Informação é marca de campanha contra "A Paixão"

Lideranças religiosas americanas, judaicas e cristãs, planejam uma campanha contra o filme de Mel Gibson, A Paixão de Cristo. A suspeita de que o filme, que narra as últimas horas da vida de Cristo, desperte anti-semitismo por jogar a culpa pela crucificação no povo judeu, está motivando uma campanha de informação. De acordo com a BBC, entidades como a Liga Anti-Difamação não pretendem protestar na porta de cinemas ou advogar o boicote, mas sim fazer palestras sobre o tema. Os organizadores da campanha também pretendem participar de programas de entrevista e promover debates entre líderes de várias religiões. Alguns dos críticos do filme de Gibson vão explicar como encenações da crucificação eram usadas, na Idade Média, como pretexto para perseguir judeus na Europa. Falando sobre o filme, o rabino David Elcott disse que ele "arruina o progresso que fizemos neste país na direção do respeito mútuo e o pluralismo religioso". Um centro de pesquisas judaico-cristãs da universidade de Boston também entrou na discussão, com a publicação de uma cartilha dirigida aos espectadores em que informa-se que a igreja Católica já rejeitou oficialmente o envolvimento de judeus na morte de Cristo. A campanha de esclarecimento começa em meio a uma forte campanha de divulgação do filme promovida por religiosos cristãos americanos. Um pastor que apresenta um programa de evangelização na TV, Billy Graham, elogiou o filme e vem chamando fiéis para assisti-lo quando estrear. Até o momento, Mel Gibson projetou A Paixão de Cristo para uma série de líderes religiosos, alguns dos quais apontaram tendência anti-semita. O diretor já negou a acusação.

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