AFP PHOTO/MARK RALSTON
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Indicação de 20 atores brancos ao Oscar causa críticas à indústria

Era esperado que o filme 'Selma', que teve apenas duas indicações, ganhasse mais atenção do principal prêmio do cinema; veja cinco ocasiões em que profissionais negros levaram a estatueta

O Estado de S. Paulo, com agências internacionais

16 Janeiro 2015 | 08h54

LOS ANGELES - O Oscar era a última esperança de Selma.

O drama sobre direitos civis da diretora Ava DuVernay pareceu, nas primeiras exibições nos EUA em novembro, que iria varrer os prêmios e fazer história no processo.

Mas os sonhos de Selma (com estreia prevista no Brasil para o dia 25 de janeiro) foram muito prejudicados quando a Academia de Hollywood anunciou as apenas duas indicações do filme - melhor filme e melhor canção original.

2015 também é ano em que, pela segunda vez em quase 20 anos, todos os atores e atrizes indicados ao Oscar são brancos - isso num momento em que a indústria de Hollywood é criticada por não promover diversidade. No final de 2014, emails trocados entre executivos da Sony sugeriam “insensibilidade” à questão, de acordo com o The Hollywood Reporter.

As indicações “realmente falam com a desconexão entre a indústria e os Estados Unidos”, disse o professor da UCLA Darnell Hunt ao Los Angeles Times. “A Academia é esmagadoramente branca, masculina e a maioria dos membros tem mais de 60 anos. Há certo gosto e cultura lá, e um tipo particular de contar histórias que não é muito inclusivo de diferentes pontos de vista.”

Selma. Profissionais da indústria do cinema agora especulam porque o filme teve tão poucas indicações.

Uma das questões levantadas é que o ‘timing’ de lançamento do filme foi incorreto - no passado, um filme lançado no final do ano era visto com bons olhos pelos prêmios. Mas Selma pode ter vindo simplesmente muito tarde. Apesar de ter todos os ‘requisitos’ para os prêmios, o filme não teve, ainda, o impacto esperado.

O fato de todos os atores e atrizes indicados serem brancos apenas exagerou o pouco reconhecimento do filme, especialmente no ano seguinte que 12 Anos de Escravidão e a atriz Lupita Nyong’o levaram as estatuetas.

Em novembro, DuVernay desconsiderou a sugestão de que os vencedores de 2014 poderiam diminuir as chances de Selma. “Pensar isso é criminoso. Os dois filmes são completamente diferentes”, disse.

O retrato feito por DuVernay de Martin Luther King Jr rapidamente se tornou um favorito dos críticos pela sua caracterização da marcha entre as cidades de Selma e Montgomery, no Alabama, pela votação, em 1965, do Voting Rights Act (lei americana que proíbe qualquer tipo de discriminação racial em votações eleitorais). Era esperado que DuVernay fosse a primeira mulher negra a ser indicada ao prêmio de melhor diretor.

E aí as indicações e prêmios deixaram Selma de lado. Os sindicatos (produtores, diretores e atores) negligenciaram o filme, muito porque o ele furou o prazo de exibição em DVD para os membros votantes.

No Globo de Ouro, a diretora e o ator principal, David Oyelowo, foram indicados, mas não levaram o prêmio.

Pouco antes de Selma estrear nos EUA, houve controvérsia sobre a caracterização do ex-presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) como um obstáculo para a aprovação da lei - e a imprensa americana acabou dando mais atenção a esse aspecto.

De qualquer forma, os prêmios não são a única medida do sucesso e impacto de um filme. Selma inspirou empresários dos EUA a criar fundos para permitir que estudantes vejam o filme de graça e o presidente Barack Obama receberá parte da equipe nesta sexta-feira, 16, para uma exibição na Casa Branca. / LINDSEY BAHR (AP)

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