Divulgação
Divulgação

Inédito de Hitchcock será restaurado

Documentário do cineasta sobre o Holocausto poderá ser exibido ainda em 2014

EFE

08 Janeiro 2014 | 19h35

Um documentário de Alfred Hitchcock sobre os campos de concentração nazistas, rodado em 1945, será projetado pela primeira integralmente após ter passado por uma restauração, realizada pela equipe do Imperial War Museum de Londres.

Segundo informou hoje o jornal The Independent, o lendário diretor se envolveu no projeto em 1945, depois que seu mecenas e amigo Sydney Bernstein lhe pediu ajuda para editar um documentário sobre as atrocidades cometidas pelos alemães durante a Segunda Guerra (1939-1945). O conteúdo das imagens filmadas por operadores de câmera da Unidade de Cinema do Exército Britânico, na ocasião da libertação dos judeus dos campos de concentração pelas tropas aliadas, "horrorizaram" o criador de Um Corpo que Cai e Os Pássaros.

O mestre do suspense ficou tão "traumatizado" pelo duro conteúdo das gravações que permaneceu afastado dos estúdios Pinewood durante uma semana. Um curador do Departamento de Pesquisas do Imperial War Museum, Toby Haggith, afirmou que o documentário "acabou esquecido por conta das mudanças no contexto político, particularmente para os britânicos".

"Quando descobriram os campos de concentração, americanos e britânicos tiveram pressa para divulgar uma gravação que os mostrasse e fizesse com que os alemães assumissem sua responsabilidade pelas atrocidades cometidas", disse Haggith ao Independent. Mas, além do horror que o material provocou no cineasta, o desejo dos aliados de não rritar a Alemanha derrotada por sua culpa no Holocausto levou ao esquecimento dos rolos de filme, que terminaram nos arquivos do museu.

Nos anos 80, parte das imagens foram descobertas por um pesquisador norte-americano e, com o tempo, uma versão incompleta do material foi projetada no Festival de Cinema de Berlim em 1984 para depois ser exibida nos EUA, um ano depois, sob o título Memória dos Campos, mas com má qualidade e sem incluir o sexto rolo.

No final deste ano o filme poderá ser projetado em uma versão restaurada pelo museu londrino, graças à tecnologia digital, como Hitchcock, Bernstein e outros colaboradores pretendiam. A decisão de ressuscitar esse documentário vai provavelmente suscitar um debate, pois inclui imagens realmente impactantes dos campos, em particular de Belsen-Berger, aponta a publicação. Segundo Haggith, o filme, que descreve como "brilhante" e "sofisticado", é "muito mais fiel" que outros documentários rodados sobre o Holocausto.

O comissário apontou ainda que o documentário "não só trata da morte", mas também revela imagens de reconstrução e reconciliação; e elogiou a "excelência" e a "originalidade" dos câmeras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.