Toby Melville/
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Indústria de Hollywood mostra inquietação diante do Brexit

Decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia pode trazer consequências ao setor de audiovisual e entretenimento

EFE

27 de junho de 2016 | 18h42

LOS ANGELES - A indústria de Hollywood reagiu com inquietação à decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia e está preocupada com as consequências para a atividade do setor audiovisual e de entretenimento.

O Reino Unido é um parceiro estável e muito importante de Hollywood, que não só utiliza as ilhas britânicas como lugar de produção, mas também como porta de entrada para o mercado europeu.

Por isso, a indústria norte-americana de cinema teme a incerteza instalada agora na Grã-Bretanha no tocante a impostos, subvenções para a produção audiovisual, condições para obtenção de créditos e acordos de colaboração já existentes.

“A decisão de sair da Grã-Bretanha é um grande golpe para o setor da televisão e cinema no Reino Unido”, afirmou em um comunicado o presidente da organização Independent Film & Television Alliance, Michael Ryan, segundo a agência de mídia especializada The Hollywood Reporter.

“A partir de agora não sabemos como serão nossas relações com os coprodutores, financiadores e distribuidores”, disse Ryan.

Um dos homens mais poderosos do cinema americano, o produtor Harvey Weinstein foi contundente, qualificando o Brexit de “desastre”, informou o webside Deadline.

Por seu lado, a empresa Discovery Communications, declarou em nota que respeita a decisão e o “voto histórico” da população britânica e assegurou que, como “empresa global” está habituada a operar em um mundo “onde a mudança é constante”.

Como parte da gigante de multimídia de implantação mundial Vivendi, o diretor executivo da companhia de distribuição e produção britânica Studiocanal, Danny Perkins, disse que a curto prazo são “más notícias” para o câmbio e “notícias terríveis” para a aquisição de filmes, que normalmente é feita em dólares ou euros.

O portal especializado Deadline citou um “importante executivo” do setor audiovisual chinês, cujo nome não indicou, que disse que sua percepção é “muito ruim”, e também um alto dirigente do setor cinematográfico francês, para quem a curto prazo os efeitos econômicos do Brexit serão “devastadores”.

Um estudo recente da agência sem fins lucrativos FilmLA, que analisou o impacto econômico de 109 filmes americanos de grandes estúdios em 2015, concluiu que 15 deles foram rodados no Reino Unido, gerando US$ 1,3 bilhão de gastos de produção.

Entre os filmes produzidos no ano passado no Reino Unido, foram destacados Star Wars: O Despertar da Força, último episódio da série que contou com um orçamento de US$ 245 milhões e que registrou uma bilheteria de mais de US$ 2 bilhões em todo o mundo, segundo o portal Box Office Mojo.

Além da popular saga de George Lucas, outra produção famosa que se deslocou para o Reino Unido foi a série Game of Thrones, cujo quartel general está na Irlanda do Norte.

"Não esperamos que o resultado do referendo tenha algum efeito material na produção de Game of Thrones, informou a HBO em comunicado.

Por último, inúmeros artistas de Hollywood, a maioria de origem britânica, reagiram nas redes sociais com preocupação, entre eles o comediante Ricky Gervais, a atriz Lena Headey, o ator Hugh Laurie e o diretor de cinema Duncan Jones.

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