mesma, da própria vaidade. “O que mais me ajuda é a genética. Sou magra por natureza e não tem sido difícil me manter assim.”

Quando a entrevista já está terminando, ela lembra – “Não esquece do meu filme argentino.” No começo do ano, o repórter visitou o set de Um Namorado para Minha Mulher, comédia de Júlia Rezende com Ingrid, Caco Ciocler e Miá Mello, que teve cenas filmadas na Praça Benedito Calixto, em São Paulo. O filme é o remake de uma comédia argentina. Ingrid adorou trabalhar com Júlia. Diz que o filme ficou bem bacana. E promete – “Estreia em setembro, vamos nos reencontrar para falar dele.”

‘É um filme sobre perdão, meu ‘Apocalypse Now’

O diretor Belmonte explica por que não desistiria jamais da produção que lhe tomou muitos anos de vida 

Mesmo com risco de parecer megalômano, o diretor José Eduardo Belmonte concorda que Entre Idas e Vindas é seu filme ‘mítico’. “É o meu Apocalypse Now”, brinca. Filmes de estrada tendem a ser complicados, mas não foi esse o problema. “Embora barato, foi difícil de captar. E você não vai acreditar – por causa da Ingrid (Guimarães). Todo mundo lia e dizia que não era um filme típico dela. Chegou um ponto em que eu resolvi fazer de qualquer jeito e elas (as atrizes) toparam.”

Belmonte não desistiria jamais de Entre Idas e Vindas, porque a ideia veio de seu filho. É – também – um filme de pai e filho, os personagens de Fábio Assunção e João Assunção. O repórter cita a cena do reencontro de ambos com a ex-mulher, mãe do garoto, que os abandonou. Por quê?, Fábio pergunta, dilacerado. A resposta dá sentido ao filme todo. Veja, no dia 21, para saber qual é.

“É um filme sobre perdão”, define o diretor. “Nesse Brasil atual, acho que é um filme político.”, avalia. Depois de Entre Idas e Vindas, ele fez Alemão e, na Globo, a minissérie Supermax, que estreia depois da Olimpíada. “É uma série de terror, uma coisa nova na Globo.” E acrescenta – “Trabalhar na TV foi muito importante para mim. Me deu outra percepção do público, sem abrir mão da autoria.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.