Lucasfilm
Sean Connery e Harrison Ford em 'Indiana Jones e a Última Cruzada' (1989) Lucasfilm

Sean Connery e Harrison Ford em 'Indiana Jones e a Última Cruzada' (1989) Lucasfilm

'Indiana Jones', 40 anos: conheça curiosidades sobre os filmes

Saga protagonizada por Harrison Ford e dirigida por Steven Spielberg completa quatro décadas como fenômeno cultural

Imagem Luiz Carlos Merten

Luiz Carlos Merten , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Sean Connery e Harrison Ford em 'Indiana Jones e a Última Cruzada' (1989) Lucasfilm

Caçadores da Arca Perdida, 1981

O dublê de arqueólogo e aventureiro Indiana Jones/Harrison Ford ganha ajuda de Marion Ravenwood/Karen Allen para procurar a Arca da Aliança, artefato bíblico que guarda os Dez Mandamentos e também está sendo cobiçado pelos nazistas, a mando do Führer. É possível ver  em 4K na Apple TV e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky

Cena antológica

Indiana saca da pistola e mata o árabe que o ameaça com o sabre. O roteirista Lawrence Kasdan jura que não teve nada a ver com a cena, que foi improvisada pelo diretor Steven Spielberg com Harrison Ford no set. Kasdan, na verdade, indignou-se. “Não gosto de brincar com a violência, mas eles me disseram que o público ia adorar, e acertaram.”

*

Indiana Jones e o Templo da Perdição, 1985

O herói sobrevive a um acidente aéreo e vai parar numa aldeia, na Índia, em busca de pedras sagradas que foram furtadas por adoradores da deusa Khali. Eles também requisitaram crianças para trabalho escravo e realizam sacrifícios humanos. Dessa vez a heroína é Willie, interpretada pela a futura Sra. Spielberg, Kate Capshaw. Sharon Stone foi testada, e não aprovada, para o papel.  É possível ver  em 4K na Apple TV e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky.

Cena antológica

Desde a confusão inicial no cabaré, com o show das coristas e o morticínio provocado pelos gângsteres chineses, o filme é pródigo em grandes cenas. O banquete de comidas nojentas, o coração arrancado com os dedos no sacrifício ritual, a correria nas galerias da mina em que as crianças são escravizadas e o desfecho na ponte de cordas são nota 10. Mas tem o problema (sério) do colonialismo britânico.

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Indiana Jones e A Última Cruzada, 1989

Começa com Indiana garoto tentando resgatar sua primeira relíquia histórica e prossegue com o herói ganhando ajuda do pai, Sean Connery - que só o chama de Júnior -, para buscar o Santo Graal. Dessa vez, a principal personagem feminina, a Dra. Elsa Schneider/Alison Doody, é do mal (e aliada dos nazistas, sempre eles).  É possível ver  em 4K na Apple TV e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky.

Cena antológica

Poderia ser a das catacumbas em Veneza, com todos aqueles ratos imundos, mas é a da caverna que guarda o Graal, com aquele velho cavaleiro que data das Cruzadas. Qual é o cálice sagrado de Cristo - o de madeira, ou o de pedras preciosas?

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Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, 2008

Com direito a lançamento no Festival de Cannes, o longa incorpora o filho de Indiana, interpretado por Shia Labeouf. Começa como ficção científica, com o herói sobrevivendo a uma explosão nuclear (como?) e prossegue com a dupla pai/filho enfrentando agente soviética - Cate Blanchett - que busca para Stalin o poder representado por caverna habitada por seres interdimensionais (alienígenas?).  É possível ver  em 4K na Apple TV e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky.

Cena antológica

Há uma perseguição de carros hilária na selva, quando Indy e o filho perseguem Irina/Cate, que corre paralelamente a eles, mas a grande cena é mesmo a da marabunta, a praga das formigas destruidoras, que Spielberg e seus roteiristas ‘chuparam’ de Selva Nua, de Byron Haskin, de 1954, com Charlton Heston e Eleanor Parker.

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Harrison Ford (E) e Shia LaBeouf em cena de 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal'  David James/Lucasfilm

Celebrando 40 anos, saga 'Indiana Jones' ganha versão remasterizada em streaming

Quatro filmes são relançados em 4K, na Apple TV, e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky

Rodrigo Fonseca , Especial para o Estadão

Atualizado

Harrison Ford (E) e Shia LaBeouf em cena de 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal'  David James/Lucasfilm

Neste Dia dos Namorados, uma das maiores paixões da cultura pop, o arqueólogo Indiana Jones, vai comemorar os 40 anos de sua estreia nos cinemas, ao mesmo tempo em que ensaia uma volta às telas, com um quinto longa-metragem já em gestação. O novo filme da franquia iniciada em 12 de junho de 1981, com o lançamento de Os Caçadores da Arca Perdida nas telas americanas, já está sendo produzido nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, sem Steven Spielberg na cadeira de diretor, mas ainda com Harrison Ford de chicote em punho.

É James Mangold (de Logan e Ford vs. Ferrari) quem pilota o longa, tendo em seu elenco Mads Mikkelsen, Thomas Kretschmann, Shaunette Renee Wilson, Boyd Holbrook e Phoebe Waller-Bridge - sendo a estrela de Fleabag “a” aposta para substituir Ford e assumir o timão da cinessérie no futuro.

Ninguém sabe ainda que artefato ele vai procurar agora, mas estima-se um mar de perigos, que põe à prova todo o parque tecnológico da Disney, atual dona da grife Lucasfilm. A previsão de estreia para a nova aventura do herói é 29 de julho de 2022.

Enquanto essa trama inédita do herói idealizado por George Lucas e Philip Kaufman (delineado em um roteiro de Lawrence Kasdan) começa a ser rodada em terras inglesas, sob absoluto sigilo, a Paramount Home Entertainment, ainda responsável pelas antigas peripécias do Dr. Jones, revive as peripécias do personagem relançando os quatro filmes em VoD. Totalizando uma bilheteria de US$ 1,9 bilhão, eles entram em 4K, na Apple TV, e em versão remasterizada no Google Play, Net Now e Sky.

“Admiro os filmes de ação dos anos 2000, como Jason Bourne, mas muitos exemplares do gênero são feitos com tantos cortes, com tanta rapidez, que mal se entende o que se passa na tela. A gente fez Os Caçadores da Arca Perdida, nos anos 1980, como um épico de aventura à moda antiga, com dublês, cenários reais, correria. É uma velha escola que ficou imortal”, disse Ford ao Estadão quando lançou o quarto filme, O Reino da Caveira de Cristal, em Cannes, em 2008, quando a superprodução faturou US$ 790 milhões.  

Para tornar a versão em 4k das façanhas de Indiana Jones um ímã de espectadores, a Paramount - que planeja lançar esse material também em um luxuoso box de bolachas digitais - caprichou nos mimos para os cinéfilos, com sete horas de conteúdo extra, incluindo um documentário de 1981, sobre a confecção de Os Caçadores da Arca Perdida.

Tem muito material documentando a criação do som e a música de John Williams, além de extras só sobre as atrizes que cruzaram a franquia como Karen Allen. Mas quem esteve no set, como o ator Paul Freeman, que viveu Belloq, arqueólogo rival de Indiana, tem ajudado muito o estúdio a promover a efeméride de quatro décadas de um fenômeno cinematográfico que redesenhou a noção de blockbuster. Fenômeno esse que custou US$ 18 milhões, faturou US$ 389,9 milhões e saiu coroado da festa de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, em 1982, com cinco Oscars.

Freeman conversou com o Estadão, por telefone, para relembrar detalhes das filmagens com Spielberg, que rodou na Tunísia, na França, na Inglaterra e nos EUA.

“Ninguém tinha ideia de que ia nascer algo tão grande daqueles sets, mas a gente tinha uma suspeita de que era algo que poderia durar para sempre no imaginário”, lembra Freeman, um inglês de 78 anos que atua desde 1967, com uma carreira que soma cerca de 130 trabalhos no audiovisual, dos quais o mais lembrado é seu desempenho como o antagonista do Dr. Jones na caça pela Arca da Aliança, onde estariam guardadas as tábuas sagradas dos 10 Mandamentos.

“Muito divertido, mas com um senso único de pureza e de inocência, ‘Os Caçadores da Arca Perdida’ mistura uma série de gêneros, equilibrando-se entre eles. O que Spielberg e George Lucas fizeram ali foi revisitar os seriados e filmes de aventura que viam na infância, nos anos 1950, que eu via também, quando jovem. Os filmes seguintes ficaram mais pesados, mas eles ajudaram o mundo a conhecer a arqueologia sob outro prisma. Conheci pessoas, em conferências de fãs, que se tornaram arqueólogas por conta de Indiana Jones”.

Na trama que firmou o nome de Spielberg como um Midas, após os estrondosos sucessos de Tubarão (1975) e de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), existe um mal maior na busca pela Arca: as tropas nazistas. O agente Toht (papel de Ronald Lacey), líder da Gestapo, comandava as investigações em busca da relíquia do Velho Testamento. Mas era Belloq quem se aproveitava das ligações com Indiana e seus conhecimentos de História para garantir às forças do Eixo acesso ao baú divino - em troca de uma gorda recompensa.

“Belloq foi descrito no roteiro como uma pessoa de verdade, como um francês atraente e traiçoeiro. Esse realismo era a chave”, disse Freeman, lembrando do método Spielberg de filmar. “Se Steven te escala é porque ele quer ver o que você sabe fazer, livremente. Se estiver feliz em estar com você, ele vai te deixar livre para criar porque seu maior desejo, em relação a um ator, é a espontaneidade”.

Depois de conquistar enorme sucesso nos EUA, Os Caçadores da Arca Perdida só estreou no Brasil em 25 de dezembro de 1981. E apenas sete anos depois é que o filme chegou à TV, inaugurando a Tela Quente, com Júlio Cézar Barreiros (1952-2014) dublando Ford. Nas atuais versões, Guilherme Briggs é quem dubla Ford.

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Harrison Ford em 'Os Caçadores da Arca Perdida' Lucasfilm

'Indiana Jones': Os 40 anos da construção de um clássico

'Os Caçadores da Arca Perdida' coroou estatuto de Steven Spielberg como 'Midas de Hollywood'

Imagem Luiz Carlos Merten

Luiz Carlos Merten , Especial para o Estadão

Atualizado

Harrison Ford em 'Os Caçadores da Arca Perdida' Lucasfilm

O ano de 1977 foi glorioso para os amigos George Lucas e Steven Spielberg. Lucas lançou o primeiro Star Wars, que virou depois o quarto episódio da saga intergaláctica. O êxito foi retumbante. Spielberg faturara alto com Tubarão, em 1975, e faturou ainda mais com Contatos Imediatos do Terceiro Grau naquele ano. Viraram os Midas de Hollywood. Parecia impossível que a indústria pudesse negar o que quer que fosse para os seus golden boys. Pois negou.

Interrogado sobre o filme que gostaria de fazer, Spielberg respondeu: "Um James Bond”. A United Artists, que detinha os direitos do personagem, imediatamente fez saber que estava fora de cogitação. Lucas acenou então com outra possibilidade, uma sinopse que havia escrito com o futuro diretor Philip Kaufman, em homenagem às matinês de antigamente.

Spielberg embarcou, mas se passaram quatro anos até que o primeiro Indiana Jones - Caçadores da Arca Perdida - chegasse às telas de todo o mundo. O filme estreou nos EUA em 12 de junho de 1981 - há 40 anos. No Brasil, estreou no Natal, 25 de dezembro.

O sucesso foi instantâneo, e tão grande, que deu origem a uma série. Surgiram Indiana Jones e o Templo da Perdição, em 1985; Indiana Jones e A Última Cruzada, em 1989; e, depois de quase 20 anos, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, em 2008. Embora lançado com gala no Festival de Cannes, o último foi considerado decepcionante. A promessa de um quinto Indiana Jones parecia descartada, mas justamente nesta semana começou a rodagem, com James Mangold substituindo Spielberg na direção.

Vale lembrar, nesse momento de comemoração, como o personagem foi gestado. Para desenvolver a sinopse de Philip Kaufman, foi chamado Lawrence Kasdan, outro futuro diretor, de Corpos Ardentes e Silverado. Na volumosa biografia de Spielberg, por Joseph McBride - com mais de 600 páginas, edição da University of Mississippi Press -, Kasdan conta: “Num dia, era redator de publicidade, no outro estava sendo chamado para escrever a milionária produção dos dois diretores mais bem sucedidos da época”. Parece uma coisa de sonho, mas houve momentos de pesadelo.

Já havia um ator escolhido - Tom Selleck -, mas ele desistiu para fazer a série de TV, Magnum. Lucas então propôs o Han Solo de Guerra nas Estrelas, Harrison Ford. Spielberg topou. Em agosto de 1978, Kasdan entregou o roteiro, mas, antes mesmo de ler, Lucas encomendou-lhe a revisão do roteiro de O Império Contra-Ataca, que não lhe parecia satisfatório. Quando Kasdan voltou ao Indiana Jones, começaram os problemas. “Havia feito o que me pediram, um filme no estilo dos de Howard Hawks nos anos 1930 e 40, como se tivesse sido escrito por ele mesmo. Uma personagem feminina forte, um herói meio a contragosto.”

Lucas não gostou. Queria que o personagem tivesse um lado James Bond. Kasdan, Spielberg e Harrison Ford uniram-se contra. Achavam que Indiana já era complicado o suficiente, como dublê de professor e aventureiro. Mas Lucas insistiu e Kasdan escreveu uma cena de sedução - Indy de black-tie com uma loira sexy. Spielberg recusou-se a filmar. O próprio diretor tinha ideias que o roteirista considerava equivocadas. Spielberg queria que ele fosse meio Dobbs, o personagem de Humphrey Bogart em um de seus filmes favoritos - O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston. Em bom português, queria um Indiana alcoólatra. Dessa vez foi a vez de Lucas vetar, apoiado pelo roteirista e pelo ator.

Mais difícil é definir quem teve a ideia do chapéu e do chicote. McBride sustenta que ela surgiu num brainstorm. Por se tratar de um herói dos anos 1930 e 40, os vilões nazistas foram quase a consequência natural. Orgulhoso de sua origem judaica, Spielberg adorou quando a Arca da Aliança do povo hebreu com Deus, após a fuga do Egito, foi parar no centro da trama. Na ficção de Caçadores, Adolf Hitler coloca seus espiões em busca da trilha da Arca, convencido de que ela tornará seu Exército invencível. O final não poderia ser mais spielbergiano. Depois de tanto esforço para localizar e se apropriar da Arca, ela termina confiscada pela burocracia do governo e abandonada num hangar. Se os militares de E.T. tivessem conseguido dissecar o alienígena no filme seguinte, como planejavam, seus despojos talvez fossem armazenados no mesmo hangar.

Indiana virou um ícone da cultura pop. Spielberg desenvolveu depois uma série de TV sobre a juventude do seu herói. Agregou o pai de Indy, e realizou o desejo de dirigir o ex-007 Sean Connery em A Última Cruzada. Incorporou o filho, e Shia Labeouf foi quem fez o papel em O Reino da Caveira de Cristal. Juntos, os quatro filmes renderam quase US$ 2 bilhões. Justamente o quarto, apesar das críticas, foi o que mais faturou - mais de US$ 790 milhões. São números alcançados nos cinemas, mas há também a televisão, os games e os brinquedos associados ao personagem. Uma curiosidade que ninguém até hoje explorou.

Todo mundo sabe da paixão de Spielberg por John Ford - ele já citou Rastros de Ódio e Depois do Vendaval em seus filmes - e também por John Huston. Mas e Byron Haskin? Esse é daqueles diretores considerados menores. Antigo iluminador, estreou tardiamente na direção. Embora irregular, sua carreira tem clássicos das tendências noir e fantástica. Em A Selva Nua, de 1954, Charlton Heston e Eleanor Parker enfrentam uma praga de formigas que destroem tudo à sua passagem. A chamada marabunta rendeu um dos episódios mais divertidos de O Reino da Caveira de Cristal. Um ano antes, Haskin adaptou Guerra dos Mundos e o original de H.G. Wells virou o episódio intermediário da trilogia informal de Spielberg sobre o 11 de Setembro, que inclui O Terminal e Munique.

Considerando-se o fenômeno planetário que viraram os filmes da série com Indiana Jones, talvez cause espanto a reação do próprio Spielberg, lá atrás, em 1981. Instado por seu biógrafo McBride, ele admitiu que fez Caçadores para exorcizar o fracasso de 1941, mas o supersucesso criou-lhe um problema. “A ação é maravilhosa, nossos sentidos gratificam-se com ela, mas, enquanto fazia Caçadores, eu sentia que estava me afastando do motivo que me fez querer ser diretor. Foi para contar histórias de pessoas e seus relacionamentos.” Cada um dos filmes seguintes da série envolveu negociação, e convencimento, para que ele aceitasse. No quinto, Spielberg não se deixou convencer.

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