Indicado ao Oscar, <i>Moulin Rouge</i> sai em vídeo e DVD

Afinal, não deu outra: Moulin Rouge está indicado para o Oscar. Concorre em oito categorias,com o mesmo número de indicações que obteve Uma MenteBrilhante. Na frente dos dois, corre O Senhor dos Anéis,com 13 indicações. É o recordista deste ano. O maravilhoso filmeque Peter Jackson adaptou da saga cult de J.R.R. Tolkien e odrama de Ron Howard com Russell Crowe no papel do cientista JohnForbes Nash Jr. estão em cartaz nos cinemas. Moulin Rougechegou às locadoras e lojas especializadas, em lançamentosimultâneo de DVD e vídeo. O filme disparou na preferência dopúblico e integra a relação de mais retirados, de acordo comlevantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Com Moulin Rouge, é o musical que volta ao Oscar,mais de 20 anos depois que O Show Deve Continuar (All ThatJazz), de Bob Fosse, foi indicado para o prêmio da Academia deHollywood, na categoria principal, em 1980. Os sete prêmiosrestantes contemplam categorias importantes, como a de melhoratriz. Nicole Kidman repetirá o feito de janeiro, quando recebeuo Globo de Ouro de melhor atriz de comédia ou musical? Aguarde aresposta no fim de março. Uma candidatura que parecia imbatível, a de JohnLerguizamo, terminou não ocorrendo. O ator, que parecia talhadopara o prêmio de coadjuvante pela genial criação comoToulouse-Lautrec, ficou fora das indicações. Parece injusto etalvez seja, mas um ator que se sujeita ao papel que Leguizamofaz em Efeito Colateral, o thriller com ArnoldSchwarzenegger em exibição nos cinemas brasileiros, não merecemesmo o respeito dos pares (e da crítica). A grande injustiça em relação a Moulin Rouge - querecebeu no Brasil o acréscimo de O Amor em Vermelho aotítulo original - diz respeito ao diretor Baz Luhrmann. Ele nãofoi indicado na categoria. É freqüente, na história do Oscar, odescompasso entre as indicações de filme e direção. Quase todosos anos, há sempre um filme e um diretor cujos nomes não batemnas duas listas. Desta vez são dois. Ridley Scott concorre amelhor diretor, mas Falcão em Perigo não concorre a melhorfilme. Pode ser o desagravo da academia a Scott, uma vez que, em2001, Gladiador foi o melhor filme e ele perdeu o prêmio paraSteven Soderbergh, de Traffic. Outro indicado para o prêmiode direção que não tem correspondente na indicação para o melhorfilme é David Lynch, por Mulhound Drive. Há casos em que, apesar do descompasso, os filmesterminam vencendo. Conduzindo Miss Daisy e ShakespeareApaixonado receberam as estatuetas de 1989 e 1998, mesmo queos diretores Bruce Beresford e John Maddow não tenham sidoindicados para o Oscar. Moulin Rouge tem chance, sim. É umdos mais belos e ousados filmes produzidos por Hollywood nosúltimos anos, um fecho admirável para a trilogia da cortinavermelha (Red Courtain) que o australiano Luhrmann iniciou comVem Dançar Comigo e à qual deu prosseguimento com Romeu +Julieta, a versão com Leonardo DiCaprio. Luhrmann reinventa Max Ophuls e Luchino Visconti,mistura La Bohme com Rocco e Seus Irmãos e propõe o quenão deixa de ser o manifesto do cinema impuro. Pós-moderno,Moulin Rouge recorre a um arsenal de artifícios para sertotalmente honesto e sincero diante dos temas do amor e da mortee nisso o filme se aproxima de Dançando no Escuro, o musicalcult e sombrio do dinamarquês Lars Von Trier. Moulin Rougeconta a história por meio de diálogos recolhidos de standards eclássicos do pop. Essa, na verdade, é a menor das ousadias dodiretor. O filme não seria tão deslumbrante se Nicole nãocintilasse como jóia rara, no papel de Satine.ServiçoMoulin Rouge (Moulin Rouge). EUA/Austrália, 2001.Direção de Baz Luhrmann. Lançamento da Fox, em vídeo e DVD (40reais nas lojas).

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