"Infidelidade" segue linha "Atração Fatal"

Na melhor das hipóteses, o diretor Adrian Lyne é um moralista, na pior é apenas um oportunista. Basta pensar em alguns de seus filmes como 9 e 1/2 Semanas de Amor, Atração Fatal e Proposta Indecente. Em todos, ele ofereceu emoções baratas, exploração sexual mas até certo ponto e uma mensagem final que prega medalhas no peito da moral mais convencional. Infidelidade é mais outro da série. O que o valoriza um pouco é Diane Lane, uma atriz de charme e talento, geralmente mal-aproveitada. Aqui, ela é Connie Sumner, uma dona de casa de um subúrbio de gente bem posta na vida, em Wetchester. Há algumas pistas de que as coisas não vão bem. O marido executivo, Edward (Richard Gere) é de boa aparência, mas seu modo de tratar a mulher é um tanto distraído. Visivelmente, ele se interessa mais pelo trabalho. Mas quando pode, mostra que gosta à sua maneira da mulher e têm uma vida sexual. É um casamento que alguém de fora poderia chamar de satisfatório, mas Connie parece estar fervendo por dentro em busca de algo mais. Diane Lane consegue exprimir esse vulcão latente às maravilhas. Então, não é de surpreender que ela se choque com o que buscava, um livreiro francês de 28 anos que parece saído de um anúncio de Calvin Klein. O choque literal acontece no SoHo. Após escaramuças iniciais, logo eles estão se dedicano a apenas uma obra, o Kama-Sutra, letra a letra. Todo o risco é de Connie, ela arrisca a situação segura que vive, o papel de esposa, de mãe, tudo pelos carinhos do livreiro (Olivier Martinez). Logo o apartamento do moço não é suficiente para comportar o caso. Eles vão a um cinema, vão a um café, vão a um restaurante. Nova York é uma província: no cinema eles são fotografados por um detetive contratado pelo marido desconfiado de que seu eletrodoméstico mais caro estava sendo manuseado por outro; no café, eles mostram a uma dupla de amigas de Connie que pode haver algo entre os dois , e no restaurante, são flagrados por um subordinado do marido. As nuvens se aproximam. Connie, inexplicavelmente, começa a se sentir culpada. Edward, de posse das fotos que comprovam tudo, vai tomar satisfações. Pega o livreiro nu sob um sobretudo (ele tinha acabado de transar com Connie, que saira providencialmente) e faz perguntas que parecem mais de alguém fascinado com o caso do que propriamente furioso. O que ele não aguenta, é achar um peso de papel que decorava sua casa, ali, dado de presente ao rapaz. A situação foge ao controle de Edward e o filme escapa dos limites do bom senso e do gosto. É hora da mensagem moralista entrar no lugar das peles se roçando.

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