Paprica Fotografia
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Ingrid Guimarães estrela a última grande estreia do ano com o filme 'Fala Sério, Mãe!'

Atriz, que já levou ao cinema 18 milhões de espectadores, diz que é o seu primeiro longa que a sua filha pode assistir, já que é para toda a família

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2017 | 06h00

Pode parecer loucura do repórter, mas existem momentos de Ingrid Guimarães, em Fala Sério, Mãe!, em que ela parece estar interpretando... Julia Roberts! “Nem inventa de ficar enchendo minha bola”, brinca a própria Ingrid. “Mas você sabe que não é o primeiro a me dizer isso? Até minha filha... Levei a Clara para ver Extraordinário, e o trailer do meu filme estava grudado. Ela me viu no Mãe e depois viu a Julia. E me soprou no ouvido que éramos iguais!”

O filme que estreia nesta quinta, 28, em 635 salas de todo o Brasil, marca um avanço importante para Ingrid. Depois de dar voz à mulher liberada, ou em busca de liberação, na série De Pernas pro Ar, ela se volta para outra personagem que pode se tornar emblemática. A mulher que abriu mão de tudo para ser mãe.

Ingrid Guimarães, Paulo Gustavo, Daniel Filho. O que eles têm em comum? Pertencem ao Olimpo do cinema brasileiro. Reis da bilheteria. Tem gente que despreza isso, acha que não tem a menor importância. Com seus filmes, Ingrid já levou ao cinema 18 milhões de espectadores – pagantes. É sucesso para ninguém botar defeito, e seus filmes ainda têm mais. Daqui a algum tempo, seus filmes serão referências para quem quiser pesquisar, ou entender, a mulher brasileira dos anos 2010.

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A mulher em busca de afirmação, empoderando-se na série De Pernas pro Ar. A mulher que renuncia a si mesma pela família em Fala Sério, Mãe! Vai virar série? Depende da bilheteria, claro, e isso só não vai acontecer se... Toc, toc, toc. Esconjuro. Tudo se combina para alavancar o sucesso de Fala Sério, Mãe! Ingrid Guimarães, com o reforço de Larissa Manoela. O livro de Thalita Rebouças, que deu origem ao filme. A direção de Pedro Vasconcelos, da novela A Força do Querer e do remake de Dona Flor e Seus Dois Maridos. Pedro ama as mulheres poderosas. São suas personagens. A mulher no mercado de trabalho, na família, no sexo. E assim como Ingrid teve sua participação no sucesso de Minha Mãe É Uma Peça, Paulo Gustavo agora retribui e tem uma participação hilária em Fala Sério, Mãe! – como Paulo Gustavo.

De alguma forma, a nova comédia de Ingrid é o seu Minha Mãe É Uma Peça, no sentido de que a mãe, no filme de Pedro Vasconcelos, é uma ‘peça’ – alguém especial, uma figura rara. E para Ingrid é um marco – “É meu primeiro filme que posso ver com minha filha. Todos os outros tinham impropriedade. De Pernas pro Ar tem aquela coisa dos brinquedinhos eróticos. Vê se eu vou ter cara de ver isso com minha filha? Há tempos queria mudar. O De Pernas pro Ar foi superimportante e eu vou fazer mais um, mas estava querendo essa coisa que os americanos fazem muito bem. Um filme sobre problemas domésticos, para toda a família. Acho que conseguimos.”

O ‘nós’ engloba o diretor, a autora, a equipe toda. A própria Ingrid coassina o roteiro. Colocou muito de sua experiência pessoal. Fala Sério, Mãe! é sobre esse casal jovem. Casam-se, vêm as crianças, e a filha. O casal separa-se, a mãe tem de dar duro. Na sua preocupação de ser protetora, muitas vezes não tem ‘noção’, como quando invade o ônibus escolar e submete a filha ao maior vexame na frente dos colegas, com seus conselhos e orientações. “Lava a calcinha, minha filha. E não se esqueça do Bom Ar quando fizer o 2.” E Ingrid conta – “Fiz muita pesquisa nas redes sociais, entrei em grupos de mães no WhatsApp. O filme desmistifica certas idealizações. Essa coisa de amamentar é lindo. Pode ser lindo, sim, mas também é um horror. O seio rachado, o mamilo doendo. Coloquei tudo isso porque sabia que as mulheres iam entender, se identificar. Nas pré-estreias foi o que ocorreu.”

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A própria Ingrid escolheu a atriz para ser a filha, Larissa Manoela. “Essa menina, além de talentosa, é muito focada. E o sucesso dela no Carrossel é uma coisa espantosa. Somei pontos com a minha filha e as filhas das minhas amigas só as levando ao set para conhecer a Larissa. Todo dia era uma excursão. E os pedidos não terminavam – ‘Me leva, tia.’ Foi uma experiência muito rica que, pelo que pude perceber nas pré-estreias, passa para o público.” Sem querer discutir a teoria de autor, as comédias de Ingrid Guimarães terminam tendo a cara de seus diretores.

A série De Pernas pro Ar é de Roberto Santucci, com o aporte do roteirista Paulo Cursino, que escreve na embocadura da estrela. Entre Idas e Vindas tem a marca de José Eduardo Belmonte. E Fala Sério, Mãe! é essa mistura de Pedro Vasconcelos, Thalita Rebouças e Ingrid.

“Os livros da Thalita acompanham a Malu (personagem de Larissa Manoela) em todas as passagens dela, com a família e todos que a cercam. O material é rico, humano, divertido e repleto de observações sociais. É que nem na novela. Existem as convenções de gênero, mas o mundo está ali. É só abrir os olhos para ver”, diz o diretor. A grande sacada do filme é uma coisa que já vem da escritora – a ‘passagem’. O filme começa narrado pela mãe, Ângela, e de repente Ingrid olha para a câmera e diz que agora quem vai contar é Malu, a filha. Na trama, Malu amadurece, vira mulher, parte para o mundo. “No livro, ela sai do subúrbio para Copacabana, mas o Pedro (diretor) achava pouco. A distância tinha de ser maior.” O importante é que, no processo, apesar das diferenças e dos atritos inevitáveis, mãe e filha aprendem a se conhecer, respeitar, e aceitar. Tornam-se as melhores amigas.

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Pedro está feliz com suas estrelas, mesmo que o repórter reclame da maquiagem que, tendo o objetivo de ‘amadurecer’ Larissa na parte final do filme, na verdade a vulgarize um pouco. É detalhe para ser corrigido numa eventual – possível? – sequência. E Ingrid?

O momento é pleno, e com a expectativa pela recepção do público a Fala Sério, Mãe!, ela ainda comemora o sucesso na novela Novo Mundo, em que sua vilã, Elvira, teve de ressuscitar. “Justamente por ser má, achava que as pessoas iam me odiar. E então, quando houve torcida para a Elvira não morrer, foi uma surpresa muito boa. As pessoas diziam que iam parar de ver a novela, se ela morresse. Eu também torcia, porque me apeguei à Elvira.”

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