'Incrível Hulk' tem monstros demais e clima de paz em favela

No início do filme, o cientista trabalha em favela no Rio, onde se transforma na criatura verde pela primeira vez

REUTERS

08 de junho de 2012 | 10h38

O Incrível Hulk, que chega aos cinemas em versões dubladas e legendadas nesta sexta-feira, 13. Não é bem uma sequência do Hulk (2003), dirigido por Ang Lee. Por conta do fracasso de bilheteria da produção anterior, este novo filme começa do zero e não perde tempo para explicar a origem do personagem, como o longa de Lee.     Veja também:   Trailer, com cenas no Brasil, sem legendas  Trailer com legendas em português  'O Incrível Hulk' traz cenas em becos e ruelas de favela carioca Hulk 2 começa a ser filmado na favela do Bope Jornal britânico recomenda hotel em favela do Rio     Boa parte desta nova versão do herói dos quadrinhos foi filmada em favela brasileira, com direito a cena em que aparece o Pão de Açúcar, uma das imagens de cartão-postal  mais famosas do Brasil. O longa do herói dos quadrinhos da Marvel criados por Jack Kirby e Stan Lee, em 1962, aposta no elenco para emplacar seu sucesso ns bilheterias: Edward Norton, Tim Roth, William Hurt e Liv Tyler. Do alto de seus 85 anos, Stan Lee está vendo seus heróis brilharem na telona,  X-Men, Homem de Ferro e O Quarteto Fantástico, entre eles.   De todas essas adaptações, talvez a de Ang Lee para Hulk tenha sido mais criticada. Muita gente acusou o filme de 2003 de ser artístico demais para o gênero, preferindo os dramas pessoais dos personagens em detrimento das cenas de ação. Na verdade, o diretor de Taiwan tentou injetar algo novo num gênero surrado e o resultado, embora não de todo satisfatório, tinha personalidade. Em O Incrível Hulk, o acidente que transformou drasticamente o cientista Bruce Banner (Edward Norton) é mostrado bem de passagem, ao longo dos créditos iniciais. Atingido por uma alta carga de radioatividade, Bruce torna-se um gigante verde e descontrolado toda vez que fica com raiva ou experimenta emoções fortes o bastante para acelerar seus batimentos cardíacos. Até a paixão. Na primeira parte, o cientista surge na favela da Rocinha, no Rio Janeiro, onde trabalha numa fábrica de refrigerantes exportados para os Estados Unidos. Ele vive escondido, sob identidade falsa, esperando encontrar uma planta rara que o ajudará a se livrar da radiação que está em seu organismo. Embora muitas das cenas brasileiras tenham sido rodadas in loco, os personagens falam uma língua estranha, que não é nem português nem portunhol, e o cenário pacífico faz Tropa de Elite parecer ficção científica. Não há qualquer sinal de crime organizado nem do tráfico de drogas. A paz da favela só é perturbada quando o general Ross (William Hurt) manda um mercenário russo chamado Blonsky (Tim Roth) capturar Bruce no Rio. Nessa perseguição, entra em cena pela primeira vez a criatura verde, o Hulk. A transformação não é mostrada nesse momento e o cenário escuro parece tentar disfarçar os efeitos especiais ruins. Ao longo dos anos, enquanto viveu escondido, Bruce travou contato pela Internet com um cientista, conhecido apenas como Sr. Azul, que parece ter conhecimentos para ajudá-lo. Por isso, ao escapar do general no Rio, Banner vai para os Estados Unidos - andando e pegando carona -- para encontrar os dados sobre seu acidente e posteriormente tentar uma cura com o cientista. Isso coloca Bruce novamente no caminho da cientista Betty Ross (Liv Tyler), seu grande amor, uma das pessoas que estavam presentes durante o acidente e também filha do general. Aos poucos, o filme dirigido por Louis Leterrier (Cão de Briga) pega emprestado alguns temas de outras obras mais famosas, como A Bela e a Fera, Frankenstein e até King Kong. Betty e Bruce vivem um amor impossível, enquanto Blonksy se encanta com as possibilidades de aperfeiçoamento biológico - uma arma comandada pelo general - e se transforma, ele também, numa criatura perigosíssima. Em O Incrível Hulk, há muitas criaturas estranhas para pouca trama. Uma luta entre monstros, digna de qualquer episódio da série Godzilla, mostra-se, também, um tanto longa e barulhenta.

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