Indicada para o Oscar, Amy Adams dá toque de charme a ‘Trapaça’

Do figurino sensual à cena do beijo com Jennifer Lawrence, atriz rouba a cena no filme de David O. Russel

Cindy Pearlman , The New York Times

06 de fevereiro de 2014 | 19h47

Dentre todas as qualidade de Trapaça, o charme de Amy Adams no papel de uma vigarista dos anos 1970 está inegavelmente nos primeiros lugares da lista. Ela é a protagonista do filme de David O. Russel que chega hoje aos cinemas do País e concorre em dez categorias no Oscar. Mais até do que Amy, é seu figurino sexy e provocante, marcado pelos decotes profundos, que tem rendido comentários. Em cena, a atriz aparece em trajes inusitadamente sexy, como um maiô que deixa pouco para a imaginação.

 

 

 

 

“Adorei o papel porque tive a chance de trabalhar novamente com David. Acho que nos livramos da minha imagem de boa menina.Esta é uma mulher que consegue o que quer e se veste para consegui-lo. Ela usa a sua sexualidade.” Numa das mais comentadas cenas do filme, Amy e Jennifer Lawrence trocam farpas numa briga que acaba num beijo.“Não devo ser creditada por muitas coisas, mas aquela ideia foi minha”, diverte-se. “Não sei o motivo. Talvez eu quisesse beijar Jennifer. Ela estava tão linda.”

Amy vive uma charlatã de uma pequena cidade que acaba em Nova York, onde se transforma até certo ponto. O roteiro é inspirado na operação Abscam, que derrubou congressistas nos anos 80. O filme gira em torno de um agente do FBI (vivido por Bradley Cooper), um arrogante escroque (Christian Bale), uma alcoólatra bipolar (Lawrence) e a vigarista Sydney Prosser (Amy).

Os atores principais não são estranhos para o escritor/diretor Russell: Lawrence venceu e Cooper foi indicado para o Oscar por O Lado Bom da Vida (2012), enquanto Bale e Adams também foram indicados por O Lutador, de 2010, com o primeiro saindo vencedor. Os quatro foram novamente indicados este ano, e o próprio Russel concorre ao Oscar de melhor diretor e roteiro original.

Até agora, Trapaça já levou três Globos de Ouro (melhor comédia, atriz – Adams – e atriz coadjuvante – Lawrence), além do título de melhor elenco no Screen Actors Guild, o prêmio do sindicato dos atores. Não só pelas duas estatuetas, este tem sido um período memorável para a carreira de Amy, que em 2013 estrelou três filmes: Homem de Aço, Ela e Trapaça.

Ela, de Spike Jonze, venceu o Globo de melhor roteiro e também concorre ao Oscar, em cinco categorias. O filme traz uma profunda reflexão sobre a inteligência artificial, na tocante história de um solitário escritor Theodore (Joaquin Phoenix) que se apaixona pela voz de um sistema operacional de computador (Scarlett Johansson), projetado para atender a todas as suas necessidades. Uma emocionante metáfora. Adams interpreta uma velha amiga que também enfrenta problemas sentimentais.

“Encontrei-me com Spike antes mesmo de ver o roteiro, e fiquei fascinada com suas ideias. A história era envolvente, mas achei que não conseguiria participar dela, pois acabara de ter um filho, e pensava que não poderia trabalhar num filme. Mas não me esqueci daquela reunião. O roteiro era irresistível e, no final, não consegui recusar. Tinha que trabalhar com Spike.”

Amy considera o filme uma exploração da verdadeira intimidade. “Não acho que se deva analisar as coisas como uma questão entre homens e mulheres. Elas dizem que eles temem uma relação íntima, mas acho que isso não é específico do homem. Cada pessoa tem as próprias razões para ter dificuldade numa relação de intimidade. Minha personagem, por exemplo, tem muita dificuldade nesse sentido, porque está sempre fingindo ser outra pessoa. Quando você não expressa seu verdadeiro eu, nunca conseguirá manter uma relação de intimidade”, filosofa.

Em uma fase tão cheia de conquistas, qual seria o momento que mais marcou suas vivências no cinema? “Tenho muitas lembranças, mas ando mais focada no meu lado maternal. Por isso, posso dizer que jamais esquecerei a reação da minha filha, Aviana, ao ver Henry Cavill em seu traje de super-homem. Um dia, quis colocar a mão na roupa dele, e acabou agarrando seu traseiro”, conta. “Mas ela também adora os Muppets”, diz a atriz que participou da primeira parte do filme sobre os personagens, em 2011, e agora filma sua continuação. “Aviana agora desistiu do Henry e me pergunta se vou trabalhar com a Miss Piggy.”

Filha de pai militar, Amy nasceu em Aviano, na Itália, a quarta de sete filhos. Tinha 8 anos quando a família se instalou em Castle Rock, no Colorado. Sua primeira paixão foi a dança, mas depois do ginásio voltou-se para os musicais e o teatro. Seu filme de estreia foi Lindas de Morrer, de 1989. Ela seguiu carreira em pequenos papéis como em Horror na Praia Psicodélica (2000), Meu Namorado Pumpkin (2002) e Prenda-me Se for Capaz (2002), além de aparições em séries de TV como Buffy, a Caça Vampiros e The West Wing (2002).

O sucesso veio com Retratos de Família (2005), que lhe valeu uma indicação para o Oscar de atriz coadjuvante, e abriu caminho para Encantada (2007), da Disney. Atualmente, está em fase de produção Batman versus Super-homem, em que ela novamente fará Lois Lane.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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