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Ingrid Bergman ilustra o cartaz do Festival de Cannes 2015

Centenário de nascimento da atriz sueca é celebrado este ano

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 17h16

Ingrid Bergman nasceu e morreu no mesmo dia, 29 de agosto. Completa-se este ano o centenário de seu nascimento e o 23.º ano de sua morte. Sueca de nascimento, ela foi importada por Hollywood e virou estrela no vácuo produzido pelo afastamento do cinema de outra notável sueca – Greta Garbo. Em 1944, ela ganhou o primeiro Oscar, por À Meia-Luz, de George Cukor. Em 1956, o segundo como melhor atriz, por Anastasia, A Princesa Esquecida, de Anatole Litvak. E, em 1974, o de melhor coadjuvante, por Assassinato no Orient Express, que Sidney Lumet adaptou do livro de Agatha Christie.

Ainda é cedo para se debruçar sobre as datas seminais da trajetória de Ingrid Bergman, mas vale lembrá-la porque o Festival de Cannes acaba de divulgar seu pôster deste ano. O cartaz do 68.º festival traz a efígie de Ingrid, loira e linda, como ela foi. Além do clássico romântico Casablanca, de Michael Curtiz, Ingrid foi imortalizada por Alfred Hitchcock como representação da loira fria, em clássicos de suspense – dos quais Interlúdio/Notorious, de 1946, com Cary Grant, é o melhor. No final dos anos 1940, consagrada como a maior estrela da época, ela viu um filme italiano que a tocou.

Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, apresentou ao mundo o movimento chamado de neorrealismo. Ingrid, do próprio punho, escreveu uma carta para o diretor, oferecendo-se para trabalhar com ele, ‘sob quaisquer circunstâncias’. Tornaram-se amantes, ela abandonou o marido e a família. Constituiu outra e fez com ‘Robertino’, como o chamava, um memorável ciclo de filmes que François Truffaut considerava a base do cinema moderno. Passado o ardor da relação, separam-se, ela regressou a Hollywood – e as ligas de decência, que a haviam execrado, a perdoaram. Os novos Oscars sacramentaram sua reaceitação.

Ingrid continuou fazendo grandes filmes (As Estranhas Coisas de Paris/Elena et les Hommes, de Jean Renoir) e, embora os anos 1960 não tenham sido uma grande fase para ela, nos 70 voltou à Suécia para ser dirigida por seu compatriota Ingmar Bergman em Sonata de Outono. Essa trajetória luminosa recebe agora a homenagem do maior festival do mundo. E se Ingrid está no cartaz, você só precisa esperar porque Cannes Classics com certeza apresentará algum (alguns?) de seus clássicos restaurados.

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